Consciência Negra: como educar os filhos em uma sociedade racista?

Alma Preta
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Texto: Roberta Camargo Edição: Nataly Simões

Raízes e ancestralidade são temas que vêm à tona ao se falar da história de um povo que resiste para manter partes de sua cultura, crenças e valores vivos. A família tem um papel crucial nessa construção. A matriarca Lúcia Helena conta o que essa ‘instituição’ significa para ela. “Minha família representa a base. Da vida, da felicidade, dos relacionamentos. Em todas as etapas da vida a minha família está englobada”, afirma.

O 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, é uma data instituída em alusão à morte de Zumbi dos Palmares, símbolo da luta e da resistência negra e quilombola no Brasil.

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A data também é para muitas famílias negras um momento de celebração da herança dos ancestrais. "Nós sabemos que a história dos pretos não começa com a escravidão. É uma data importante para a gente lembrar que a nossa história é grande, milenar”, considera Marie, imigrante da França e que vive no Brasil com o marido e as duas filhas.

Diante dos desafios que cercam a população negra brasileira, em especial os mais jovens, vítimas constantes da violência policial e protagonistas de casos de racismo que já se tornaram diários nos noticiários, a família exerce um papel importante no acolhimento e criação de todas as gerações. Como educar os filhos para viver em uma sociedade marcada pelo racismo?

Para Gustavo, pai de Noah, de um ano e cinco meses, e do recém-nascido Jamall, o mais importante no processo educacional é evitar que as crianças sofram com episódios semelhantes aos vivenciados por ele. “É um desafio que tira um pouco do nosso sonho”, desabafa.

Francisco, pai solo de três filhos, descreve que a melhor forma de responder aos ataques racistas é “ser uma pessoa negra feliz, que compreende a sua história e, como cantava Dona Ivone Lara, ciente de que o negro é a raiz da liberdade”.