Coronavírus: Doria promete ir à Justiça se Bolsonaro reabrir o comércio em SP

Doria prometeu tomar medidas judiciais caso o governo federal baixe um decreto determinando a reabertura do comércio. (Foto: Sergio Andrade/Flickr/ Governo do Estado de SP)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), prometeu ir à Justiça caso o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) determine por decreto a reabertura dos comércios no Brasil em meio à pandemia do novo coronavírus. O governador também cobrou “humildade” ao presidente para que reconheça seus erros.

“Em relação ao presidente Bolsonaro prometer decreto para a reabertura do comércio, se vier a implementar ou a tomar uma decisão desse tipo, quero informar que o governo de São Paulo tomará medidas judiciais para evitar que isso aconteça”, informou Doria, na coletiva realizada nesta terça-feira (30), no Palácio dos Bandeirantes.

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O governador ainda classificou o possível decreto de reabertura como “ato irresponsável” por parte do presidente. “No estado de São Paulo, não vamos permitir que nenhum ato irresponsável se sobreponha ao posicionamento sereno, equilibrado e responsável do Estado, através de seu governo, e das prefeituras do estado de São Paulo”, completou.

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No domingo (29), Bolsonaro afirmou que estuda autorizar, via decreto presidencial, o retorno às atividades de trabalhadores formais e informais. “Estou com vontade de baixar um decreto amanhã. Toda e qualquer profissão legalmente existente ou aquela que é voltada para a informalidade, se for necessária para levar sustento para seus filhos, para levar um leite para seus filhos, arroz e feijão para sua casa, vai poder trabalhar”.

O presidente também tem defendido o afrouxamento da quarentena nos estados para reduzir o impacto da crise de saúde na economia.

“HUMILDADE”

Doria cobrou de Bolsonaro "humildade" ao mencionar o exemplo do prefeito de Milão que reconheceu ter errado ao decretar tardiamente quarentena na cidade italiana. “Reconheça seu erro, presidente. É prova de grandeza reconhecer nossas falhas.”

Em entrevista à imprensa nesta tarde, Doria refutou o que disse seu secretário estadual de Saúde, José Henrique Germann, e disse que não é hora de falar sobre hipóteses de suspensão da quarentena no estado. As medidas de isolamento social já completaram uma semana e vencem no próximo dia 7 em São Paulo.

“Nós não fazemos antecipação de anúncios. Fazemos revisões diárias das nossas decisões. Por isso, temos um comite de contingência ao coronavírus. Tudo é avaliado e filtrado para permitir decisões acertadas. Não há hipóteses de anteciparmos informações para o dia 7 (de abril). Ate lá é a quarentena. Mantenham-se em casa. Oportunamente vamos avaliar. Repito, fiquem em casa”, disse Doria

Na segunda, o secretário da Saúde disse que a quarentena poderia ser suspensa na próxima semana. Ele explicou que isso dependeria de duas condições: a população cumprir o isolamento social até o dia 7 e os casos de coronavírus não sofrerem uma alta além do ritmo registrado na última semana.

“Pelos casos iniciais que nós temos, eu diria que não vamos ter a necessidade de repetir o isolamento social muitas vezes mais para frente nem fazer o isolamento compulsório”, afirmou Germann ontem.

São Paulo contabiliza 1.517 casos confirmados e 113 mortes. No Brasil são 4.579 casos e 159 óbitos. São 231 pacientes internados em estado grave no estado.

CAMINHONEIROS E SANTAS CASAS

Os anúncios desta terça-feira do governo paulista foram destinados às Santas Casas e caminhoneiros, O governo anunciou o repasse de R$ 100 milhões para Santas Casas e hospitais municipais durante os próximos 120 dias para ampliar o atendimento a pacientes durante a pandemia. Cerca de 140 mil kits de alimentação serão distribuídos a caminhoneiros em 43 pontos de 19 rodovias concedidas à iniciativa privada até julho.

com informações da Agência O Globo