Como reorganizar a rotina da família na volta às aulas

Rita Cássia, Especial para o Yahoo!
Garanta uma transição tranquila das férias para a escola

Férias escolares, sinônimo de diversão. Tudo fica mais feliz, as regras dão lugar ao ‘pode tudo’ e não há mais horários para dormir, acordar, brincar ou assistir televisão. Mas quando as festas de fim de ano acabam já é momento de reorganizar a rotina da família e começar a se adaptar ao novo – ou velho – ritmo da volta às aulas. Na hora de reajustar os hábitos, todo cuidado é pouco para evitar a ansiedade das crianças e o estresse dos pais.
 
Pode parecer fácil retomar as responsabilidades após um longo período de descanso, mas não é. Pesquisa elaborada pela Isma (International Stress Management Association) no Brasil aponta que 23% dos brasileiros sofrem da chamada síndrome pós-férias, também conhecida por especialistas como depressão pós-férias. E os pequeninos fazem parte desta estatística, garante a pedagoga Maria Estela dos Anjos Rudini. “Especialmente se o pai ou a mãe apresentarem os sintomas”, adverte.
 
Especialista em Educação Infantil, a profissional afirma como é fácil identificar uma criança com este perfil no início do ano letivo. “Eles ficam tristes, irritados e sem motivação para aprender. Se não são capazes de se adaptarem à rotina da escola, o rendimento diminui”, aponta Maria, que há 23 anos atua com pequenos de diferentes classes sociais.
 
As palavras de ordem neste período de transição são organização e bom-senso, soma ideal para ajudar os pais e filhos a atravessarem esta fase obrigatória sem grandes dificuldades. Primeiramente, é necessário adaptar a agenda. “A criança tem que saber que quando as aulas começam, ela deve ter a responsabilidade de acordar cedo e separar a hora da brincadeira e da lição de casa. Este é o primeiro passo: deixá-la ciente de seu dever, mas gradativamente”, orienta.
 
Outra dica para organizar o dia a dia pós-férias é antecipar a compra dos materiais escolares. A pedagoga sugere que os pais estimulem os filhos a buscarem na internet e nas lojas quais as novidades. Este processo é positivo, avalia Maria Estela, faz a criança vivenciar o período volta às aulas. “Vale lembrar que tudo deve estar dentro das possibilidades da família, nada de material que não será utilizado só para agradar. Este é o momento de tornar ‘legal’ a atividade de escrever no caderno do personagem que ele gosta”.
 
Para diminuir a angústia, nada é tão importante quanto falar sobre o novo ano escolar e criar um cenário positivo. O ideal é comentar sobre os novos amiguinhos, os professores, as novas matérias e os livros didáticos. “A criança precisa encarar a vida escolar como uma obrigação e trabalhar de forma positiva com isso. Como nós, adultos, fazemos com o trabalho. Se não há como fugir, faça deste período o mais agradável possível”, recomenda a especialista.
 
Cuidando da alimentação
Independentemente da idade, voltar para a escola e ter uma alimentação regrada depois de passar um tempão comendo as guloseimas da vovó e da mamãe pode dificultar as coisas. A contadora Sandra Souza Alencar, 36 anos, passa por isso todos os anos com os dois filhos, Luiz Henrique Alencar, 9 anos, e o mais velho, Pedro Paulo Alencar, 12 anos. “Eles não se alimentam bem na escola porque dizem não gostar do lanche e isso me preocupa demais”.
 
Uma preocupação que fez a mãe sair do limite e colocar a saúde dos próprios filhos em risco. Com as lancheiras sempre cheias de doces e pães, os filhos acabaram engordando demais. “Estão fora do peso, mas no próximo ano vamos mudar tudo isso. Já levei os dois ao médico e ele orientou a balancear o lanche com frutas, sucos e evitar salgadinhos e excesso de chocolate”, conta Sandra, afirmando que levará à risca as orientações. “Não brincamos com coisas sérias”.
 
A alimentação saudável na transição das férias para a volta às aulas é questão que deve ser acompanhada de perto pelos pais. Outro passo que, além de organização, requer criatividade. “Não é todo dia que tenho tempo para fazer um lanche mais natural para os meninos, mas vou me reeducar e deixar as sugestões prontas no começo da semana. Assim, eles escolhem junto comigo o que comer no dia seguinte”.
 
Esta foi a maneira que a mãe dos irmãos Alencar encontrou para tornar a lancheira dos pequeninos mais colorida. Mas além de apelar à criatividade e pedir o envolvimento dos filhos nesta tarefa, ela precisou da ajuda de uma nutricionista. Este é o trabalho de Aline Ribeiro, ela atua no restaurante de um hotel, na capital paulista, e dá dicas importantes para a alimentação das crianças em fase escolar. Veja alguma delas:
 
- Primeiramente, lanche não substitui a refeição. A criança deve entender esta rotina e saber que o lanchinho deve ser consumido nos intervalos;
- Respeitar ao menos cinco refeições diárias: incluindo café da manhã, o almoço e o jantar;
- Deixar a criança ajudar a escolher os alimentos;
- Frutas, legumes e verduras são importantes em qualquer mesa, em todas as idades;
- As carnes magras são sempre ideias;
- É importante medir a quantidade de sal, açúcar, gordura em cada refeição;
- Um prato divertido não é problema. A criança pode criar figuras ou carinhas – dependendo da idade – desde que a ingestão do alimento não esteja condicionada ao prato sorridente.