Como não investir em 2020

É impossível prever as oscilações do mercado financeiro, mas é possível controlar nossas ações atitudes diante delas

Todo fim de ano, eu leio por aí, como também sou questionado a respeito, sobre quais as melhores ações para investir no próximo ano, quais são os mercados em ascensão, o que esperar da economia, etc. Fazem parte do comportamento humano essas análises dos ciclos. E também essa curiosidade com o futuro, como se pudéssemos antecipar algo. O que acontece é que, no mercado de capitais, não existe previsão do futuro. Mas podemos adaptar nosso comportamento de investidor em relação a essa realidade.

Já imaginou se conseguíssemos saber quais as ações tendem a se valorizar nos próximos meses? A quantidade de pessoas buscando se dar bem na Bolsa de Valores poderia até virar um problema. Se nem de longe conseguimos controlar como será o desempenho de ativos ou da Bolsa como um todo, nós conseguimos ter controle sobre nosso comportamento diante dessas variações. Com o ano se iniciando, eu gostaria de falar um pouco sobre algumas atitudes que os investidores não deveriam tomar em 2020, mesmo que surjam propostas otimistas e exista uma euforia em torno do que pode vir a ser um ano positivo.

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Da mesma forma que as crises vão e vem, os momentos de oscilação da Bolsa também são naturais. O problema é que muitas pessoas só se sentem seguras para comprar ativos quando o mercado está em alta. Por outro lado, também é comum que as mesmas se desesperem e vendam na baixa, numa reação de pânico. Os bons investidores seguem o caminho contrário. Por isso, o caminho é: não se deixe levar pelas variações de humor do mercado, tenha suas convicções e tome atitudes baseadas nelas, não apenas no cenário.

Outro comportamento nocivo muito comum que vem acompanhado do otimismo de começo de ano é a grande expectativa de retornos que o mercado financeiro pode proporcionar. Tem gente que começa hoje e pensa que vai ficar rico da noite para o dia. Não é por aí. O excesso de confiança também pode atrapalhar quando o investidor acredita ser mais inteligente e capacitado que os outros. Essa crença faz com que ele venda e compre os seus ativos com mais rapidez. Só o ato de movimentar muito a sua carteira acaba sendo custoso por si só e impacta no seu retorno final.

No meio da jornada financeira, é comum que o investidor se esqueça que sua carteira é como um portfólio e deve ser avaliada dessa forma. A diversificação existe exatamente para que você se proteja quando algum ativo estiver “em baixa”. O desempenho deve ser avaliado pelo portfólio como um todo, pelo seu retorno geral, não em cada ativo individualmente. Evite vendê-los apenas porque caíram. Faça uma avaliação mais detalhada e só tome uma atitude se concluir que a empresa perdeu pontos nos critérios que você acha relevante para definição do seu valor intrínseco e, consequentemente, a atratividade.

Não sei se o você reparou, mas a maioria das atitudes que citei não tem relação direta com alguma data ou momento específico. Isso porque, como já comentei muitas vezes aqui, o sucesso dos investimentos não está ligado a um “segredo” ou um “marco”, mas na paciência, na constância, no longo prazo. Não é uma virada de ano que vai fazer a diferença em sua estratégia, mas toda uma história de boas escolhas ao longo de sua jornada financeira.