Como reduzir o consumo de açúcar do seu filho em 2019

É importante que os pais façam substituições para reduzir a ingestão de açúcar das crianças [Foto: Getty]

Muitos de nós fizemos a resolução de Ano Novo de eliminar o açúcar da alimentação. Mas também é fundamental que os pais incluam seus filhos em seus esforços para alcançar este objetivo.

Novas estatísticas divulgadas pela Public Health England (PHE) revelam que a quantidade de açúcar que as crianças estão consumindo tornou-se um enorme problema: no Reino Unido, elas estão excedendo a ingestão máxima recomendada para um jovem de 18 anos, aos 10 anos de idade.

A pesquisa National Diet and Nutrition da PHE, baseada no consumo total de açúcar de crianças a partir dos dois anos, descobriu que elas estão ingerindo em média 52,2 gramas por dia.

A quantidade consumida atualmente pelas crianças britânicas equivale a 13 cubos de açúcar, oito vezes mais do que o recomendado. A ingestão máxima de açúcar indicada para crianças de 10 anos de idade varia entre 20 e 24 gramas por dia.

“Há uma preocupação em relação ao aumento dos índices de obesidade entre as crianças, um tema de extrema importância,” explica Helen Drake, terapeuta nutricional da Cytoplan.

“A ingestão de açúcar não apenas tem um impacto no peso, mas também afeta a saúde cognitiva, a imunidade e os níveis de energia, fundamentais para o crescimento e o desenvolvimento, bem como para a saúde e o bem-estar, a longo prazo”.

“Muitas crianças que mantêm um peso saudável estão consumindo açúcar demais,” ela alerta.

O que os pais podem fazer para reduzir a ingestão de açúcar de seus filhos?

Cuidado com os açúcares escondidos

“É comum ouvirmos que precisamos diminuir o consumo de açúcar, mas há muitas fontes dele, bem pouco óbvias e, portanto, podem agir como um verdadeiro campo minado para os pais quando estão planejando as compras e refeições da semana,” explica Helen Drake.

“Muitos alimentos processados, comidas congeladas e produtos ‘livres de’ certos componentes têm açúcares adicionados para melhorar o sabor e esconder o excesso de sal usado como conservante. Por isso, os alimentos não precisam ter um sabor doce para que contenham açúcar – a maioria dos pães de forma (ou pães fatiados) têm açúcar em sua composição!”

Saiba ler rótulos e embalagens

Helen diz que nem sempre é fácil identificar se um produto contém açúcar, já que o mesmo nem sempre é rotulado como “açúcar” na embalagem.

Alguns dos outros nomes utilizados são sacarose, glicose, frutose, lactose, extrato de malte/maltose, mel, xarope de milho ou de arroz, extrato de arroz.

Cuidado com os cereais matinais, pães e massas

“Carboidratos altamente refinados ou processados, como o macarrão, o pão branco e o arroz branco, são digeridos e absorvidos tão rapidamente pelo corpo que o efeito de ingeri-los é muito semelhante ao observado ao consumir o açúcar em si,” explica Helen.

Alimentos comuns nas dietas das crianças que contêm altas quantidades de açúcar ou carboidratos refinados são:

  • Cereais matinais
  • Refrigerantes e sucos industrializados
  • Barras de cereal
  • Iogurtes de frutas
  • Bolos/biscoitos/confeitaria
  • Pizza
  • Pão/macarrão/arroz branco

Helen sugere substituí-los por alimentos naturais, que contém poucos açúcares e carboidratos.

“Frutas e vegetais frescos, proteínas magras e gorduras saudáveis podem ajudar automaticamente a reduzir a ingestão de açúcar, além de estabilizar e regular os níveis de açúcar no sangue,” ela explica.

Novas estatísticas revelaram que as crianças estão consumindo quantidades alarmantes de açúcar [Foto: Getty]

Substitua o açúcar por escolhas mais saudáveis

  • Sirva pepino, cenoura ou pimentão com húmus como lanche
  • Rale cenoura, abobrinha e cebola para adicionar às sopas, ensopados e molhos, aumentando assim a ingestão de vegetais
  • Ofereça frutas frescas com castanhas, sementes ou pastas de oleaginosas como lanche
  • Vitaminas caseiras feitas com leite de coco como base (evite sucos de fruta), com frutas frescas e sementes. Quantidades pequenas de abacate também funcionam bem, assim como vegetais como espinafre e pepino
  • Experimente barrinhas de cereais com teor reduzido de açúcar, como as bounce balls ou 9 bars
  • Substitua o macarrão refinado pelo integral e o arroz branco pelo integral
  • Substitua refrigerantes por água com frutas frescas como morango, kiwi, limão ou melancia. A água com gás também pode ser consumida esporadicamente
  • Substitua o chocolate branco ou ao leite pela versão 70% cacau
  • Substitua os cereais por flocos de aveia, panquecas de trigo sarraceno, ovos, omelete, torrada integral com pastas de oleaginosas
  • Substitua os biscoitos por frutas frescas e barrinhas de castanhas; elas ainda são açucaradas, mas são uma opção melhor
  • Evite alimentos processados e comida congelada e prepare suas próprias refeições. As crianças adoram fazer pizza em casa
  • Mantenha petiscos saudáveis à disposição para evitar as opções ricas em açúcar
  • Não corte o açúcar da noite para o dia. Não há problema em consumi-lo esporadicamente, mas não todos os dias

A obesidade infantil continua sendo um problema significativo no Reino Unido

O tópico do açúcar e da obesidade infantil tem causado muita controvérsia ultimamente.

Números mais recentes mostram que a alimentação pouco saudável e o sedentarismo fazem com que um em cada três alunos esteja acima do peso ou seja obeso quando termina a escola primária no Reino Unido.

Outras estatísticas divulgadas no começo deste ano mostram que uma em cada 25 crianças com 10-11 anos é severamente obesa na Inglaterra.

Medidas de peso e altura indicam que o número de crianças classificadas como “gravemente acima do peso” aumentou de 15 mil no começo da vida escolar para 22 mil no último ano da escola primária.

Os dados foram coletados como parte dos números da Public Health England e foram analisados pela The Local Government Association (LGA).

Em janeiro do ano passado a Public Health England incentivou os pais a contar as calorias presentes nos lanches de seus filhos.

Por ano, as crianças britânicas consomem quase 400 biscoitos, mais de 120 bolos, 100 doces, 70 barras de chocolate e 70 sorvetes, juntamente com mais de 150 unidades de sucos industrializados ou refrigerantes.

Os números alarmantes levaram o sistema de saúde britânico a pedir que os pais sejam mais duros em relação ao que oferecem aos filhos entre as refeições.

Em agosto também foi revelado que os pais se sentem culpados por causa do que colocam nas lancheiras de seus filhos.

Uma pesquisa do YouGov para a instituição Action for Children revelou que o fator mais importante na escolha dos pais, ao incluir algo na lancheira de seus filhos, é se a criança vai comer aquele alimento específico, em vez de se preocuparem se ele é saudável.

Em julho, especialistas revelaram que a crise de obesidade britânica pode estar começando no nascimento, e alguns deles sugerem que até três quartos dos bebês estão comendo demais.

Marie Claire Dorking