'Convenção das Bruxas' e a difícil tarefa de desapegar da nostalgia

Thiago Romariz
·2 minuto de leitura
Anne Hathaway em 'Convenção das Bruxas' (Foto: Reprodução/HBO Max)
Anne Hathaway em 'Convenção das Bruxas' (Foto: Reprodução/HBO Max)

Não foram poucas as vezes que assisti ao primeiro 'Convenção das Bruxas’ na Sessão da Tarde. Na década de 1990, um filme que abraçava o terror e tornava a transformação de crianças em ratos em algo corriqueiro, era o programa normal da nossa tarde. O que não quer dizer que não me causava pesadelos. Angelica Huston como a Bruxa Mestre me atormentou por anos e até hoje não é das feições mais incríveis de se olhar. Todo esse sentimento vem embutido na minha expectativa ao assistir o remake dirigido por Robert Zemeckis e protagonizado por Anne Hathaway.

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Ao mesmo tempo que lembro daquelas tardes de 20 anos atrás, faço o exercício de entender o novo contexto no qual a história foi inserida — e no fundo, isso não passa do exercício de desapego da nostalgia que tanto vende hoje em dia, seja no cinema, na literatura, na música ou na internet. É evidente que Zemeckis deixa pra trás o horror tangível que Nicolas Roeg aplicou no original. Não só na questão da maquiagem impecável comandada por Jim Henson, mas também na fotografia e no ar soturno da trilha que simulava os contos de terror de uma Europa esquecida no campo.

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Isso não torna o remake ruim, mas diferente em visual e, principalmente, narrativa. Mesmo que a história siga os mesmos passos do original — agora localizados no Alabama e não na Europa, a ideia aqui é tornar o luto de um pequeno órfão numa aventura para aceitar diferenças e exterminar problemas do passado. As figuras grotescas das bruxas perdem impacto com a computação gráfica, mas compõe bem a ideia de aventura familiar proposta por Zemeckis. Hathaway não é assustadora como Huston, mas aposta na caricatura da velha classuda para amedrontar os pequenos - e funciona, por incrível que pareça.

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As mudanças de 'Convenção das Bruxas’ vêm para contextualizar melhor o conto e tornar o terror apenas um elemento dentro da missão dos pequenos ratinhos que salvarão o dia. Tal escolha tem êxito pela condução elegante de Zemeckis à história de Dahl, pois não a mensagem se mantém, mas a carcaça é atualizada para algo condizente com o cinema atual.

A minha nostalgia falou alto quando não testemunhei as transformações aterrorizantes de outrora, mas ao fim da jornada dá pra entender que o encantamento com aquela história familiar permanece.

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*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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