Como surgiu a lei Carolina Dieckmann contra crimes virtuais?

Atriz relembrou de vazamentos de fotos íntimas que parou o Brasil

Carolina Dieckmann no
Carolina Dieckmann no "Quem Pode, Pod". Foto: Reprodução/Youtube

Resumo da Notícia:

  • Carolina Dieckmann leva nome de lei contra crime virtual há 11 anos

  • Atriz relembrou de vazamentos de fotos íntimas que parou o Brasil

  • Entenda o que aconteceu para o surgimento da lei

Mais de uma década após ser vítima de vazamentos de fotos íntimas, Carolina Dieckmann relembrou do caso que virou lei apelidade com seu nome. Em participação no podcast "Quem Pode, Pod", de Fernanda Paes Leme e Giovanna Ewbank, a atriz relatou o que passou em 2012, quando viu nudes enviadas para o marido, Tiago Worcman, serem expostas nacionalmente. Saiba como surgiu a lei Carolina Dieckman:

Tudo começou quando hackers entraram em contato com o escritório do empresário de Carolina Dieckman e pediram dinheiro para não divulgarem as fotos. "Os caras já tinham tentado ligar para a minha casa, algumas pessoas e a gente começou a tentar um contato na polícia pra ver se era possível descobrir de onde vinha a ligação", iniciou ela no podcast.

Por conta da tecnologia ainda não ser tão avançada, Carolina relatou muita dificuldade para conseguir descobrir a identidade dos golpistas, mas eles desapareceram repentinamente. No entanto, ela foi surpreendida com o vazamento das imagens logo após sair de um ensaio para um filme. "[Saiu] Na capa de todos os sites. Não tinha essa coisa de 'não publique que você pode ser acionado'. Ninguém acionava ninguém naquela época. Se hoje é terra de ninguém, imagina naquela época", afirmou.

A exposição

Marcada pelo terror de ter sido exposta, Carolina contou que precisou fretar um avião para conseguir chegar em casa de onde estava por conta da repercussão imediata. Na sequência, ela conseguiu a ajuda de Bruno de Lucca para desligar a internet de sua residência para que o filho de 13 anos não tivesse acesso ao ocorrido.

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Caso de polícia

A atriz relembrou como se encorajou a ir com o marido na delegacia e explicar a situação para que conseguissem encontrar os culpados. "Vambora! As fotos são para o meu marido. É isso aí! A pessoa que pegou hackeou o meu e-mail. Aí, em um semana, eles descobriram os caras. Foi super rápido", relatou.

De acordo com o "Fantástico", da TV Globo, os investigadores encontraram uma espécie de impressão digital eletrônica (IP) dos suspeitos nas informações deixadas pelos próprios hackers nos acessos aos e-mails de Carolina Dieckamnn.

Na época, eles foram indiciados por furto, extorsão qualificada e difamação por ainda não existir lei específica para crimes de informática - o que acabou resultando na lei Carolina Dieckmann.

Empatia pelos criminosos

Embora soubesse da importância de seguir com o caso, Carolina chegou a confessar ter dó dos criminosos. "Eram pessoas de uma situação difícil na vida. Uns quartinhos, umas camas. Eu imaginava aqueles meninos dormindo e acordando. Eles ficavam tentando achar dados bancários de pessoas", explicou.

Ela contou que os hackers eram bem jovens e entraram em seu e-mail, viram que tinha imagens, foram atrás achando que havia extratos bancários, reconheceram a celebridade e seguiram com o golpe. "Mas eles não eram pessoas atrás de fotos de mulher pelada. Quando eu via no 'Fantástico', mostrando aqueles meninos. Fiquei olhando e falei: 'Meu Deus'", declarou. "E você ter um filho na época com 13 anos", completou Giovanna.

O impacto para o filho

Na época com 13 anos, Davi, o primogênito de Carolina, estava de férias da escola e a turma havia viajado para a Amazônia. Ele não foi por conta de uma gripe e o assunto acabou ficando mais frio para que o menino enfrentasse na escola, mas houve uma conversa de mãe para filho. Já o caçula José Worcman, tinha apenas 5 anos de idade, sem entendimento da situação.

"Falei [para o Davi] que eu tinha mandado [fotos íntimas] para o Tiago, expliquei tudo para ele. Mas o Davi sempre foi um menino muito quieto. Se eu sou reservada, o Davi nem sei, é uma ostra. Na época, eu tinha a sensação que eu tentava falar com ele, mas nada que eu dissesse ia confortar", disse Dieckmann.

O detalhe é que Davi surpreendeu Carolina alguns anos depois, quando ele já estavam morando em Miami, nos Estados Unidos. Numa roda de conversa, perguntaram para o garoto com cerca de 19 anos qual era o trabalho mais legal que ela havia feito. "Ele disse: 'A minha mãe fez muito trabalhos legais, mas, nos episódios das fotos, eu senti muito orgulho dela'", contou a atriz, visivelmente emocionada.

A lei Carolina Dieckmann

Sancionada em 30 de novembro de 2012, a lei 12.737/12, popularmente chamada de Carolina Dieckmann, incluiu pela primeira vez no Código Penal brasileiro a tipificação dos crimes informáticos. Em 2021, a legislação foi atualizada com a lei 14.155.

“Para que seja caracterizado um crime informático, não é necessário que o dispositivo esteja ligado na internet. E a segunda [alteração] é que não é mais necessário que o agente viole mecanismos de segurança do aparelho hackeado para que haja crime. O fato de invadir um dispositivo e bisbilhotá-lo já é um delito”, contou o advogado criminalista e especialista em crimes digitais, Carlos Eduardo Gonçalves, ao Yahoo. Clique aqui para saber mais.