Fiz 30 anos! Como lidar com as primeiras rugas?

Aline Takashima
·6 minuto de leitura
Studio portrait of woman with freckles
À medida que os 30 anos chegam, a pele revela os primeiros sinais de uma vida bem vivida. Foto: Getty Images

De repente, a pele não tem o mesmo frescor dos 20 e poucos anos. E as primeiras rugas são reconhecidas com nomes inusitados como "bigode chinês", "pés de galinha" e "código de barras". À medida que os 30 anos chegam, a pele revela os primeiros sinais de uma vida bem vivida. Nem sempre bem aceitos pela mulher brasileira.

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"A beleza é um balizador do que é ser mulher, sobretudo para a mulher brasileira'', sintetiza Joana de Vilhena Novaes, psicanalista e coordenadora do Núcleo das Doenças da Beleza da PUC-Rio. Não é de se espantar que o Brasil lidere o número de cirurgias plásticas no mundo, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps, na sigla em inglês).

Em 2018, foram realizados no Brasil mais de 1 milhão de cirurgias plásticas e quase 970 mil procedimentos estéticos não cirúrgicos. A mesma pesquisa revela que, em todos os 105 países avaliados, 87,4% dos pacientes são mulheres. Há uma razão por que elas são as que mais se submetem a cortes com bisturi e injeções. Enquanto o homem é julgado em relação à virilidade, força e poder, a mulher é avaliada pela sexualidade, comportamento e aparência, explica Joana. "Xingamento para uma mulher é chamá-la de feia, piranha, gorda e velha."

Diante deste cenário, os procedimentos estéticos são os vilões? Joana diz que não. "Eu tenho 43 anos e posso muito bem fazer uso de tratamentos que estimulem o colágeno e passar cremes. No entanto, eu espero estar bem para uma mulher da minha idade. Não aparentar ter 18 anos", defende. Ela dá outro exemplo: "Eu posso colocar silicone. Mas não para salvar o meu casamento. Ai eu vou me frustrar". É por isso que, autoconhecimento e pensamento crítico são fundamentais.

Aceita que dói menos

No último Carnaval antes de completar 30 anos, a administradora Daniela Bertoldo curtia a festa nas ruas do Rio de Janeiro. Naquele dia, ela tirou uma foto com uma fantasia inspirada na vilã da Disney, Malévola, com um sorriso largo no rosto. Mas, para Daniela, a imagem revelou mais do que felicidade. "Foi aí que eu percebi que estava com muitas rugas. Só que foi um dia muito legal então eu nem liguei muito. Até postei a foto no Instagram", conta. Decidiu, então, se presentear com um tratamento de Botox quando completasse 30 anos, em julho deste ano. Daniela aplicou a toxina na testa, ao redor dos olhos e no meio da sobrancelha.

A técnica suaviza as linhas de expressão. "Diminui a intensidade das contrações dos músculos e evita rugas mais profundas que são difíceis de serem tratadas", explica a dermatologista Daniela Alvarenga. É possível atenuar o envelhecimento cutâneo, mas fato é que o envelhecimento chega para todos.

Por volta dos 30 anos se intensifica a diminuição das fibras de colágeno, uma proteína responsável pela elasticidade e resistência da pele. "A partir dessa idade, acontece uma diminuição média de 1% da produção de colágeno por ano. E se inicia a flacidez dos músculos e dos ligamentos da face", explica a médica.

Por mais tentador que seja, a obsessão pela juventude eterna é uma luta perdida. Ainda mais sabendo que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os brasileiros vivem quase 10 anos a mais hoje do que em 1991, ano em que os jovens adultos de quase 30 anos nasceram. O que significa que provavelmente ainda vamos viver por muitos anos.

