Foco de covid-19? O que acontece nos camarins da TV e do cinema durante a pandemia

Amanda Caroline
·4 minuto de leitura

Os profissionais que trabalham nos bastidores da televisão e do cinema estão ainda mais empenhados em cumprir orientações de higiene durante a pandemia de covid-19. Nos camarins, os cuidados devem ser redobrados. O retorno das gravações de ‘Amor de Mãe’ nos dá alguns exemplos da nova realidade: o Yahoo apurou que, além dos atores não dividirem mais o mesmo espaço, a equipe de caracterização (maquiadores, cabeleireiros e figurinistas) trabalha em tamanho reduzido.

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Entretanto, uma “sala de maquiagem” da CNN Brasil virou centro de polêmica no início desta semana. Segundo o colunista Mauricio Stycer, do ‘UOL’, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) acusa a emissora de negligência em relação às medidas de segurança necessárias no combate ao novo coronavírus e aponta o ambiente como “um vetor de contaminação” no canal de notícias.

Em nota à imprensa, o canal de notícias nega as acusações de negligência e garante que segue um “sólido conjunto de medidas de proteção”, mas admite que o pico da doença ocorreu em um de seus camarins.

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O caso da CNN Brasil chamou atenção do público, que, mais do que nunca, questiona o que acontece por trás das câmeras. O que mudou na rotina do backstage com o novo coronavírus? Qual é o papel da caracterização na prevenção da doença? Como artistas e jornalistas colaboram para a saúde do coletivo?

A reportagem conversou com profissionais que atuam no audiovisual brasileiro e desvendamos essa nova realidade de trabalho nos camarins. Confira:

Os "segredos" dos bastidores em tempos de pandemia (Foto: Getty Images)
Os "segredos" dos bastidores em tempos de pandemia (Foto: Getty Images)

Biossegurança na maquiagem

A maquiadora, hair stylist e caracterizadora Paula Vidal, de São Paulo (SP), afirma que os protocolos de higiene para a equipe de maquiagem são rígidos. Afinal, é nesse momento em que o artista tira a máscara de proteção e fica mais exposto. Segundo ela, que está nos bastidores de séries e filmes nacionais, os profissionais trabalham usando outros EPIs além da máscara, como o face shield (“escudo” de plástico transparente que cobre todo o rosto) e luvas.

Na hora da aplicação dos produtos, todo cuidado é pouco. “Os produtos precisam ser retirados de dentro das embalagens com espátulas por conta do risco de contaminação cruzada. O correto é colocar o produto em uma plaquinha e usar apenas a quantidade reservada”, explica.

Os descartáveis também são indispensáveis para o processo dos makes. “As áreas perto das mucosas, boca e olhos são muito sensíveis. Por isso, todos os produtos são aplicados nessas regiões com pincéis descartáveis”, afirma Paula. A limpeza dos pincéis é feita ao fim de todo dia de trabalho com higienizador hospitalar. Na hora do retoque em cena, o maquiador carrega o aplicador em um saco plástico com fecho hermético para evitar qualquer contaminação.

Foco no cabelo

O manuseio dos fios também pede atenção especial. Nesse momento, o famoso secador fica de canto. A expert Paula Vidal conta o motivo: “O uso do secador não é recomendado porque a ferramenta pode espalhar o vírus no ar dentro do camarim. Então nós o substituímos pela prancha e pelo babyliss sempre que possível.” Fica a dica!

Atores devem colaborar

Não são só os maquiadores, cabeleireiros e figurinistas que devem estar comprometidos com as regras rígidas de higiene. Além da produção, responsável oferecer todo o respaldo para os trabalhadores, os atores e jornalistas precisam entrar no jogo.

“A ideia é que eles levem os próprios produtos para as gravações e façam em casa tudo o que puderem, como a barba. Assim, o tempo de exposição deles sem máscara de proteção é menor”, explica a caracterizadora. E o compartilhamento fica cada vez mais no passado. “Também compramos uma máscara de cílios para cada atriz e marcamos a embalagem com o nome delas”, completa.

Já o figurino...

A stylist Alexandra Leite, figurinista do SBT, conta que a pandemia mudou a sua rotina de trabalho com Maisa. “Com o retorno dela, começamos a fazer provas de roupa online. Ela me mandava fotos e vídeos. E quando chegávamos na TV, fazíamos poucos ajustes. Isso para manter o distanciamento, que faz parte dos protocolos”, explica.

A profissional sentiu falta das provas de roupas. “Você perde a qualidade do trabalho. A foto camufla todos os defeitos. Ver um look pessoalmente é outra coisa”, argumenta. O vai e vem de roupas (que, na maioria das vezes, são emprestadas) também merece atenção. É preciso garantir que elas estejam lavadas adequadamente tanto no recebimento quanto na devolução. O lisofórmio em spray também virou um “queridinho” dos figurinistas no combate à doença.

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