Muito além da China: explode número de infectados pelo coronavírus longe do epicentro da doença

Brasil teve a confirmação do primeiro caso nesta quarta. (Foto: Getty Images)

O número de pessoas infectadas pelo Coronavírus (COVID-19) fora da China continental, onde está a cidade de Wuhan - epicentro da doença - disparou nos últimos dias. Só nesta semana, Brasil e Grécia confirmaram os primeiros casos de contágio, além do registro do crescimento sistemático do número de infectados pelo Coronavírus na Europa.

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Dados coletados pela Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, Maryland, Estados Unidos, apontam que a maior parte dessas infecções fora da China foi registrada na Coréia do Sul. Na Itália, foram 12 mortes, mais de 300 novos casos foram confirmados e centenas de milhares de pessoas isoladas com áreas de bloqueio sendo aplicadas no norte do país.

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O rastreamento aponta que o número total de pessoas infectadas com o Coronavírus ultrapassou 80 mil, dos quais 78.064 estão na China continental. A Coréia do Sul relatou um aumento nos casos confirmados, com 1.146 casos. Nos Estados Unidos, foram 57 casos do vírus. Ao todo, foram 2,7 mil mortes pelo Coronavírus ao redor do mundo.

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O gráfico, elaborado pela plataforma de dados Statista com dados da Universidade Johns Hopkins, demonstra o crescimento da doença em países fora da China.

Número de infectados pelo Coronavírus fora da China segundo levantamento da Universidade Johns Hopkins. (Foto: Statista/Reprodução Autorizada)

No 1º caso confirmado dentro do Brasil, o paciente é um homem de 61 anos de São Paulo, que retornou de viagem justamente de uma região norte da Itália. O paciente, cujo nome não foi divulgado, está em quarentena. Ele esteve sozinho a trabalho, de 9 a 21 de fevereiro, na região italiana da Lombardia, que vive uma explosão de casos nos últimos três dias.

O caso foi notificado pelo hospital às autoridades por volta de meio-dia de terça-feira (25). Esse paciente apresentou sintomas associados à doença, como febre, tosse seca, dor de garganta e coriza. Não está claro, porém, se ele apresentou esses sinais, considerados brandos até agora, durante a viagem à Itália ou quando já estava no Brasil.

O Ministério da Saúde informou, nesta quarta-feira (26), que ainda existem 20 casos suspeitos ainda sendo investigados no País. Desde o início da epidemia, 59 outros possíveis infectados tiveram o diagnóstico descartado no Brasil.

A doença pode ser transmitida mesmo durante o período de incubação, que varia de 1 a 14 dias.

MAIS ‘FORA’ DO QUE ‘DENTRO’

A OMS (Organização Mundial da Saúde) informou nesta quarta-feira que, pela primeira vez desde que surgiram os primeiros relatos do coronavírus, os casos diários da doença relatados fora da China, epicentro do vírus, superaram os notificados no país asiático. Em 37 países houve 427 casos. Já na China esse número ficou em 411.

Hans Kluge, diretor da OMS afirmou que a taxa de mortalidade é de cerca de 2%. “Na China, onde estão 96,5% dos casos no mundo, agora ela é ainda menor, de 1%”, salientou. Kluge também lembrou que, de cinco pacientes com o coronavírus, “quatro têm sintomas leves e se recuperam”.

Já o diretor-geral do órgão, Tedros Adhanom, disse que a “alta de novas infecções na Itália, no Irã e na Coreia do Sul é “muito preocupante”, mas o vírus ainda pode ser contido e não está configurada uma pandemia.

O QUÃO GRAVE É O CORONAVÍRUS?

É importante destacar que os infectologistas dizem que é preciso evitar o pânico, uma vez que, embora o coronavírus seja transmitido com facilidade (em média uma pessoa infectada transmite o vírus para até três pessoas), ele não provoca um número proporcionalmente alto de mortes.

A taxa geral de mortalidade da doença é de 2,3% — mas em pessoas com mais de 80 anos chega a 14,8%, de acordo com um estudo realizado pelo Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças (CCDC).

A pesquisa do CCDC com dezenas de milhares de casos afirma que cerca de 80,9% das novas infecções por coronavírus são classificadas como leves, 13,8% como graves e apenas 4,7% como críticas, o que inclui quadro de insuficiência respiratória, falência múltipla dos órgãos e sepse.

Até agora, portanto, o Covid-19 não é tão mortal quando comparado a outros coronavírus previamente registrados, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers).

O risco de morte no caso da Sars, por exemplo, que eclodiu em 2003 e tinha uma taxa de mortalidade de quase 10% — foram contabilizados 8 mil casos, sendo 774 mortes. A da Mers girava em torno de 20% a 40%, dependendo do local.

Já a influenza, vírus da gripe, infecta todos os anos 26 milhões de pessoas apenas nos Estados Unidos (ou 8% da população). Desse total, aproximadamente 14 mil morrem, ou seja, a taxa de mortalidade gira em torno de 0,05%.

Estudos globais sugerem que a taxa de mortalidade por influenza no mundo (e não só nos EUA) é de apenas 0,01%.