Contribuição israelense à exposição 'Judeus do Oriente' provoca polêmica em Paris

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(Arquivo) O presidente francês Emmanuel Macron, o historiador Benjamin Stora e o presidente do Instituto do Mundo Árabe (IMA) e ex-ministro da Culture Jack Lang, na inauguração da exposição "Judeus do Oriente" em Paris, em 22 de novembro de 2021 (AFP/Yoan VALAT) (Yoan VALAT)

O Instituto do Mundo Árabe (IMA) de Paris, que conta atualmente com a exposição "Judeus do Oriente" com empréstimos de um museu de Jerusalém, recebeu uma petição contra a cooperação cultural com Israel assinada por intelectuais árabes e lançada por um movimento pró-palestino.

A exposição - aberta até o dia 13 de março - é a terceira parte de uma série de eventos dedicados à marca deixada pelas três grandes religiões monoteístas no mundo árabe.

Seus detratores não questionam a relevância desta exposição, mas sim a colaboração do IMA com o Museu de Israel em Jerusalém.

Para esses intelectuais e ex-políticos árabes, é inaceitável esquecer que se trata de uma instituição pertencente ao que consideram um "regime colonial" que pratica a segregação contra os palestinos.

A petição foi lançada no início de dezembro pelo movimento pró-palestino BDS (Boicote, Desinvestimento, Sanções), que defende um boicote sistemático a Israel.

Assinado por cerca de 250 intelectuais e personalidades, garante que "o IMA trairia sua missão intelectual ao adotar essa abordagem de normalização: uma das piores formas de uso coercitivo e imoral da arte como instrumento político para legitimar o colonialismo e a opressão".

Entre os signatários estão o escritor libanês Elias Khoury, o diretor palestino Elia Suleiman e o diplomata argelino Lakhdar Brahimi.

- "Reescrever" a História -

"O apoio do IMA e de seu presidente, Jack Lang, ao povo palestino e pela paz está fora de dúvida", respondeu o Instituto em meados de dezembro.

Em privado, uma fonte próxima ao centro cultural lamentou o tom do BDS, lembrando que se trata de uma mostra de reconhecida qualidade científica.

Seu curador-chefe, o acadêmico francês Benjamin Stora, é uma figura conhecida no estudo da história das relações judaico-muçulmanas.

O sentimento da grande maioria dos visitantes que assinaram o livro de ouro no final da exposição era de satisfação, observou a AFP, embora alguns tenham reclamado de imprecisões históricas.

A embaixada israelense na França condenou a petição "que parece, através de uma leitura política e ideológica equivocada da história, uma tentativa de reescrever e fazer esquecer a história dos judeus de países árabes e muçulmanos".

Julgado às vezes como antissemita, principalmente pelo governo dos Estados Unidos, o BDS promove um boicote a produtos israelenses, mas também de cunho esportivo, cultural e acadêmico.

"Os eternos ausentes são os palestinos", disse Michèle Sibony, uma ativista pacifista da União Judaica Francesa pela Paz (que se opõe à ocupação dos territórios palestinos) e uma mulher francesa de família judia marroquina, contatada pela AFP.

"É mais importante trazer 30 obras para uma mostra ou dizer que a Palestina é palco de violência que mata menores de 18 anos quase todos os dias?", questionou, referindo-se ao conflito.

"A petição mal teve cobertura da mídia, apesar de ter a assinatura dos maiores artistas árabes", lamentou.

Por sua vez, Denis Charbit, historiador e professor da Universidade Aberta de Israel, em Ra'anana, que faz parte do comitê científico da mostra, defendeu que o empréstimo foi "uma decisão profissional".

Mas para o BDS, é uma questão política: "Da mesma forma que o apartheid da África do Sul foi boicotado, o apartheid de Israel deve ser isolado, em busca de liberdade, justiça e igualdade para os palestinos", disse à AFP Omar Barghouti, filósofo de origem palestina e cofundador do movimento.

Se o IMA insiste em "limpar" a imagem de Israel, "e normalizar o apartheid israelense, vai acabar perdendo credibilidade com o público árabe e com as figuras da cultura árabe".

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