Bolsonaro perde apoio dentro do governo por postura na crise do coronavírus

Debora Álvares

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro modula seu discurso no caminho contrário ao que o mundo vem fazendo para conter a pandemia do coronavírus, no Brasil, bem próximo dele, inicia-se uma espécie de sondagem para o caso de um afastamento do chefe do Executivo.

Na semana que passou, quando o mandatário elevou o tom sobre o que chama de “gripezinha”, o vice-presidente Hamilton Mourão foi procurado por militares de alta patente do Exército, Marinha e Aeronáutica. Além de expressar preocupação com o momento, colocaram-se à disposição de Mourão no caso de um impeachment ou renúncia de Bolsonaro. 

O HuffPost falou, entre sábado (27) e domingo (28), com participantes desse encontro e interlocutores de Mourão, sob a condição de anonimato. A conversa inicial se deu logo após o pronunciamento de Bolsonaro em rede nacional de rádio e televisão, na última terça-feira (24), mas outros encontros voltaram a ocorrer na sequência. 

A avaliação do núcleo militar é que, sob o pretexto de se mostrar como um político diferenciado, o presidente está colocando vidas em risco. Contudo, para eles, Bolsonaro parece não estar levando em conta que muito será perdido e que, quando se fala em perdas humanas, isso “vale mais do que qualquer crise econômica”, disse um dos interlocutores. 

Em Brasília, não são apenas os militares que já traçam cenários para o futuro. A conversa que o comando militar teve com Mourão, por exemplo, ocorre com outros ministros também: O que fazer caso o presidente seja afastado?

Auxiliares de Bolsonaro no Planalto e pela Esplanada avaliam que, desta vez, o presidente pode estar esticando a corda para além do limite. Ninguém acredita, porém, que o presidente vá abrir mão do cargo por meio de uma renúncia, como sugeriu recentemente uma antiga aliada de Bolsonaro, a deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP), que chegou a ser cogitada a vice dele nas eleições de 2018. 

Embora alguns processos de impeachment já...

Continue a ler no HuffPost