Conheça a nova sede da Pinacoteca, que vai abrigar obras de grandes dimensões

***ARQUIVO***São Paulo, SP, BRASIL, 03-04-2017: Fachada principal do Museu Pinacoteca. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)
***ARQUIVO***São Paulo, SP, BRASIL, 03-04-2017: Fachada principal do Museu Pinacoteca. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Duas colunas sustentam a marquise, que se projeta diante da avenida Tiradentes, no bairro paulistano do Bom Retiro. A entrada da Pinacoteca Contemporânea, terceira sede da instituição, com data de abertura marcada para 25 de janeiro, pouco mudou desde os anos 1950, década dourada da arquitetura brasileira.

Todo traço modernista está ali -- assepsia do caixote branco e a graça dos cobogós, que adornam a fachada principal, recebendo cada um dos visitantes. Não por acaso, o edifício foi erguido, aproveitando a estrutura da Escola Estadual Prudente de Moraes, antigo projeto do arquiteto Hélio Duarte.

Mesmo com a reforma, assinada pelo escritório mineiro Arquitetos Associados, o mesmo por trás de vários pavilhões do Instituto Inhotim, em Minas Gerais, o ar colegial ainda se mantém no endereço. Afinal, o prédio é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan. Os portões da entrada lembram a nostálgica hora da saída, e o pátio central, a hora do recreio.

"Pensamos em aproveitar tudo o que uma escola tem de bom, o pátio, e derrubar tudo o que tem de ruim, os muros", diz Jochen Volz, diretor-geral da Pinacoteca. "Esse novo espaço não vai só expor arte contemporânea, antes, é um espaço contemporâneo para a arte."

Ao todo, R$ 85 milhões foram investidos para que a obras terminassem ainda na atual gestão do governo -sendo R$ 55 milhões dos cofres públicos e R$ 30 milhões doados pelo empresário Marcel Telles, um dos fundadores da Ambev.

Com quase 6.600 metros quadrados de área construída --e 3.550 metros de área expositiva--, a Pinacoteca Contemporânea se junta à Pina Luz e a Pina Estação para formar um complexo artístico com pouco mais de 22 mil metros quadrados de área total no centro da cidade. Dessa forma, o museu passa a ser o segundo maior da América Latina, apenas atrás do Museu de Antropologia Nacional do México -com quase 80 mil metros quadrados.

Segundo Volz, o novo edifício terá maior flexibilidade para receber obras tridimensionais de grandes dimensões, além de projetos especiais, que demandam mostras de grande escala. Por isso, estão previstas para o início do ano exposições da sul-coreana Haegue Yang, que desafia o espaço convencional dos museus, e de itens do próprio acervo da Pinacoteca, antes impossíveis de serem mostrados.

Mais importante ainda é a expansão da reserva técnica do acervo, com sistema de climatização criado especificamente para aquele ambiente e tecnologia anti-incêndio de última geração.

Com três entradas, a estrutura da Pina Contemporânea funciona como vasos comunicantes ao Bom Retiro. Além das portas para a avenida Tiradentes, há uma entrada lateral e outra que se conecta com a Pina Luz, com passagem pelos jardins.

"Cada prédio tem uma especificidade, mas aqui o mais relevante é o contato direto com o público", afirma Volz. Logo depois dos cobogós, o visitante encontra a bilheteria. À direita, ficam as reservas técnicas, ocupando dois pisos. Do lado oposto, estão o centro de documentação, uma biblioteca e uma cafeteria.

Seguindo em frente, atingimos o pátio, de onde se tem ampla visão de todo o edifício. Parte dele, nas laterais, fica a céu aberto, com um jardim e uma arquibancada, para palestras e artes cênicas. O novo projeto agrega ainda um prédio de Ramos de Azevedo, remanescente do terreno e revitalizado como sede administrativa.

Ao fundo, ficam dois ateliês para projetos educativos, a Galeria da Praça, com 200 metros quadrados, além da lojinha e dos banheiros. O piso inferior, na continuidade do jardim, abrigará a Grande Galeria, com mil metros quadrados.

O desejo de construir uma terceira sede para a Pinacoteca surgiu ainda em 2006, quando a Associação Pinacoteca Arte e Cultura, a Apac, que administra a instituição, se mostrou empenhada em aumentar o espaço arquivístico e expositivo.

Só em 2020, depois de uma conversa com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa, o plano pôde ser efetivado. Para Sérgio Sá Leitão, que está à frente da pasta, o novo edifício é mais uma iniciativa para uma tentativa de mudar a situação nos arredores da Luz, dominada pela cracolândia e com altos índices de assalto.

"A cultura não resolverá o problema de todo o território urbano, mas esse conjunto de vetores positivos pode dar uma contribuição à vizinhança", diz ele.

Marilia Marton, como antecipou este jornal, foi escolhida por Tarcísio de Freitas, do Republicanos, para assumir o cargo no próximo governo. "Eu entrego uma secretaria mais organizada e estruturada, com um orçamento 42% maior, se comparado com 2018, então espero que a nova gestão dê continuidade aos projetos, mas também os aperfeiçoe", afirmou Sá Leitão.