Como saber que tive um orgasmo: existe um padrão certo para atingir o prazer?

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Como saber que tive um orgasmo? (Arte: Fer Ilustra/Yahoo Brasil)
Como saber que tive um orgasmo? (Arte: Fer Ilustra/Yahoo Brasil)

Resumo da notícia

  • O que é orgasmo?

  • Como sei que tive um orgasmo?

  • Como conhecer meu corpo?

Muitas mulheres passam a vida inteira sem sentir um orgasmo durante o sexo e chegam até a fingir. De acordo com um estudo publicado no periódico científico Archives of Sexual Behavior, 58% das americanas disseram já ter fingido um orgasmo durante a relação sexual com o parceiro.

Já em uma outra pesquisa, realizada pelo Mosaico 2.0 e conduzida pela psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Prosex (Projeto Sexualidade) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, mostrou que mais de 40% das mulheres brasileiras têm dificuldade de atingir o ápice do prazer.

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A definição de orgasmo é quando a pessoa atinge a fase máxima do prazer durante o sexo. No caso das mulheres, a sensação não necessariamente vem junto com a ejaculação.

De acordo com Lilian Fiorelli, uroginecologista e especialista em Sexualidade Feminina pela Universidade de São Paulo (USP), somente 10% das mulheres têm predisposição em esguichar o líquido chamado squirting. “Por isso elas podem achar que nunca gozaram. O orgasmo pode vir de outras formas”, afirma.

Existe um padrão para chegar ao prazer?

Embora pareça existir regras para atingir o orgasmo, o prazer máximo não é igual para todas. Paula Napolitano, psicóloga, terapeuta sexual e autora do livro “Sexplicando: sexualidade sem mitos e tabus”, explica que existem intensidades diferentes, fazendo com que as mulheres sintam diversas sensações ao longo do sexo. “Sempre vai ser único.”

O mais importante é não ter regra, não gerar uma cobrança interna ou em relação ao parceiro. Contudo, se a transa não estiver boa, não finja ou force a barra para seguir com o sexo. Tenha em mente que, algumas vezes, você não chegará ao orgasmo e está tudo bem.

Mas como reconhecer e saber que você “chegou lá”? Essa é a dúvida de muitas mulheres que não sabem se já tiveram realmente um orgasmo desde que iniciaram a vida sexual. Como falado, o orgasmo feminino é diferente e são raras às vezes em que a mulher terá uma ejaculação.

Geralmente, dá para saber com as reações do corpo como lubrificação na vagina, perda de sentidos, aquecimento e contração dos assoalhos pélvicos. “Isso pode acontecer com o homem e com a mulher”, reforça a terapeuta sexual.

Conheça o próprio corpo e livre-se de amarras

Orgasmo feminino é sinônimo de poder sexual, e principalmente, de libertação (Arte: Fer Ilustra/Yahoo Brazil)
Orgasmo feminino é sinônimo de poder sexual, e principalmente, de libertação (Arte: Fer Ilustra/Yahoo Brazil)

Todo tabu em relação à sexualidade fez com que cada vez mais as mulheres ficassem reprimidas e sem poder sequer falar sobre o assunto. O preconceito sobre o tema perdurou—e ainda continua—ao longo de décadas, levando a “trava” nas relações sexuais.

Isso explica o porquê de algumas mulheres sofrerem com a anorgasmia, em que elas nunca conseguem atingir o orgasmo. Mesmo raro, a condição impacta no sexo, levando à frustração. E por que isso acontece, na maioria das vezes, somente com o público feminino?

Fiorelli destaca a diferença entre o tratamento dado a homens e mulheres quando o assunto é educação sexual. “A maioria das mulheres são capazes de sentir prazer, mas cresceram ouvindo coisas como ‘fecha a perna’, não toca ali. Elas não conseguem porque não sabem como funciona o seu próprio corpo. Além disso, levam esse prazer para o outro descobrir e não ela”, diz.

A especialista destaca ainda que as mulheres precisam de mais estímulos para chegar ao orgasmo e, como os homens chegam ao prazer mais facilmente, acabam não esperando a parceira para gozar e terminam o sexo. Quando isso ocorre, o ideal é que a mulher continue sendo estimulada de outras formas além da penetração. “O homem tem um tempo de latência menor. O melhor nesses casos é o autoconhecimento e diálogo entre os dois”, complementa.

Segundo as especialistas, é fundamental que mulheres comecem a se conhecer por meio da masturbação, seja com ou sem vibrador. “Testar os sex toys e outros produtos eróticos podem ajudar muito a mulher a se descobrir e conhecer o corpo dela”, ressalta Napolitano. O ideal é começar aos poucos e ver o que mais gosta no seu corpo e nas regiões que dão prazer.

Fatores emocionais também influenciam

Além de toda repressão imposta nas mulheres, demorar ou ter dificuldades em atingir o orgasmo pode estar relacionada ao emocional. “A gente costuma dizer que a libido está na cabeça e excitação no corpo. Se sua cabeça está focada em outro lugar, dificilmente você chegará ao orgasmo”, explica uroginecologista e especialista em Sexualidade Feminina pela Universidade de São Paulo (USP).

As inseguranças com o corpo, dificuldades no trabalho, brigas e até o excesso de pornografia podem contribuir para a demora do prazer. Por isso é importante trabalhar pontos que não lhe agradam junto de um profissional de saúde mental. Em casos de parceiros fixos, também pode ser indicada uma terapia de casal para identificar diversas problemáticas.

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