Coronavírus: Hidroxicloroquina em doentes pode causar morte súbita, diz estudo

KOLKATA, INDIA APRIL 11: An employee at a medical store holds a strip of hydroxychloroquine (HCQ), on day eight of the 21 day nationwide lockdown to limit the spread of coronavirus, on April 11, 2020 in Kolkata, India. (Photo by Samir Jana/Hindustan Times via Getty Images)

Pacientes com Covid-19 tratados com hidroxicloroquina e azitromicina apresentaram "anormalidades no eletrocardiograma" que indicam risco de "morte cardíaca súbita", segundo estudo publicado pela revista especializada 'Nature Medicine’.

A pesquisa contradiz a defesa do medicamento pelos presidentes Jair Bolsonaro (sem partido) e Donald Trump (EUA). O cardiologista Lior Jankelson, da Escola de Medicina da Universidade de Nova York, e outros 12 pesquisadores avaliaram o uso em 84 pacientes de um centro médico de Nova York.

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"Ambos os medicamentos demonstraram aumentar de forma independente o risco de vários tipos de anormalidades do ritmo cardíaco", aponta o estudo.

A principal anormalidade foi o "prolongamento do intervalo QTc", medido por um eletrocardiograma e que representa o tempo que leva para o coração recarregar entre os batimentos.

Os 84 pacientes tinham, em média, 63 anos de idade e 74% eram do sexo masculino. Durante cinco dias, receberam hidroxicloroquina e azitromicina por via oral. Os cientistas observaram um QTc prolongado na maioria dos pacientes, "o que os colocou em alto risco de arritmia e morte cardíaca súbita", afirma o estudo.

O efeito dos medicamentos, ponderam os pesquisadores, pode ter sido aumentado por outras complicações do novo coronavírus. Os autores do estudo pedem recomendam que os médicos "monitorem constantemente" quem for tratado com hidroxicloroquina e azitromicina, principalmente entre pacientes com outras doenças.