Como saber se você é assexuado?

Antes mesmo de chegar ao ensino médio, Michael Doré começou a perceber que era diferente de seus colegas. De repente, todos os garotos do mesmo ano estavam reparando nas garotas e falando delas como possíveis namoradas, pessoas para beijar e eventualmente fazer sexo. Mas Michael não se sentia da mesma maneira. Ele valorizava seu relacionamento com as mulheres, mas não conseguia vê-las como algo mais do que amigas. Você pode pensar que ele talvez fosse gay. Afinal, muitos homens percebem que são gays porque não sentem atração por mulheres. Mas não era isso. Michael também não sentia atração sexual pelos homens. Ele não sentia nenhuma atração sexual.

Mais tarde, Michael percebeu que era assexual (ele agora faz parte da equipe da Asexual Visibility and Education Network) e que havia toda uma comunidade de pessoas como ele. Sua história é uma experiência comum para pessoas assexuadas. Muitas pessoas assexuadas começam a se questionar por não se encaixarem em nenhum padrão. Mas esses sentimentos não são a única maneira de perceber que se é assexuado, diz Michael. Algumas pessoas assexuadas fazem sexo e não o odeiam completamente. Mas, muitas vezes, não se sentem conectadas ao sexo, ficariam igualmente felizes em não fazer sexo, não se importariam se fizessem sexo ou não, ou podem fazem sexo apenas para agradar um parceiro. E há pessoas que não querem nada com sexo.

Todas essas pessoas podem se considerar assexuadas. “A assexualidade é um espectro, não é preto no branco”, diz Michael. Assim como há muitos passos entre ser hétero e gay, há todo um espectro de identidades entre ser assexuado e sexuado. Algumas pessoas assexuadas chamam a si mesmas de “Gray-A” ou “demisexual“, porque sentem que estão em um espaço intermediário. As pessoas que se identificam como Gray-A podem ter uma libido muito baixa ou apenas sentir atração sexual por alguém em circunstâncias especiais, como quando formaram um vínculo emocional com alguém ou quando estão em um relacionamento.

Ainda assim, nenhum desses sentimentos significa que você tenha de se identificar como assexual. Nem usar esse rótulo significa que você tenha de se sentir de uma certa maneira. “Muitas pessoas acham que têm que viver de acordo com esses rótulos e cumprir todos os requisitos, caso contrário, não podem ser um verdadeiro assexuado”, diz Michael. Em vez de se ater a definições inflexíveis, Michael diz que todo aquele que achar que “assexual” e descreve sua experiência, pode usar o rótulo. “Esses termos existem para ajudar as pessoas a se entenderem, não para prescrever o que você tem que experimentar”, diz ele.

A única coisa que organizações assexuadas como a AVEN tentam diferenciar é a assexualidade do celibato. Ao contrário do celibato, a assexualidade é uma orientação sexual, não uma escolha. “A assexualidade como uma orientação sexual diz respeito a quem o atrai, não aos valores morais que você tem”, diz Michael. Assim, enquanto algumas pessoas decidem se resguardar para o casamento ou deixar de fazer sexo por outras razões, elas não são assexuais (contanto que sintam atração sexual).

Da mesma forma como não é vergonha escolher não fazer sexo, não há vergonha na assexualidade. Também não é vergonha se identificar como assexual durante uma determinada parte de sua vida e depois começar a se identificar de uma outra maneira. Para a maioria das pessoas, ser assexual não muda, mas às vezes acontece. “Não é como se você estivesse se comprometendo por toda a vida, se usar o rótulo assexual”, diz Michael. “Use o termo assexual, conquanto que seja útil para você.”

Kasandra Brabaw