Coronavírus: Doria diz que Bolsonaro 'mais atrapalha do que ajuda' no combate à pandemia

Governador João Doria pediu respeito aos mais idosos. (Photo by Pier Marco Tacca/Getty Images)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), avaliou que, até o momento, o presidente Jair Bolsonaro mais atrapalha do que ajuda em suas ações no combate à pandemia do novo coronavírus. Doria anunciou ainda que se reunirá com os outros 26 governadores do país sem a presença do presidente, nesta tarde.

Questionado sobre a possibilidade de impeachment de Bolsonaro, Doria afirmou que é uma avaliação que cabe ao Congresso, via Câmara e Senado, e a opinião pública. Ele citou uma pesquisa do Instituto Datafolha para responder que as ações de Bolsonaro mais atrapalham do que ajudam no combate ao coronavírus.

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“Essa (o impeachment) é uma decisão do Congresso Nacional, não é uma decisão de governadores e nem minha, como governador do estado de São Paulo. Cabe ao Congresso avaliar. Obviamente, a opinião pública pode responder se Bolsonaro está mais ajudando ou atrapalhando. De acordo com as pesquisas do Datafolha, tudo indica que sim: o presidente mais atrapalha do que ajuda. Não é minha única opinião, e sim majoritária dos brasileiros pesquisados pelo Datafolha”, disse Doria.

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Doria cobrou uma reflexão ao presidente e pediu respeito à população idosa nas ações de combate à pandemia do novo coronavírus.

“O presidente deveria liderar e não conflagrar o país como tem feito, com oposições, manifestações, decisões e pela forma intempestiva com que se dirigiu a mim na teleconferência”, disse Doria, que prosseguiu cobrando o presidente: “eu respeito a população com mais de 60 anos, e peço que o senhor respeite a população acima de 60 anos”.

Mais cedo, Bolsonaro se pronunciou dizendo que “cada família que cuide de seu idoso”, em fala na saída do Palácio da Alvorada. Doria ainda classificou como desastroso o pronunciamento de Bolsonaro, feito na noite de terça.

O tucano abriu a coletiva, realizada no Palácio dos Bandeirantes, cumprimentando o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), que anunciou o rompimento de sua aliança com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) após o pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV.

“Gostaria de cumprimentar meu colega governador Ronaldo Caiado. Caiado, que é médico, ao fazer sua opção pela Medicina sabe que o correto é optar pela vida das pessoas”.

PRONUNCIAMENTO EQUIVOCADO

Doria voltou à carga contra Bolsonaro ao mostrar o exame de contraprova com resultado negativo para Covid-19. “Vou mostrar a contraprova porque São Paulo não esconde a informação, São Paulo demonstra a informação”.

Bolsonaro tem sido cobrado para publicizar os resultados de seus dois exames que, segundo ele, teriam dado negativo.

“O conteúdo do pronunciamento é absolutamente equivocado (...). Não é uma gripezinha, não é um resfriadozinho, é um assunto sério, difícil, grave. Já temos 46 vítimas e não entramos nem no pico da crise do coronavírus. Não politize isso, não transforme em palanque político.”

REUNIÃO COM 27 GOVERNADORES

Os 27 governadores do Brasil vão se reunir em uma videoconferência na tarde desta quarta-feira para discutir medidas de combate ao coronavírus, diante da gravidade da situação e do comportamento de Bolsonaro, afirmou Doria.

"Hoje às 16h os 27 governadores do Brasil estarão reunidos virtualmente em uma conferência de duas horas de duração, das 16h às 18h, dada a gravidade das circunstâncias do país e do comportamento do presidente da República", disse Doria a jornalistas em entrevista coletiva.

A videoconferência dos governadores ocorre depois do pronunciamento de Bolsonaro à nação, na noite passada, em que o presidente voltou a minimizar a pandemia de coronavírus e criticou governadores por medidas de restrição de movimentação de pessoas e fechamento do comércio adotadas para conter a disseminação do vírus.

EXTENSÃO DO PROGRAMA DE MERENDA

O governador anunciou que irá distribuir R$ 55 por mês para as famílias de 700 mil estudantes da rede pública estadual como uma extensão do Programa Merenda Em Casa. A medida, segundo Doria, atenderá as famílias “em caráter de extrema pobreza” pelo período em que as aulas estiverem suspensas por conta da pandemia do novo coronavírus.

“Serão R$ 55 por mês para as famílias de 700 mil estudantes em medida que irá perdurar enquanto durar a suspensão das aulas. É uma medida protetiva e de atenção às famílias mais vulneráveis do nosso estado, na condição de extrema pobreza segundo o Cadastro Único do governo federal”, anunciou Doria.