Confinamento pela COVID-19 leva Hertz à falência nos EUA e Canadá

Por Delphine TOUITOU
Placa em frente a um escritório de vendas e aluguel de carros da Hertz, em 8 de agosto de 2017, em São Francisco, Califórnia

A empresa de aluguel de carros Hertz, afetada pelo impacto da pandemia de coronavírus, anunciou na sexta-feira (22) que entrou com pedido de falência nos Estados Unidos e no Canadá.

"O impacto da COVID-19 na demanda de viagens foi repentino e dramático, levando a uma queda acentuada na receita da empresa e reservas futuras", declarou a companhia em comunicado.

A Hertz disse que tomou "medidas imediatas" para priorizar a saúde e a segurança dos funcionários e clientes e eliminar "todas as despesas não essenciais".

"No entanto, permanece a incerteza sobre quando as receitas retornarão e quando o mercado de veículos usados voltará a reabrir inteiramente às vendas, o que exigiu ação imediata", acrescentou.

As principais regiões operacionais globais da Hertz, incluindo Europa, Austrália e Nova Zelândia, não estão incluídas no pedido de falência.

Em 21 de abril, a Hertz havia anunciado o corte de 10.000 empregos na América do Norte, 26,3% de sua força de trabalho global, para economizar dinheiro após o confinamento pelo coronavírus paralisar as viagens e a economia.

O grupo explicou na sexta-feira que finalmente demitiu 20.000 pessoas, metade de sua força de trabalho global.

A empresa recorreu ao capítulo 11 da lei de falências nos Estados Unidos, um mecanismo que permite que uma empresa que já não pode mais pagar sua dívida se reestruture sem a pressão dos credores.

As franquias Hertz, que não são de propriedade da empresa, não estão incluídas no procedimento do capítulo 11.

Hertz não mencionou o valor de sua dívida, mas o Wall Street Journal informou na sexta-feira que totalizava cerca de US$ 19 bilhões.

"A reorganização financeira fornecerá à Hertz o caminho para uma estrutura financeira mais robusta que posicione melhor a empresa para o futuro, enquanto navega no que poderia ser uma jornada prolongada e uma recuperação econômica global", afirma o comunicado da empresa.

A pandemia de coronavírus levou vários países a impor medidas de contenção que paralisaram as atividades econômicas.

A direção da Hertz teme que o retorno à normalidade seja demorado, e a generalização do teletrabalho durante a pandemia levanta dúvidas sobre se a empresa será capaz de recuperar sua clientela comercial assim que a crise terminar.

A empresa, com sede em Estero, na Flórida, empregava 38.000 pessoas no final de dezembro, incluindo 29.000 nos Estados Unidos.

Há alguns anos, a Hertz sofre com a concorrência da Avis Budget e com serviços de transporte com motorista como o Uber.

A empresa registrou uma perda líquida anual em 2019, pela quarta vez consecutiva. Mas 2020 começou bem, com um aumento no faturamento de 6% em janeiro e 8% em fevereiro, em comparação com os mesmos meses do ano passado.

A falência ilustra a magnitude da crise que os Estados Unidos sofrem como resultado das medidas para conter o coronavírus, que devastaram setores inteiros da economia, como transporte e turismo.

Desde meados de março, 38,6 milhões de pessoas solicitaram auxílio-desemprego nos Estados Unidos.