Como surgiu a rivalidade histórica entre EUA e Irã?

O presidente dos EUA, Jimmy Carter, e o xá da Pérsia, Mohamed Reza Pahlevi no Irã em 1977 (Foto: AP Photo)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Hoje em tensão crescente, os dois países já foram aliados

  • EUA orquestraram golpe de Estado no Irã em 1953

ataque dos Estados Unidos ao aeroporto de Bagdá na noite da última quinta-feira (2) marcou a escalada da tensão entre o país norte-americano e o Irã, com a morte de algumas das figuras militares mais importantes do país do Golfo. Mas a relação entre os dois nem sempre foi conflituosa.

Em 1977, Jimmy Carter, então presidente dos Estados Unidos, visitou a capital iraniana e teceu elogios ao país e ao seu líder, o xá da Pérsia Mohamed Reza Pahlevi.

"Nosso diálogo tem sido inestimável, nossa amizade é insubstituível. E não há nenhum outro líder por quem eu sinta uma maior gratidão e amizade pessoal”, afirmou Carter durante brinde em Teerã

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Na ocasião, o presidente dos EUA se referiu ao Irã como um "ilha de estabilidade numa das zonas de maior conflito do mundo" – visão diametralmente oposta à atual. Como os dois países se tornaram inimigos?

Para entender o sentimento antiamericano no Irã, é preciso relembrar eventos anteriores à visita de Jimmy Carter a Teerã. Em 1953, um golpe de Estado derrubou o primeiro governante iraniano eleito democraticamente, o primeiro-ministro Mohamed Mossadeq. Uma de suas principais medidas foi nacionalizar a indústria de petróleo iraniana, acabando com a exploração britânica dos combustíveis.

Documentos revelam que o Reino Unido se uniu à CIA para orquestrar o golpe de Estado que restaurou a monarquia no país. Historiadores acreditam que o contexto da Guerra Fria foi crucial para que os EUA participassem do plano, já que temiam uma aproximação do Irã com a União Soviética. O apoio norte-americano a um governo considerado autoritário se tornou um dos pilares da aversão aos EUA no Irã, que culminou na Revolução Islâmica de 1979.

A partir de então, os iranianos voltaram a ter soberania total sobre o petróleo do país. Quem assumiu o poder foi o líder religioso Ruhollah Musavi Khomeini, que durante o regime monárquico foi exilado e se referiu aos EUA como “Grande Satã”.

Em novembro do mesmo ano, um grupo de manifestantes manteve como reféns diplomatas e outros cidadãos americanos na embaixada americana em Teerã. O sequestro durou 444 dias, durante os quais os EUA romperam relações diplomáticas com o Irã e impuseram uma série de sanções econômicas ao país.

Essas punições, assim como o apoio dos EUA a Saddam Hussein na guerra entre Iraque e Irã (1980-1988), aprofundaram ainda mais a rivalidade entre os dois países que dura até hoje.