Conheça 'Good Omens', série que ironiza a Bíblia e revoltou grupo cristão

(Imagem: divulgação Amazon)

Quando o Anticristo estiver pronto para comandar o apocalipse na Terra, um anjo e um demônio irão unir forças para tentar manter o planeta vivo como nós conhecemos. Parece até uma profecia funesta, mas é apenas a sinopse de ‘Good Omens’, série que está disponível na plataforma de streaming Amazon Prime Video desde o final de maio.

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O tema da produção causou alvoroço entre organizações religiosas, a ponto do grupo cristão britânico Return to Order ter lançado uma petição pedindo seu cancelamento. Mais de 20 mil assinaturas depois, os descontentes perceberam que estavam reclamando na porta errada: o abaixo-assinado estava endereçado à Netflix, e não à Amazon.

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A confusão virou piada capaz de unir as duas empresas, tão rivais quanto os protagonistas de ‘Good Omens’. A Netflix tirou sarro da notícia da petição, prometendo que não iria produzir a série. Já Amazon respondeu que vai cancelar ‘Stranger Things’, uma das principais grifes da concorrente. Veja abaixo (em inglês):

Quais são os motivos para a polêmica?

Um dos pontos que desagradou o grupo cristão foi o fato de, na série, Deus ter a voz de uma mulher (a atriz Frances McDormand, duas vezes vencedora do Oscar, que narra os episódios). A amizade entre o angelical Aziraphale (Michael Sheen) e o endiabrado Crowley (David Tennant) é também criticado pelo Return to Order, assim como a presença de freiras satanistas que ajudam o nascimento do Anticristo.

Isso porque o grupo nem assistiu à série inteira (afinal, se não sabiam nem onde ela é exibida...). Ao longo de toda a temporada, o roteiro escrito por Neil Gailman, inspirado em livro escrito por ele em parceria com Terry Pratchett, faz diversas referências à mitologia presente na Bíblia, incluindo passagens com a cruxificação de Jesus Cristo e a criação da Arca de Noé.

A Inquisição Espanhola, criação da Igreja Católica, e sua perseguição às mulheres acusadas de bruxaria também é lembrada e os Quatro Cavaleiros do Apocalipse são os principais vilões. Já o temido Cão do Inferno passa a maior parte do tempo como um inofensivo e simpático vira-lata.

Michael Sheen (à esquerda) como Aziraphale e David Tennant como Crowley em 'Good Omens' (Imagem: divulgação Amazon)

Mas afinal, a série é boa?

Muito. A começar pelas cenas divertidíssimas e com diálogos repletos de ironia entre Aziraphale e Crowley. No papel do primeiro, Sheen interpreta o trapalhão ingênuo por excelência, mas também sabe se safar com uma pitada de malandragem, principalmente na hora de conversar com o exigente chefe, o anjo Gabriel (Joh Hamm, de ‘Mad Men’).

Já o demônio Crowley é um show à parte, e David Tennant sabe disso. Ele não apenas escorre sarcasmo em cada frase, como tem o estilo de um astro de rock, sublinhado pela predilação de ouvir os clássicos do Queen à todo volume enquanto dirige seu carro.

Apesar de sua aparência “maldita”, ‘Good Omens’ é uma homenagem àquilo que o ser humano tem de melhor, o bom-humor, compaixão pelo próximo e algo bastante em falta nos tempos atuais: a capacidade de diálogo entre representantes de dois lados opostos. Pena que o autor Neil Gailmam já tenha dito que não pretende se envolver numa segunda temporada, algo que a Amazon trabalha para reverter. Se Deus quiser.