Coronavírus: Strippers driblam crise e dobram faturamento durante quarentena

Strippers driblam crise do coronavírus e dobram faturamento durante quarentena Foto: Divulgação/DJ BRISA

Por Paulo Pacheco

A crise econômica provocada pelo novo coronavírus não chegou ao mercado dos "nudes". Durante a pandemia, homens e mulheres isolados em casa procuraram satisfazer seus prazeres com modelos, dançarinas e strippers que vendem conteúdo erótico. O faturamento delas chegou a dobrar no último mês.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Siga o Yahoo Vida e Estilo no Google News

A cantora e stripper Beatriz Povreslo, conhecida como DJ Brisa, trabalha há cinco anos com material adulto. As vendas subiram 20%, e ela acelerou a criação de um site específico de "nudes" para a nova clientela, formada inclusive por casais.

Leia mais

"Os clientes fiéis continuam comprando bastante, mas a maior mudança foi de pessoas que não tinham esse hábito. Além de homens, mulheres e casais pedem dicas de como fazer e apimentar o relacionamento na quarentena. Com o site, em parceria cm a X-Plastic, atingimos em um mês a meta prevista para no máximo um ano", comemora.

A única fonte de renda da modelo Thamires "Folgosa" vem das fotos nuas e das transmissões ao vivo pela internet. Durante o isolamento social, a camgirl também atende pessoas que a procuram como uma companhia, não apenas pelo material erótico.

"Posso dizer que dobrei meu lucro mensal desde março. Em abril, atendi a uma quantidade significativa de mulheres. O engraçado é que algumas só querem conversar sobre autoestima e empoderamento feminino. Confesso que fiquei bem surpresa", admite.

Paralisado, elenco pornô busca alternativas

A pandemia paralisou o cinema, e o filão erótico e pornô não foi exceção. O elenco dos filmes adultos precisou se reinventar para conter os prejuízos da interrupção das produções.

A modelo e camgirl Pocahontas (nome artístico de Luana da Silva) intensificou a venda de fotos e vídeos com a suspensão dos filmes pornográficos. Ela viu seu faturamento crescer 60% durante a quarentena.

"Atualmente, me dedico ao 'camming', a filmes pornôs, e durante a pandemia somente produções próprias sem interação com outras atrizes. Faturo em média R$ 15 mil por mês, e também aumentou o fluxo de usuários no Câmera Privê, minha principal plataforma de trabalho", celebra Pocahontas.

Nego Catra, um dos astros do cinema pornô, atrai audiência como influenciador digital, entrevistando personalidades em suas redes sociais. Ele também realiza palestras e publica conteúdo adulto gravado antes da pandemia.

"Dou palestras online sobre ser mais do que um 'porn star' na cama. Falo sobre preliminares, carinho, amor, masculinidade tóxica e machismo. A Fever Filmes, da qual sou sócio, produziu bastante conteúdo sem saber que haveria quarentena. Estamos soltando aos poucos. Para nossa sorte, ganhamos em dólar e a moeda está em alta. Não estamos gravando, estamos respeitando a quarentena", conta Nego Catra.

Outra produção adulta usou a pandemia como gancho para fisgar o público. Com o sugestivo título "Quarentena dos Sonhos", três modelos (Alyne Lary, Ana Otani e Natália Weber) sensualizam no banho e revelam suas posições sexuais favoritas sem sair de casa.

"Programamos as gravações com 30 dias de antecedência, mas a pandemia começou a estourar bem na hora. Nosso roteiro se limitou, e precisamos nos adaptar à situação. Foi tudo muito improvisado para não desperdiçarmos a estrutura que investimos", explica Thiago Drummond, sócio da California TV, produtora do filme.

Auto-estima elevada

O mercado de conteúdo erótico durante a quarentena não satisfaz apenas os consumidores. Quem produz fotos e vídeos adultos consegue passar o isolamento trabalhando e ainda valoriza sua auto-estima.

"Ganho em cima de um cenário em que, antigamente, eu era vítima, às vezes sendo enganada, iludida, invadida ou traída, com homens compartilhando minha intimidade. Hoje em dia, claro que corro esse risco, mas banco uma casa e uma família com os lucros, e o fato de o cliente pagar pelo conteúdo o faz pensar muito bem antes de dividir de graça com alguém", afirma DJ Brisa.

"É uma forma de ocupar os horários vagos, e é delicioso saber que alguém vai apreciar meu corpo de uma forma extremamente prazerosa. Depois que entrei para o mundo de conteúdos adultos sou outra mulher, minha auto-estima voltou e hoje sei que sou linda da forma que sou", diz Thamires "Folgosa".

Siga o Yahoo Vida e Estilo no Instagram, Facebook e Twitter e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário