Conheça os maiores sambas-enredo de Nelson Sargento, morto aos 96 anos

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**ARQUIVO** RIO DE JANEIRO, RJ, 13.10.2016: O músico e compositor Nelson Sargento em sua casa em Copacabana. (Foto: Raquel Cunha/Folhapress)
**ARQUIVO** RIO DE JANEIRO, RJ, 13.10.2016: O músico e compositor Nelson Sargento em sua casa em Copacabana. (Foto: Raquel Cunha/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O sambista carioca Nelson Sargento morreu nesta quinta (27), aos 96 anos. Ele estava internado no Inca, o Instituto Nacional do Câncer, com Covid-19 e complicações causadas por um câncer de próstata, desde a sexta-feira passada.

Sargento era paciente do Inca desde 2005, quando recebeu o diagnóstico do câncer e iniciou seu tratamento. Após ser internado na sexta, com " desidratação, anorexia e significativa queda do estado geral", foi também identificado com Covid-19.

O artista é um dos maiores nomes do samba e da história da Mangueira, do Rio.

Confira abaixo algumas das principais composições do músico, entre sambas-enredos e verdadeiros hinos do samba, e outras obras do artista.

"Apologia ao Mestre" e "Plano Salte"

Aos 25 anos, em 1949, Sargento compôs o samba-enredo "Apologia ao Mestre" para a Mangueira, e no ano seguinte, criou "Plano Salte - Saúde, Lavoura, Transporte e Educação". Ambas marcaram o início de sua carreira como compositor.

"Cântico à Natureza"

Lançado em 1955 por Sargento, Alfredo Lourenço e Jamelão, "Cântico à Natureza" é considerado um dos maiores sambas-enredo da história e, sobretudo, da Mangueira.

A letra traça um paralelo entre as estações do ano e o tradicional desfile brasileiro das escolas de samba.

Paulinho da Viola e Chico César são alguns dos artistas que já gravaram a canção.

"Agoniza mas Não Morre"

Em 1979, lançou seu primeiro disco solo, o "Sonho de um Sambista", que inclui os sucessos "Agoniza mas Não Morre", que retrata temas como a repressão e o preconceito sofridos pelos sambistas do país. A canção também ficou também conhecida na voz de Beth Carvalho.

"Falso Amor Sincero"

"O nosso amor é tão bonito/ Ela finge que me ama/ E eu finjo que acredito". Esses versos, que são quase como um hino do samba, fazem parte de "Falso Amor Sincero", lançada por Sargento, em 1979.

"O Samba da Mais Alta Patente"

Lançado em 2012, o álbum "O Samba da Mais Alta Patente" foi classificado como melhor disco de samba da temporada pelo Prêmio da Música Brasileira.

"Espaço Favela"

Além de sambista, Sargento era também artista plástico e escritor. O Rock in Rio de 2019 o homenageou na instalação "Espaço Favela", organizada pelo curador Zé Ricardo. Ali foram expostos 14 quadros de Sargento que retratam motivos carnavalescos e barracos da Mangueira, o morro onde foi morar aos dez anos de idade.

"Prisioneiros do Mundo"

Em 2012, o músico lançou o livro "Prisioneiros do Mundo", pela editora Oficina Raquel. O livro traz algumas de suas poesias, além de reflexões existenciais sobre o universo e o homem.