Congelamento de óvulos: como funciona e por que a idade é importante

O congelamento de óvulos está em alta nos EUA. O método ajuda a preservar os óvulos da mulher, que podem ser descongelados, fertilizados com espermatozoides em laboratório, e implantados por meio de uma fertilização in vitro (FIV) no futuro.

Até pouco tempo atrás, o congelamento de óvulos, também conhecido como criopreservação de oócitos, era considerado um procedimento “experimental”. Isso mudou no final de 2012 quando a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva e a Sociedade de Tecnologia de Reprodução Assistida anunciaram que não o tratariam mais como algo experimental, segundo um artigo publicado na revista científica Canadian Medical Association Journal.

“Ao longo dos últimos 10 anos, o congelamento de óvulos se tornou algo comum,” disse ao Yahoo Lifestyle a médica e diretora de preservação da fertilidade da CCRM New York, Dra. Jaime Knopman. Ela salienta que cerca de 475 mulheres congelaram seus óvulos em 2009, enquanto mais de 6 mil mulheres fizeram o mesmo em 2015, de acordo com dados da Sociedade de Tecnologia de Reprodução Assistida.

Embora as mulheres tenham várias razões pessoais para querer atrasar a gravidez, um estudo de julho de 2018 – um dos maiores neste assunto até o momento – descobriu que, diferentemente do que muitos acreditam, as mulheres não estão necessariamente congelando seus óvulos para que possam investir na carreira ou na educação. Em vez disso, a “falta de um parceiro estável” comprometido com as ideias de casamento e paternidade costuma ser a maior influência, de acordo com os autores do estudo.

Se você está pensando em congelar seus óvulos ou tem curiosidade sobre isso, é importante saber, em primeiro lugar, que o procedimento é caro, custando cerca de 10 mil dólares por ciclo.

Quando uma mulher decide congelar seus óvulos, o primeiro passo geralmente é conversar com seu médico de confiança. “Nós conversamos sobre seu histórico ginecológico, seu histórico familiar, histórico médico, e fazemos exames que incluem uma ultrassonografia transvaginal e análises dos níveis hormonais,” explica Knopman. “Também fazemos exames de sangue, que incluem um painel de hormônios para mensurar a quantidade de óvulos presentes nos ovários da mulher”.

Para as mulheres que são boas candidatas ao congelamento de óvulos, o próximo passo são as injeções hormonais. Elas são aplicadas, geralmente pela própria mulher, duas vezes por dia – pela manhã e à noite – por um período de 10 a 12 dias, então você não pode ter medo de agulhas. “Nós ensinamos a mulher a aplicar as injeções em si mesma,” destaca Knopman.

Um número cada vez maior de mulheres está optando por congelar seus óvulos. (Foto: Getty Images)

Durante este período, a mulher consulta seu médico a cada dois ou três dias para fazer exames de sangue e ultrassonografias. “O objetivo desses exames é ter certeza de que os ovários estão respondendo aos medicamentos, de forma apropriada,” explica ela. “A maioria das mulheres se sente totalmente bem, ou até muito mais bonita, com os hormônios, porque seus níveis de estrogênio aumentam”.

Quando os óvulos estão maduros e prontos para a coleta, Knopman diz que a quantidade que o médico espera obter e congelar é de 12 óvulos.

Mas a idade influencia muito – na verdade, Knopman diz que ela é o fator mais importante. “Se tenho uma cliente de 42 anos que está congelando seus óvulos, vou querer coletar mais de 12, já que a maior parte deles não vai ser normal,” diz Knopman. “Mas se a mulher tem 32 anos e congela 12 óvulos, tenho muito mais confiança de que, com um destes óvulos, teremos um embrião viável e de boa qualidade”.

Knopman acrescenta: “Quanto mais jovem você for ao congelar seus óvulos, melhores eles serão”.

De acordo com a Mayo Clinic, cerca de 90% dos óvulos sobrevivem ao processo de congelamento e descongelamento, e cerca de 75% são fertilizados com sucesso. Apesar disso, a gravidez não é garantida. As chances de engravidar ao implantar um óvulo fertilizado no útero de uma mulher variam entre 30% e 60%, segundo a Mayo Clinic, dependendo da idade que a mulher tinha quando congelou seus óvulos.

Rachel Grumman Bender