Maracanazo 70 anos: e se Barbosa tivesse visto o gol uruguaio uma semana antes?

Mauro Beting
·3 minuto de leitura
Schiaffino recebeu de Ghiggia e empatou para o Uruguai - FOTO Getty Images/Getty Images
Schiaffino recebeu de Ghiggia e empatou para o Uruguai - FOTO Getty Images/Getty Images

9 de julho de 1950. Feriado em São Paulo pela Revolução Constitucionalista. No Pacaembu, desde 15h, jogam Uruguai x Espanha. Primeira partida do quadrangular final da Copa no Brasil.

Na mesma hora, no Maracanã, Ademir, artilheiro daquele Mundial, já havia aberto o placar contra a Suécia. Na impiedosa goleada que acabaria 7 a 1 para o Brasil.

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 min e receba todos os seus emails em 1 só lugar

Siga o Yahoo Esportes no Google News

No estádio paulistano, jogo equilibrado, o acrobático goleiro espanhol Ramallets fazendo das dele.

Aos 29 minutos, escapou pela ponta direita o camisa 7 charrúa. Alcides Ghiggia. Livre de marcação, às costas do zagueiro-esquerdo, avançou rápido e, em vez de bater cruzado, chutou rasteiro. No canto baixo esquerdo do goleiro, que pulou mas chegou tarde, vendo a bola que veio passar entre as mãos e a trave.

Leia também:

1 a 0 Uruguai.

Depois a Espanha virou, Obdulio Varela empatou em frango de Ramallets, e acabou 2 a 2.

O Brasil goleou o segundo jogo contra a Espanha por 6 a 1, Uruguai virou contra a Suécia no Pacaembu por 3 a 2 (com um golaço no ângulo de Ghigghia…).

No Pacaembu, no terceiro jogo que nada valia, Suécia 3 x 1 Espanha. Partida quase amistosa disputada no mesmo 16 de julho. Na mesma hora.

Quando, no Maracanã.

Aos 34 do segundo tempo…

… Escapou pela ponta direita o camisa 7 charrúa. Alcides Ghiggia. Livre de marcação, às costas do zagueiro-esquerdo, avançou rápido e, em vez de bater cruzado, chutou rasteiro. No canto baixo esquerdo do goleiro, que pulou mas chegou tarde, vendo a bola que veio passar entre as mãos e a trave.

2 a 1 Uruguai.

Ghiggia havia cruzado 13 minutos antes a bola para Schiaffino empatar a decisão contra o Brasil. Desta vez, novamente depois de passar por Bigode, preferiu bater direto. Não cruzado, mas no canto onde estava o goleiro. Ou não esteve o grande Barbosa.

O goleiraço brasileiro talvez imaginasse outro cruzamento para o meio da área e se antecipou. Ou talvez não pensasse nada.

Muito menos no primeiro gol uruguaio contra a Espanha, no Pacaembu, uma semana antes.

Mais que provável que Barbosa não soubesse como havia sido a jogada em São Paulo. Talvez pelo relato do rádio. Do jornal. Mas não pelas imagens dos poucos filmes disponíveis.

Não havia TV no Brasil (só em setembro daquele ano).

Não havia teipe (só em 1960).

Não havia estudo profundo dos rivais.

Só o jogo jogado.

Aquele que, anos depois, a gente ainda se pergunta por quê.

E se repete sempre a resposta.

– Não sei.

Talvez, quem sabe, se se soubesse como havia sido aquele gol contra a Espanha…

Mas é muito se.

Foi muito Uruguai.

(Mas ainda acho que, se fosse alguns anos depois, o Barbosa lembrando aquele gol do Ghigghia contra a Espanha, talvez ele…)

Veja aqui o lance, aos 34s do vídeo.

Aos 34s do vídeo, o gol de Ghigghia. Igualzinho ao gol que ele faria uma semana depois no Maracanazo

E “reveja” o lance do Maracanazo.

Uma semana depois, em 16 de julho de 1950, Ghiggia faz o replay ao vivo do gol de uma semana antes, no Pacaembu

Talvez a história fosse outra 70 anos depois de 50. Nem o "troco" brasileiro no tri mundial no México que completou este ano 50 anos de 70 devolve o Maracanazo.

Como nada e ninguém quis devolver a Barbosa o que não foi culpa dele.

Foi extrema felicidade do ótima Ghiggia.

Autor de um replay ao vivo uma semana depois de um replay e de um rematch que não têm como devolver.

Siga o Yahoo Esportes no Instagram, Facebook e Twitter e aproveite para se logar e deixar aqui abaixo o seu comentário.