Coronavírus: Ao invés de salvar vidas, Bolsonaro preferiu discutir política e eleições, diz Doria

Doria lamentou ataques de Bolsonaro que teriam ocorrido durante a reunião. (Foto: Igor Do Vale/NurPhoto via Getty Images)

O governador João Doria (PSDB) classificou como “decepcionante” a postura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante a reunião com governadores do Sudeste, realizada por videoconferência na manhã desta quarta-feira (25), a respeito do combate à pandemia do novo coronavírus.

“Decepcionante a postura do Presidente Jair Bolsonaro na reunião que tivemos há pouco com Governadores do Sudeste para tratar sobre o combate ao coronavírus. Levamos as solicitações do Governo de SP e nosso posicionamento sobre a forma como a crise deve ser enfrentada”, escreveu Doria, no Twitter.

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O tucano acusou Bolsonaro de atacá-lo descontroladamente, além de querer “falar sobre política e eleições ao invés de discutir medidas para salvar vidas”. Doria, por fim, ressaltou que já foram confirmadas 40 mortes por Covid-19 no estado de São Paulo. “Não são mortes de mentirinha, presidente. E essa não é apenas uma “gripezinha”, finalizou.

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Na reunião, Doria e Bolsonaro protagonizaram debates acalorados e subiram o tom nas críticas. Segundo pessoas que tiveram acesso ao encontro virtual, mas que falaram em condição de anonimato, Doria iniciou sua fala lamentando o pronunciamento feito na noite de terça-feira por Bolsonaro em cadeia nacional, no qual minimizou a pandemia de coronavírus e criticou as medidas de restrição à circulação adotadas por governadores.

O governador paulista disse, dirigindo-se ao presidente, que ele deveria "dar o exemplo" e "liderar o país, não dividi-lo".

Bolsonaro reagiu com agressividade à fala do governador e, nas palavras de uma das fontes, "partiu para o MMA". Em sua tréplica, Doria apenas disse que o presidente precisará de "muita calma, muito equilíbrio e serenidade" para liderar o país nesta crise, que chamou de gravíssima.

O tom, em determinado momento na reunião, subiu ao ponto de Doria ameaçar ir à Justiça contra o governo federal caso haja confisco de equipamentos e insumos destinados ao combate do novo coronavírus no estado.

O governador pediu a suspensão por um ano do pagamento das dívidas dos Estados com a União, e cobrou diretamente Bolsonaro para que lidere o país com serenidade em meio à crise gerada pela pandemia do coronavírus, disseram fontes à Reuters.

POSTURA DE MANDETTA

O governador paulista também fez elogios ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, também presente ao encontro, ao destacar o que chamou de "forma republicana" do ministro, além do seu "equilíbrio".

Além da suspensão do pagamento das dívidas com a União por 12 meses, Doria defendeu ainda que o governo federal atue junto ao Banco Mundial e ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) pela suspensão, também por um ano, do pagamento das dívidas dos Estados com esses organismos multilaterais de crédito.

O tucano também pediu que portos e aeroportos sigam abertos para permitir a importação de insumos, a antecipação do pagamento de parcelas da Lei Kandir aos Estados e a alertou que o governo paulista tomará medidas judiciais caso o Ministério da Saúde atue para confiscar equipamentos médicos, como respiradores, adquiridos por São Paulo.

Participam da reunião os governadores Wilson Witzel (Rio de Janeiro), Romeu Zema (Minas Gerais) e Renato Casagrande (Espírito Santo), além de ministros como Luiz Henrique Mandetta (Saúde) e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), entre outros. A reunião, que acontece por videoconferência, ainda está em andamento.