Conheça as propostas dos principais candidatos à prefeitura de SP para a educação

Anita Efraim e João de Mari
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Bruno Covas, Celso Russomano, Guilherme Boulos, Jilmar Tatto, Márcio França e Arthur do Val são os candidatos melhor colocados (Foto: Reprodução)
Bruno Covas, Celso Russomanno, Guilherme Boulos, Jilmar Tatto, Márcio França e Arthur do Val são os candidatos melhor colocados (Foto: Reprodução)

No próximo dia 15, os paulistanos irão às urnas para escolher o próximo prefeito de São Paulo. Entre as principais preocupações geradas pela pandemia do novo coronavírus está a educação. Milhares de alunos, matriculados na rede municipal, estão sem aulas presenciais há meses, o que gera preocupação de especialistas.

Entre os principais problemas causados pela falta de aulas presenciais estão a defasagem de aprendizado e a evasão escolar. Além da pandemia, os candidatos ainda têm outras propostas para a educação paulistana, como a inclusão digital e aumento de número de vagas.

Saiba quais são as propostas para a educação dos seis candidatos melhor colocados na corrida eleitoral em São Paulo: Bruno Covas (PSDB), Celso Russomanno (Republicanos), Guilherme Boulos (PSOL), Márcio França (PSB), Jilmar Tatto (PT) e Arthur do Val (Patriota).

MÁRCIO FRANÇA (PSB)

O candidato e seu vice, Antonio Neto (PDT), incluíram suas propostas à Educação no que chamaram de “A retomada”, referindo-se às propostas que estabelecem estímulos para retomada de setores prejudicados pela pandemia da Covid-19. França traz propostas que vão da educação básica até o ensino superior.

A primeira delas é o “Creche para Todos”, que trata da cobertura para todas as crianças residentes em São Paulo de 0-6 anos e inclui qualificação de profissionais de creches públicas e conveniadas, além da adaptação física dos equipamentos para atendimento de crianças “com necessidades especiais”.

A segunda foi batizada de “Escola do Amanhã – Escolas Inovadoras” e tem como principal objetivo o ensino em tempo integral. De acordo com a proposta, França quer menos alunos por sala de aula, professores com melhores salários e um “projeto pedagógico moderno, antenado com a quarta revolução industrial”.

Há ainda o programa “Universidade Digital Municipal”, que visa oferecer cursos superiores, tecnólogos e de extensão na modalidade à distância para jovens concluírem o ensino médio nas escolas públicas da cidade de São Paulo. Pela proposta, não será necessário vestibular.

Por fim, o plano do candidato ainda traz a “Qualificação contínua, desenvolvimento e valorização da Carreira de Professor e Diretor”, que em tese criaria a obrigatoriedade para que diretores tenham formação em educação e o mínimo de 5 anos de experiência na área o “ Programa de Acesso a Instrumentos Digitais”, que pretende ampliar o acesso à internet.

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JILMAR TATTO (PT)

O candidato à Prefeitura pelo PT, Jilmar Tatto e seu vice, Carlos Zarattini (PT), afirmaram em seu plano de governo que qualquer ação que seja implementada na Educação precisa ter como referência o PNE (Plano Nacional de Educação) e o PME (Plano Municipal de Educação).

Assim como boa parte das candidaturas, o petista chamou atenção para crise do coronavírus, avaliando que por causa da pandemia é necessário um maior comprometimento e atenção aos processos de exclusões/desigualdades sociais. Durante boa parte do documento, Tatto relembra de projetos realizados em outros anos por governos petistas e ataca as gestões de candidatos de oposição, como João Doria e Bruno Covas.

Entre as propostas apresentadas estão a promoção de políticas de educação integradas ao CEUS, lançar o embrião de uma universidade municipal através da expansão da rede UniCEU e consolidar a Rede de Proteção Social, o que, segundo documento impulsionaria políticas nos territórios vividos a partir da Educação, especialmente no contexto da pandemia.

O programa ainda busca dar autonomia para os Conselhos de Escola, CRECE e Grêmios, além de permitir que o processo de planejamento das escolas seja articulado com a Secretaria Municipal de Educação (SME).

De acordo com o plano de governo do candidato, há prioridades em recuperar o Plano Municipal de Educação e o cumprimento das suas metas. Os prazos de implantação se darão no período da gestão 2021/2024, segundo documento.

O petista ainda aborda em seu plano preocupação com os povos originários, prometendo a retomada do projeto original do CECI para educação e proteção à cultura dos povos originários e investindo na formação de educadores indígenas, inclusive retomando convênios com a universidade pública.

ARTHUR “MAMÃE FALEI” DO VAL (PATRIOTA)

Do Val e sua vice, Adelaide Oliveira (Patriota), classificaram no documento do plano de governo, que a Educação é uma das áreas mais importantes do desenvolvimento social. Por esse motivo, o candidato afirma que vai “fazer uma mudança semântica e simbólica na atual secretaria de educação”, mas que a pasta “permanecerá com as mesmas funções”.

