Confusão política no Brasil agrava pandemia do novo coronavírus, diz jornal dos EUA

Foto: SERGIO LIMA/AFP via Getty Images

O norte-americano The New York Times traz uma comparação de como o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) respondeu à pandemia do novo coronavírus em relação a outras graves crises de saúde pública no país como as epidemias de zica e aids.

"As respostas pioneiras do país a crises de saúde passadas, incluindo aids e zika, ganharam elogios globais. Mas a resposta caótica do governo ao vírus minou a capacidade do país de lidar com o problema", avalia a publicação.

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Crítico das medidas de isolamento social defendidas pela OMS (Organização Mundial de Saúde), Bolsonaro vê o Brasil ganhar posições no ranking de mortos pela Covid-19 no planeta. Atualmente, o país é o sexto com mais mortes.

"A confusão nacional ajudou a ampliar a propagação da doença e contribuiu para tornar o Brasil um centro emergente da pandemia, com uma taxa de mortalidade diária perdendo apenas para a dos Estados Unidos", diz outro trecho.

Para o jornal, é “contraditória” a reação do país à pandemia do novo coronavírus. O The New York Times cita a insistência de Bolsonaro em reabrir a economia do país, mesmo diante do avanço do vírus e da crítica de especialistas.

Outra questão destacada pelo jornal é o pedido de demissão de Nelson Teich, fazendo com que o país tivesse duas saídas de ministros da Saúde em dois meses (Luiz Henrique Mandetta foi demitido no último dia 16 de abril).

"Especialistas em saúde pública dizem que a abordagem desordenada saturou ainda mais unidades de terapia intensiva e necrotérios e contribuiu para as mortes de dezenas de profissionais médicos, à medida que a maior economia da América Latina mergulha no que pode ser sua recessão mais acentuada da história.

Brasil poderia ter sido ótimo exemplo

O jornal entrevistou trouxa também a visão de especialistas e profissionais da saúde, entre eles a professora Márcia Castro, da Universidade Harvard.

"O Brasil poderia ter sido uma das melhores respostas a essa pandemia", disse Castro, especializada em saúde global. "Mas, no momento, tudo está completamente desorganizado e ninguém está trabalhando em busca de soluções conjuntas. Isso tem um custo, e o custo é a vida humana."

O artigo ressalta que o Brasil teve meses para avaliar os erros e os acertos dos primeiros países atingidos pela Covid-19.

"Seu robusto sistema de saúde pública poderia ter sido usado para realizar testes em massa e rastrear os movimentos de pacientes recém-infectados. (...) Seu fracasso em agir de forma precoce e agressiva está em desacordo com as engenhosas abordagens do país para crises médicas passadas", diz o jornal, com base na opinião de especialistas.

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