Conheça local onde Alemanha tenta repetir hospedagem campeã em 2014

Das areias da praia de Al Khassoma, ponto mais ao norte de todo o Catar, a cerca de 110km de Doha, é possível ver o Zulal Wellness Resort, onde a Alemanha está hospedada durante a Copa do Mundo. Tirando o calor implacável, nem parece que você está no país que sedia o Mundial: há lixo na areia, barcos atracados na maré baixa e nenhum arranha-céu ou casa com cara de cenográfica por perto. Apenas o mar do Golfo Árabe e o deserto ao redor.

Foi o mais perto que conseguiram da Casa Bahia, resort espremido entre a mata atlântica e o oceano em Santa Cruz Calábria, litoral sul da Bahia, onde ficaram hospedados durante a Copa do Mundo do Brasil, oito anos atrás. Hoje, eles encaram a Espanha, às 16h (de Brasília) precisando vencer para não anteciparem o check-out da hospedagem catari.

Seria uma lástima: o local conta com luxos como mordomos para os atletas, piscinas, áreas de massagem, quadras de tênis e espaço para hidroterapia. Tirando a Copa do Mundo, é quase como se os jogadores alemães tivessem tirado férias no meio da temporada do futebol europeu.

Entre as dezenas de opções oferecidas pelo comitê organizador, os tetracampeões escolheram ficar o mais longe possível de todo o resto da Copa. Essa ideia de necessidade de isolamento não deixa de ser curiosa. Afinal, a famosa disciplina alemã não combina com a necessidade de se manter os jogadores afastados de tudo para ficarem concentrados e distantes das distrações.

Contradições à parte, a indiferença é recíproca: fora uma bandeira perdida em um prédio distante na região de Al Ruays, não há grandes referências à presença dos alemães no local. Em um restaurante, o garçom afirma:

— Não sabia que a Alemanha estava aqui. Torço para o Brasil e para Portugal por causa de Cristiano Ronaldo.

Tabela da Copa: Datas, horários e grupos do Mundial do Catar

Simulador: você decide quem será campeão da Copa do Catar

Um inglês residente no país entra no local, compra água, e acrescenta:

— Não é tão longe assim. Em pouco mais de uma hora eles estão em Doha.

Essa noção de distância é relativa. Em uma praça, as bandeiras do Catar lembram que aquele lugar simples também faz parte do país que esbanja luxo para os olhos do mundo graças ao Mundial. Em uma Copa concentrada ao redor de Doha, Al Ruays ignora os alemães e vivencia a competição nas bandeiras penduradas na porta dos restaurantes e lojas. Na decoração nas estradas. Nas instalações do Al Shamal, escolhido para ser o centro de treinamento dos europeus, um clube que foi feito para parecer uma grande fortaleza vermelha no deserto.

Bola de cristal: Analise as chances da seleção a cada rodada da Copa do Mundo

Acomodação é prioridade

Desde o título conquistado no Brasil que a escolha da acomodação se tornou um ponto crucial aos alemães a cada quatro anos.

— No Brasil, a hospedagem foi um ponto muito positivo. Gerou um bom ambiente dentro da equipe, e também para o trabalho — destacou Javier Cáceres, repórter do Suddeutsche Zeitung.

Na Rússia, a Alemanha cogitou se instalar em Sochi, balneário ensolarado onde ficou o Brasil. Mas se hospedou em um hotel luxuoso, mas meio melancólico perto de Moscou, por questões logísticas. A seleção, uma das favoritas ao título, foi eliminada na primeira fase e, por mais subjetivo que isso possa parecer, a escolha do lugar taciturno foi apontada como um dos motivos para o fracasso.

— Oliver Bierhoff (ex-atacante, hoje diretor esportivo da Alemanha) já disse que é importante para os jogadores estarem em lugar agradável — explicou Marco Mader, jornalista alemão da agência de notícias SID.

Isso custa um preço. A diária no resort em Al Ruays sai por incríveis R$ 120 mil. A imprensa que acompanha os alemães, sem boas opções por perto, se viu obrigada a ficar em Doha. Para amenizar o problema, a Volkswagem, patrocinadora da seleção, banca um ônibus que todo dia pega os jornalistas e o levam até o local.

O estádio da Copa mais perto da Alemanha é o Al Bayt, a uma distância de 75km. Dois dos três jogos da primeira fase serão nele. O primeiro, contra a Espanha. Hoje, o Japão, algoz alemão na primeira rodada, pegará a Costa Rica. Se os asiáticos vencerem, obrigarão a Alemanha a superar a Espanha para não ser eliminada.