Companhia aérea de Maduro vai na contramão com 2020 excepcional

Alex Vasquez e Nicolle Yapur
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- O ano passado pode ter sido o pior da história da indústria de aviação global, mas, para a companhia aérea de Nicolás Maduro, os negócios prosperaram.

A Conviasa, como a estatal venezuelana é conhecida, diz que suas operações cresceram 85% em 2020, sendo uma das poucas aéreas do mundo a registrar expansão depois que a pandemia paralisou as viagens aéreas.

A companhia, que está proibida de voar para os Estados Unidos como parte das amplas sanções contra o regime de Maduro, agora tem voos regulares para cinco países. Três deles são liderados por aliados políticos de Maduro - Bolívia, Irã e México - e há planos para adicionar uma conexão com Moscou em breve. A Conviasa agora também atende rotas de alta demanda para o Panamá e República Dominicana, que operam como centros de trânsito importantes para os venezuelanos.

Enquanto companhias aéreas dos Estados Unidos e da Europa receberam bilhões de dólares em resgates do governo para resistir à pandemia do coronavírus, a Conviasa obteve outro tipo de apoio estatal. A concorrência foi anulada com atrasos nas autorizações ou obstáculos de última hora contra companhias aéreas, como a Copa Holdings.

O segredo do sucesso relativo não é difícil de encontrar. Interessado em apoiar estatais que possam gerar receitas em moeda forte para um regime abalado, o presidente Maduro permitiu que a Conviasa cobrasse em dólares e com tarifas exorbitantes para destinos como Toluca, no México, ou Viru Viru, na Bolívia.

“Se a Conviasa cresceu, ótimo, mas as operações aéreas venezuelanas não deveriam depender de uma única companhia aérea, de um único interesse, isso é perigoso, não está certo”, disse Reinaldo Pulido, vice-presidente da associação Conseturismo. “Você torna um país de 30 milhões de pessoas dependente de uma única empresa.”

A companhia aérea, agora dirigida por Ramón Velásquez, um coronel da reserva que também comandava o Ministério de Ecossocialismo e Águas, conseguiu quase dobrar as operações no ano passado, segundo comunicado da empresa. Nesse período, o tráfego de passageiros caiu 63% em toda a América Latina e quase 66% globalmente, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo.

Comprar uma passagem, no entanto, pode ser uma experiência enlouquecedora.

O site da Conviasa não é confiável para fazer reservas e até mesmo para verificar os horários de saída e chegada. Ninguém atende os números de atenção ao cliente. Ir pessoalmente a um escritório também não garante o recebimento das passagens, pois costumam estar esgotadas ou as agências podem não cumprir o horário normal de funcionamento.

No entanto, os voos costumam estar lotados.

A Conviasa não publica relatórios financeiros ou dados importantes, como vendas de passagens, receita, capacidade de voo ou orçamento operacional. Nem a Conviasa nem seu hub principal, o Aeroporto Internacional de Maiquetía, em Caracas, responderam a pedidos de comentário sobre as práticas comerciais da operadora.

Quando o primeiro caso de coronavírus foi confirmado na Venezuela em 13 de março de 2020, o governo rapidamente decretou um dos lockdowns mais rigorosos do mundo, e os aeroportos ficaram fechados por sete meses.

Mas quando o céu foi reaberto em novembro, a Conviasa recebeu licenças rápidas para destinos de voos diretos recém-aprovados, como o México, e anunciou uma conexão exclusiva entre Caracas e a Bolívia. Outras companhias aéreas privadas enfrentam dificuldade para obter aprovações.

As passagens para o México ou Bolívia podem custar até US$ 1.000, uma quantia muito além do poder de compra da maioria dos venezuelanos.

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