Corinthians precisa reorganizar contas para acabar com déficits seguidos

Arena é um dos grandes problemas financeiros do Corinthians (Alexandre Schneider/Getty Images)

Pelo quinto ano na década dos anos 2010, o Corinthians fechou contas com déficit. A projeção para o fechamento das contas em 2019 é de prejuízo de mais de R$ 144 milhões. Gastos com salários altos, compras de atletas e quase nenhuma venda prejudicaram as contas do Timão. Além disso, o alvinegro precisou renegociar a dívida com a Caixa Econômica Federal por causa do estádio.

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Sobre venda de jogadores, o Corinthians conviveu inclusive com críticas da torcida. Não por negociar os atletas, mas pelo valor das vendas. Um exemplo é Vagner Love, que está no elenco atual, mas foi vendido em 2016 por apenas 1 milhão de euros. Em 2019, os baixos valores não chegaram a se repetir, mas poucas negociações de saídas de atletas ocorreram e acabaram prejudicando ainda mais as contas do Timão no ano.

Os salários foram um grave problema para o Corinthians ao longo do ano. Os valores pagos mensalmente aos atletas passaram da casa dos R$ 11 milhões, incluindo jogadores emprestados aos quais o Timão paga uma parte do salário. Nesse caso, para 2020, o clube terá um alívio nas contas: Giovanni Augusto, Marlone, Guilherme e Paulo Roberto terão seus contratos encerrados em 2019 e não estarão mais na folha salarial na próxima temporada.

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Internamente, os dirigentes do clube cobram o departamento de futebol para que as contratações para 2020 sejam pontuais e de qualidade. Assim, o clube evitaria um problema com atletas que não conseguem espaço no elenco, acabam emprestados e o alvinegro segue pagando metade ou mais dos salários.

O estádio ainda continua cortando uma parte dos recebimentos mensais do Corinthians. Em setembro, o clube foi notificado extrajudicialmente pela Caixa Econômica, mas chegou a um acordo e segue com parcelas mensais relacionadas ao estádio. O grande ponto é até quando as finanças do Corinthians aguentarão o peso do estádio? Que ainda depende da venda de naming rights para diminuir os valores pagos no futuro.

A dívida do clube também causa preocupação. Em junho, no balancete divulgado na época, os valores passavam de R$ 626,6 milhões. Na atual década, o valor aumentou quase três vezes. Os problemas financeiros contrastam com a década de conquistas: Mundial de Clubes, Libertadores, três campeonatos brasileiros e quatro brasileirões.

O que mudará para 2020?

No último dia 17, o conselho do Corinthians analisou o orçamento para 2020, que prevê novo déficit de R$ 21,1 milhões. O levantamento foi feito de forma conservadora, na qual o Corinthians chegaria até as oitavas de final da Libertadores e quartas de final da Copa do Brasil. 

As principais receitas do Corinthians para 2020 serão direitos de televisão (R$ 230,5 milhões), patrocínios (R$ 77 milhões, incluindo a Nike), Fiel Torcedor (R$ 13,2 milhões), associados do clube social (R$ 15,2 milhões) e licenciamentos (R$ 9,8 milhões). As rendas dos jogos devem girar em torno de R$ 70 milhões, mas são completamente direcionadas para o pagamento das parcelas do estádio. 

O Timão projeta negociar R$ 66 milhões em atletas para a próxima temporada, o que ajudaria na redução do déficit, mas não iria garantir as contas fechando no azul. Os conselheiros do clube querem uma readequação de pontos do orçamento para votarem a aprovação, que deverá acontecer apenas no final de janeiro ou no começo de fevereiro.

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