Coronavírus: quanto há de histeria nas notícias que circulam pelo mundo?

99% dos casos confirmados foram registrados na China (Foto: Kevin Frayer/Getty Images)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Ainda não há nenhum caso confirmado da doença no país

  • ‘Desinformação e pavor chegaram no Brasil antes do vírus’, diz

A cada dia, aumenta a preocupação da população mundial sobre o novo coronavírus (2019-nCoV). Ao meio-dia desta quinta-feira (6), eram 28 mil casos confirmados e 565 mortes no mundo. Com esses números que parecem alarmantes, é difícil evitar a pergunta: quando a epidemia vai chegar ao Brasil?

Para Gerson Salvador, infectologista e especialista em saúde pública pela Universidade de São Paulo (USP), o brasileiro pode dormir sem medo do vírus chinês. O motivo: ainda não há nenhum caso confirmado da doença por aqui, e por isso as chances de contaminação para quem não esteve em Wuhan, na China, são mínimas.

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No momento, há nove casos suspeitos no Brasil – dois a menos do que havia na quarta-feira (5). De acordo com o Ministério da Saúde, 24 outros casos já foram descartados.

“Existe uma epidemia de desinformação e pavor que precedeu o vírus aqui no Brasil. 99% dos casos confirmados no mundo estão concentrados na China”, afirma o médico

Analisando os números, o argumento do infectologista se comprova: dos 28.365 casos comprovados, 28.093 foram registrados em território chinês. Das mortes, apenas duas não aconteceram onde o vírus se originou: uma no Japão e uma em Hong Kong.

“Quem precisa estar atento ao coronavírus são as autoridades, o Ministério da Saúde, não a população. Isso não tem que fazer parte das preocupações hoje. A dengue e a leptospirose são problemas nossos, o novo coronavírus não”, defende.

Gerson Salvador também alerta para as informações falsas sendo disseminadas como modos de prevenção. Algumas das “soluções mágicas” divulgadas na internet são suplementos de vitamina C, chá imunológico e a recomendação de evitar produtos importados da China.

Para o médico, as precauções que o brasileiro precisa tomar são as mesmas que deveriam fazer parte do cotidiano: lavar bem as mãos, cobrir o rosto com um lenço ou o braço ao tossir e espirrar e evitar encostar nas mucosas dos olhos, do nariz e da boca.

O Ministério da Saúde considera suspeitos os casos em que o paciente apresenta sintomas da infecção (febre, tosse, dificuldade para respirar) e tenha viajado para Wuhan ou entrado em contato com um dos outros nove casos suspeitos.