É por isso que a dermatologista Daniela defende a beleza natural, nada que descaracterize o paciente. "Acredito em um conceito de beleza que a gente não transforma. Existem características genéticas e vários tipos de beleza. A gente pode elevar os pontos fortes e melhorar algum ponto do corpo que a paciente não goste tanto. Mas temos que nos preocupar com a melhor versão de nós mesmas."

O básico do básico

Antes de usar cremes, tratamentos com lasers, preenchimentos e tecnologias de ponta, é preciso começar pelo básico, ou seja, ter um estilo de vida saudável. "Os tratamentos têm o efeito desejado se a paciente tiver uma rotina regrada. Cuidar da alimentação, fazer uma atividade física para liberação de alguns hormônios e estar com o sono em dia", explica a dermatologista Daniela Alvarenga.

Para a nutricionista Anauã Franco, é importante evitar o excesso de açúcar e bebida alcoólica. Aumentar o consumo de alimentos antioxidantes para retardar o envelhecimento cutâneo. E consumir alimentos com ômega-3 ."Os antioxidantes estão presentes nas frutas, verduras, chás e especiarias. O ômega-3 é encontrado na farinha de linhaça, farinha de chia e em peixes como atum, sardinha e salmão", explica.

Beber água também é importante. "O corpo humano é 60% água e o sangue 90% água. A água ajuda a eliminar as toxinas do nosso organismo, previne a acne e melhora a hidratação e elasticidade da pele. Além disso, também reduz o inchaço no rosto", conta. É certo que a saúde da pele começa de dentro para fora. Mas os tratamentos na sua superfície também importam.

Segundo Alvarenga, por volta dos 30 anos a paciente tem que utilizar um sabonete para o seu tipo de pele. "Se for uma pele mais oleosa, é bom utilizar uma loção tônica mais adstringente. Usar umas duas vezes por semana para uma limpeza mais profunda." Ela também gosta da vitamina C para aumentar o viço e a luminosidade da pele. O ácido hialurônico para hidratação e lentificação da formação das rugas finas. O retinol para renovação das células. E, claro, o filtro solar.

Daniela Alvarenga olha para o futuro. Adepta da cultura da prevenção para um envelhecimento saudável da pele, a dermatologista analisa e pensa nos próximos 5 e 10 anos de cada paciente. "Tudo o que a gente investe, a gente colhe mais pra frente." O sucesso do tratamento, segundo ela, é a relação que estabelece com o paciente. "O conceito de beleza precisa ser compatível entre médico e paciente." E, para ela, beleza é muito diferente de perfeição.

"Eu me preocupo com essa régua alta que as mídias sociais e a televisão impõe de um certa maneira para as pessoas. Eu sempre digo que é importante a gente estar com uma cabeça boa, estar bem com a gente mesma. A vaidade na medida certa gera autoestima e melhora diversos aspectos que são importantes como relacionamento amoroso, trabalho e relação social com os amigos."

A administradora Daniela Bertoldo concorda com a médica. "Eu acho que a gente se aceita mais quando amadurece. Com o tempo a gente aprende a identificar o que nos faz bem e o que a gente faz pelos outros. Apesar dos meus "pés de galinha" eu nunca me senti tão bem comigo mesma."

Afinal, cada pessoa é resultado da sua própria história. "A nossa história está exposta na superfície do corpo: as perdas que tivemos, as conquistas, as alegrias, as agruras e os acertos", defende a psicanalista Joana de Vilhena Novaes. "E a história só acontece com a passagem do tempo. Então, sejamos testemunhas e deixemos que os outros sejam testemunhas da nossa história."

Bom senso é a chave para uma relação boa consigo mesma. "Essas práticas cosmetológicas podem ser maravilhosas contando que eu não queira o meu apagamento completo", explica a psicanalista. "Talvez eu não precise ter uma ferida exposta sangrando no rosto. Mas eu posso escolher o quanto dessas feridas e da minha história eu quero revelar para o mundo sem vergonha e constrangimento." E sintetiza: "As nossas rugas são um triunfo e não uma derrota."

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