Coronavírus: brasileiros devem usar máscara mesmo sem casos confirmados?

Foto: AP Photo/Andre Penner

Nos últimos dias, o Coronavírus tem tomado todas as manchetes ao redor do mundo. Para ilustrar as matérias sobre o surto, que já causou mais de 550 mortes na China, são sempre selecionadas fotos com pessoas utilizando máscaras. O governo brasileiro pretende investir cerca de R$ 140 milhões para compras de toucas, luvas e outros insumos, incluindo elas, as máscaras. Mas esse item é útil na prevenção ao vírus?

Na opinião da infectologista Rosana Ritchtmann, a mascará é um utensílio útil, mas é preciso usá-la corretamente e trocá-la na frequência correta

“[A máscara] é uma barreira, só que é preciso saber usar. Aqui no Brasil não há uma cultura sobre isso. Importante ressaltar que não é só usar a máscara pendurada, é preciso amarrá-la adequadamente. Depois de duas horas, quando a máscara fica úmida, ela perda seu poder de filtração e é preciso trocá-la”, diz Ritchtmann.

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Ela ressalta, no entanto, que não há sentido em usar máscara no Brasil diante da situação atual. O último boletim do Ministério da Saúde informa que o país tem 11 casos investigados como suspeitos e nenhum confirmado.

O Ministério da Saúde não orienta que a população utilize máscaras sem que haja a confirmação de casos no Brasil. A pasta admite que elas são úteis, pelo menos por ora, a profissionais de saúde, trabalhadores de aeroportos e portos que recebem pessoas de foras do país e pacientes suspeitos no contato com outras pessoas.

O aporte de R$ 140 milhões destino para compra de insumos é uma medida de precaução para evitar um cenário de falta desses materiais no mercado diante da alta procura de máscaras por populares. Normalmente, segundo o Ministério da Saúde, a responsabilidade por adquirir tais itens recai sobre os hospitais.

Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde, disse que o valor será utilizado mediante uma situação “intermediária” de necessidade frente uma possível entrada do coronavírus no país. O montante poderia chegar a R$ 500 milhões em um cenário de alerta máximo definido como “epidemia generalizada”.

Na última semana, o governo declarou emergência de saúde pública devido ao novo coronavírus. A medida foi tomada para facilitar a busca de um grupo de brasileiros em Wuhan, epicentro do surto na China. A previsão é que o grupo chegue ao Brasil na madrugada do próximo sábado (08).