Coronavírus: governo Doria enfrenta Bolsonaro em nova campanha

Doria pediu que as recomendações do presidente sejam deixadas de lado. (Foto: Miguel Schincariol/Getty Images)

O governo de São Paulo lançou, nesta segunda-feira (30), uma nova campanha reforçando a mensagem de “Fique em Casa", ao contrário do que vem pregando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no embate contra o avanço do novo coronavírus. Em sua fala, o governador João Doria (PSDB) pediu que as recomendações de Bolsonaro sejam ignoradas.

Na propaganda, que será veiculada nas redes de rádio e TV no estado e nas mídias sociais, o governo enfrenta o discurso do Planalto de insistência na quebra do isolamento pensando nos impactos na economia frente à Covid-19.

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Citando as recomendações dadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde), pelos líderes europeus que enfrentam a pandemia e inclusive pelo presidente dos EUA, Donald Trump, a campanha reforça o “fique em casa” e ataca as recentes falas de Bolsonaro e de ministros, que pedem que a população que não compõe o grupo de risco volte às ruas e retome seus trabalhos.

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“A economia a gente recupera, a vida de quem a gente ama não dá para recuperar”, finaliza o vídeo. A propaganda começará a ser veiculada nesta noite e segue nas redes de TV, rádio e internet até o dia 6 de abril. “Anormal é acreditar em uma economia movida pela morte de muitas pessoas”, disse Doria.

Na semana passada, Bolsonaro afirmou que seu discurso estava alinhado às ações de Trump, que, segundo ele, iria reabrir as portas dos comércios e incentivar a saída das pessoas de casa nos Estados Unidos. Na terça, Trump disse que queria ver o país “reaberto até a Páscoa”.

No entanto, o mandatário americano mudou o tom e estendeu até 30 de abril as recomendações para ficarem em casa para diminuir a disseminação do vírus. Bolsonaro foi confrontado, nesta segunda, com a nova posição de Trump e respondeu que os países vivem situações distintas.

“EFEITO BOLSONARO”

Questionado sobre o “efeito Bolsonaro” diante de um aumento de pessoas circulando nas ruas, Doria pediu que as recomendações do presidente sejam ignoradas e que Bolsonaro não “lidera o Brasil no combate ao coronavírus”.

“Escutem e atendem às recomendações médicas, dadas por sanitaristas, especialistas em epidemias, infectologistas, pessoas que conhecem esse tema. Lamento voltar a esse tema, mas não sigam as orientações do presidente da República. Ele não orienta corretamente a população e não lidera o Brasil no combate ao coronavírus”, enfatizou o governador.

Doria adiantou que cenários “anormais” na economia serão enfrentadas e que São Paulo terá condições de se recuperar. “Estamos aqui para manter vidas, nossa prioridade é manter vidas. Vamos recuperar a economia do estado mais pujante do pais, mas vamos manter vidas, e proteger os mais necessitados, desamparados, combalidos do estado”.

Prefeitura e governo do estado ainda não se manifestaram se o fechamento de escolas e de comércios será renovado por mais algumas semanas ou flexibilizado. Doria disse nesta tarde que o isolamento social é uma "necessidade" mas não uma "obrigatoriedade".

EXAMES E BOM PRATO

O governo de São Paulo prometeu também ampliar a capacidade de resposta para exames nos próximos dez dias. Hoje, o Instituto Adolfo Lutz consegue processar apenas mil exames por dia. A Secretaria Estadual de Saúde informou que isso saltará para 8 mil.

Entre os 12 mil casos que estão esperando resultado de exames no Adolpho Lutz, cerca de 500 são de pacientes internados e em estado grave. São Paulo tem 1.451 casos confirmados e 98 mortes. Entre as vítimas fatais há dois rapazes de 26 e 33 anos.

A ampliação do processamento de exames passa por um reforço de outros órgãos do governo no trabalho de diagnóstico. Cinco entidades regionais do Instituto Adolpho Lutz, o Instituto Butantan e hospitais universitários se juntarão às equipes de testes do coronavírus.

Ele anunciou a ampliação do funcionamento do restaurante popular do governo que vende refeições a R$ 1. Esses estabelecimentos passarão a trabalhar no jantar. O objetivo é reforçar em 1,2 milhão de refeições o atendimentos feito atualmente. A medida começa em 1º de abril e seguirá por dois meses.

com informações da Agência O Globo