Moro com alguém que está com coronavírus. O que fazer?

Marcela De Mingo
·5 minuto de leitura
Sad woman sitting on a sofa in the living room
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Com a pandemia de coronavírus, muitas pessoas têm mudado o seu comportamento para evitar a proliferação da doença - e, se não o fizeram, devem adotar as medidas preventivas o mais rápido possível. Porém, ao mesmo tempo, precisamos considerar como lidar com aqueles que contraíram a doença neste momento.

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É importante entender, antes de mais nada, como o codiv-19 se prolifera para, então, tomar as devidas precauções ao mesmo tempo que colaboramos para a rápida recuperação dos pacientes infectados.

"Não é momento de pânico. Estocar alimentos, álcool gel, máscaras, só vai trazer problemas para a população de um todo, especialmente esses materiais de proteção médica, a quem realmente vai precisar", explica Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBI).

De acordo com o profissional, há duas formas clássicas de transmissão de viroses respiratórias, válidas também para o coronavírus: a doença pode ser transmitida através da respiração (fala ou tosse), ou através de superfícies, quando as gotículas de saliva sobrevivem em talheres, maçanetas, até mesmo tecidos e superfícies de madeira.

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Para ele, as recomendações de distanciamento social têm o intuito de ajudar no controle da doença - com menos pessoas circulando, consegue-se diminuir o número de doentes, reduzir o número de leitos ocupados e, consequentemente, o número de mortos.

Diante disso, Renato explica que mesmo dentro de casa é impossível conseguir um isolamento ideal, mas fazer o possível é mais que necessário. "Se a pessoa convive no mesmo domicílio, ainda mais em situações como acontecem no nosso Brasil, onde os domicílios são bastante populosos, é importante esses indivíduos manterem distância dos familiares, lavarem as mãos com frequência, usarem uma máscara para não expelirem tanto vírus dentro do seu domicílio e cuidar com mais distância de idosos e de pessoas mais vulneráveis", recomenda.

Também frente a uma situação como essa, a limpeza das áreas comuns deve ser feita diariamente com os produtos de limpeza tradicionais - não há necessidade de produtos específicos ou aqueles usados nos próprios hospitais.

"Nesses casos, é importante manter essas questões de higiene mais rigorosas. Usar sempre o lenço descartável, a etiqueta da tosse, não espalhar tanto o vírus, seja na sua casa, seja no ambiente do trabalho, e a desinfecção com álcool das superfícies também ajuda quando você tem um caso na família", diz.

O mais importante é limitar o contato

Segundo a Dra. Maura Neves, otorrinolaringologista da Universidade de São Paulo, as pessoas que testaram positivo para o codiv-19 devem ficar em isolamento completo por 14 dias.

É interessante que essas pessoas usem apenas um conjunto de pratos, talheres e copos, para evitar a proliferação do vírus para os outros moradores do espaço. A profissional ainda passa outras recomendações importantes:

  1. A pessoa infectada deve ficar em um quarto com boa ventilação;

  2. Manter ao menos 2 metros de distância dos outros moradores da casa;

  3. Todos os habitantes do espaço devem usar uma máscara, se estiverem no mesmo ambiente;

  4. Se possível, manter um banheiro de uso exclusivo da pessoa infectada. Se não, limpar a área com álcool após cada uso da pessoa contaminada.

Outro ponto importante: de acordo com a médica, áreas como a cozinha não devem ser frequentadas pela pessoa contaminada. Nos horários de alimentação, o ideal é que a comida seja levada até ela por alguém usando máscara e mantendo a distância de dois metros - ou seja, leve até ela a bandeja com a refeição, mas não entregue a ela diretamente.

Fazer compras pelos outros, pode?

Pela internet, vimos acontecer um movimento de pessoas saudáveis se disponibilizando a fazer compras necessárias (como mercado e farmácia) por aqueles que estão no grupo de risco ou que estão infectados.

Fato é: é claro que a gentileza é sempre bem vinda - principalmente se a pessoa em questão está com medo de sair de casa (com os idosos isso têm sido bastante comum). Mas é preciso atenção.

Fazer estocagens de alimentos, como foi comentado acima, não é o ideal e aumenta a sensação de pânico. Compre apenas o necessário para o momento e evite gerar uma sobrecarga no sistema de distribuição de mantimentos da cidade em que você mora.

No mais, é tentar manter a rotina o mais próximo da normalidade. Se a pessoa está infectada, é preciso fazer o isolamento e seguir as orientações médicas. Se faz parte do grupo de risco, optar pelo distanciamento social, saindo de casa apenas se for preciso e, também, fazer o acompanhamento médico da sua condição.

"O que se recomenda é que essas pessoas do grupo de risco, mantenham os cuidados médicos, controlando adequadamente os sintomas crônicos, como o acompanhamento adequado da pressão arterial, o afastar dos gatilhos que podem desencadear as crises de asma e o controle dos sinais de crise; parar de fumar; e efetuar a vacinação anti-influenza e anti-pneumocócica", explica a Dra. Gilmara Klein, enfermeira especialista em Ciências Pneumológicas no Adulto Universidade Federal de São Paulo.