As propostas do candidato à Prefeitura se resumem basicamente no modelo chamado por ele de “Escola 360”. A ideia é manter escolas abertas à comunidade 360 dias do ano. Além disso, a proposta visa oferecer reforço escolar aos finais de semana para as crianças, cursos profissionalizantes nas escolas em parceria com a iniciativa privada.

Segundo documento, o “último pilar” do projeto para a educação em São Paulo é a alimentação, oferecendo refeições saudáveis para as crianças, inclusive nos finais de semana. A proposta está dentro do plano “Escola 360”, que promete auxiliar famílias a manter a nutrição e a saúde dos seus filhos, mesmo fora dos dias letivos.

O candidato ainda chama atenção para o atendimento à primeira infância com programas que alcançam desde a gestação até o ingresso na escola básica. Para contornar o déficit de vagas nas creches da rede pública, Do Val promete ampliação do sistema de voucher e parcerias com a iniciativa privada.

GUILHERME BOULOS (PSOL)

A prioridade do programa de Boulos e Erundina em relação à educação é melhorar a qualidade das escolas públicas na cidade de São Paulo. A chapa quer transformar a capital em uma “Cidade Educadora”.

Para isso, estão entre as diretrizes do programa universalizar escolas públicas de qualidade, valorizar os profissionais da educação, garantir a gestão democrática da educação e universalizar a educação para todos, incluindo pessoas com deficiência, indígenas e jovens adultos. Parte do investimento seria na formação continuada de professores.

O programa ainda cita a Covid-19. Para Boulos, em 2020 não é possível retomar as aulas presenciais e, por isso, é necessário enfrentar as desigualdades educacionais que aumentaram durante a pandemia.

Para conseguir chegar ao objetivo, o candidato do PSOL promete investir 31% das receitas arrecadadas da cidade na Manutenção e Desenvolvimento do ensino, além de zerar a fila de creches. Boulos ainda quer reverter o processo de privatização, terceirização e conveniamento da educação.

O programa inclui também que todas as escolas públicas da capital tenham número adequado de alunos por turma, salas de leitura, biblioteca, laboratórios de ciências e de informática, quadra poliesportiva, internet banda larga, alimentação nutritiva, transporte escolar digno e recursos para implementar o projeto político-pedagógico com autonomia.

“Também será incentivada a democratização do acesso às tecnologias da informação, garantindo assim para cada estudante e cada profissional uma unidade computacional com acesso à internet 4G”, diz o texto.

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CELSO RUSSOMANNO (REPUBLICANOS)

O principal objetivo do plano de governo de Celso Russomanno para a educação diz espeito à inclusão digital. O candidato pretende criar uma plataforma digital para os alunos da rede municipal. Nela, os estudantes poderiam rever conteúdo, assistir aulas e outros conteúdos que auxiliem no aprendizado. A plataforma também seria uma maneira de pais e professores se comunicarem. Segundo o plano, isso demanda tablets e chips para os alunos.

Para isso, há um programa de Inclusão Tecnológica, que identificaria alunos que não tem dispositivos eletrônicos e/ou internet e disponibilizar esses recursos. O Ensino para Jovens e Adultos (EJA) também teria uma plataforma digital, além de aulas de educação financeira e empreendedorismo. O trabalho de formação de professores também seria feito online.

Há ainda uma parte dedicada a um plano emergencial por causa da pandemia do novo coronavírus. Segundo o programa, professores e colaboradores seriam acolhidos, treinados e conscientizados sobre os protocolos de higiene e saúde, além terem atendimento psicológico.

Para diminuir a defasagem de aprendizado, as escolas mais afetadas seriam mapeadas e, assim, seria traçado um direcionamento para verificar quais as necessidades de cada unidade de ensino.

BRUNO COVAS (PSDB)

O programa de governo do atual prefeito e candidato à reeleição, Bruno Covas, não tem uma parte dedicada exclusivamente à educação, mas à infância. O projeto do tucano consiste em criar um “robusto programa de educação e proteção da primeira infância para garantir o futuro de crianças e jovens” da cidade.

O texto também fala sobre intensificar e prover a educação para crianças e jovens, mas com ênfase na primeira infância. Sobre o pós-pandemia, Covas propõe recuperar o calendário escolas com “com proposta pedagógica eficaz que garanta o aprendizado de todos e oferte reforço escolar”.

Segundo Covas, todas as mães que fizerem o pré-natal no Programa Mãe Paulistana terão assegurada uma vaga para os filhos nas creches da prefeitura. E as crianças que já estão na fila também serão contempladas, promete o prefeito em caso de reeleição. Os estudantes poderão estudar em escolas filantrópicas e particulares para zerar a fila.

O tucano ainda propõe a expansão da Bolsa Primeira Infância, projeto que atende famílias em situação de vulnerabilidade social com crianças até 3 anos de idade que não estejam matriculadas na rede municipal.

Outro tópico abordado é a inclusão digital. O programa de Covas promete comprar 465 mil tablets com internet para os alunos do ensino fundamental da rede municipal.

Covas ainda tem no plano de governo um projeto para aumentar a segurança nas escolas, que seriam monitoradas por câmeras.