Coronavírus: 10 dias após posse, Teich 'ignora' contato com São Paulo

Dois convites foram feitos pelo governo paulista ao novo ministro da Saúde, mas seguem sem resposta. (Foto: Andressa Anholete/Getty Images)

Dez dias após a posse do novo ministro da Saúde, Nelson Teich, ainda não houve qualquer contato da pasta com as autoridades de saúde do governo de São Paulo. O governador João Doria (PSDB) e o secretário estadual de Saúde, José Henrique Germann, informaram nesta segunda-feira (27) que dois convites formais para reuniões já foram feitos a Teich, mas seguem sem resposta.

A falta de interlocução do governo federal com equipes da Saúde de São Paulo acontece durante a pandemia do novo coronavírus, no qual o estado em questão concentra o maior número de casos confirmados e mortes pela doença: 20.715 doentes e 1.700 óbitos.

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Germann afirmou que o primeiro convite foi feito logo após a posse de Teich. “Nos colocamos na agenda (do ministro), mas não tivemos nenhum contato ainda”. No entanto, o secretário ressaltou que os contatos necessários seguem sendo feitos com outros escalões do ministério.

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“Acredito que iniciar as atividades em um ministério não é de pouca monta, mas do ponto de vista estadual tratamos todas as questões com os 2º e 3º nível no ministério. Não precisamos tratar especificamente com o ministro, mas colocar na agenda é para ter um primeiro relacionamento (com Teich)”, completou o secretário de Saúde.

A expectativa do secretário é que o encontro aconteça nesta quinta-feira (30), quando todos os 27 titulares das pastas estaduais de Saúde se reúnem juntamente com os conselhos municipais de saúde.

A segunda tentativa de contato aconteceu via Cosud (Conselho de Integração Sul e Sudeste), que reúne os governadores dos sete estados das regiões Sul e Sudeste do Brasil. “O Cosud pediu uma reunião via videoconferência com Teich e estamos aguardando. O convite foi feito, foi protocolado no dia 23 de abril - seis dias após a posse -, e está assinado pelos 7 governadores”, informou o governador Doria.  

A relação do governo paulista com o antecessor da pasta, Luiz Henrique Mandetta, era de diálogos quase diários. O contato também era extendido aos conselhos municipais. Outros secretários estaduais ouvidos pela coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo, classificaram Teich como um ministro “tutelado, frio, distante e vacilante”, justamente pela falta de contato.