Como foi o 1º dia do Rock in Rio 2022, com Iron Maiden, Living Colour e Sepultura

RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL, 02-09-2022: Show da banda Living Colour, no palco Sunset, durante o primeiro dia do primeiro final de semana do festival Rock in Rio, no Parque Olímpido, na zona oeste do Rio de Janeiro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
RIO DE JANEIRO, RJ, BRASIL, 02-09-2022: Show da banda Living Colour, no palco Sunset, durante o primeiro dia do primeiro final de semana do festival Rock in Rio, no Parque Olímpido, na zona oeste do Rio de Janeiro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Munhequeiras, estampas em xadrez, meias arrastão, calças rasgadas, vestidos de veludo e roupas de couro, além das incontáveis camisetas preta de banda debaixo do sol carioca de 31 graus, marcaram a sexta-feira (2), o primeiro dia do Rock in Rio, voltado ao metal.

Embora o destaque do dia, a banda britânica Iron Maiden, tenha feito um show mais despolitizado, foi a temperatura do noticiário que marcou a maioria das apresentações.

O grupo punk Ratos de Porão, por exemplo, homenageou o MST, sob gritos, vindos do público, contra Jair Bolsonaro. Os ataques ao presidente já tinham sido ouvidos antes, quando o Sepultura subiu ao palco. Já os americanos do Living Colour dedicaram a apresentação à vereadora Marielle Franco e pediram que ninguém deixasse de ir às urnas.

Abrindo as apresentações do palco Mundo, às 17h25, a maior banda nacional de heavy metal, o Sepultura, se reuniu ao lado da Orquestra Sinfônica Brasileira para um show marcado por números de Beethoven e de Vivaldi.

Foi uma apresentação diferente da que o grupo está acostumado, e a resposta do público metaleiro foi maior nos hits de sempre, como "Refuse / Resist", também incrementada pela orquestra.

O vocalista, Andreas Kisser, comemorou o fim da pandemia. "Que sentimento fantástico estar aqui com vocês depois dessa pandemia, depois de tudo o que aconteceu."

A união entre heavy metal e música erudita chegou ao auge quando revezaram solos em meio a uma sessão rítmica que incluiu triângulo e atabaques.

Depois do Sepultura, foi a vez da francesa de death metal Gojira subir ao palco. O grupo fez um discurso que pedia a defesa da Floresta Amazônica.

Já no palco Supernova, os paulistas do Ratos e Porão prestaram um tributo ao MST. Foram os fãs que puxaram o coro de "ei, Bolsonaro, vai tomar no c....", mas o grupo estimulou a plateia com sons instrumentais e um vocal em sincronia com os gritos. O vocalista João Gordo fez uma dancinha.

Mas, sem dúvidas, o show mais politizado foi o do Living Colour, no palco Sunset. A banda nova-iorquina, que tocou depois das 18h, emendou as canções "Type" e "Time's Up". Foi então que o vocalista, Corey Glover, mandou a direita às favas e o público respondeu com ataques ao candidato à reeleição.

Num dia dedicado ao heavy metal, das camisetas pretas e pouco suingue, a banda americana mostrou um rock ao mesmo tempo pesado e dançante. Até no jeito de se vestir eles destoaram das outras atrações. Glover estava inteiro de branco, com as tranças vermelhas, enquanto o guitarrista Vernon Reid trajava uma vestimenta no estilo caubói.

Logo em seguida, o grupo Bullet for My Valentine subiu ao palco Sunset e tocou o som mais contemporâneo do dia. A plateia, que fez bate-cabeças, foi grande, apesar da concorrência com o Iron Maiden, que àquela hora já se preparava para entrar.

Principal atração da noite, a banda britânica, que tocou no Rock in Rio em sua primeira edição, em 1985, começou com uma apresentação morna, teve problemas técnicos de som baixo, mas decolou na parte final. A apresentação deste ano, aliás, foi da mesma turnê que o Iron Maiden trouxe em 2019 para o festival, "Legacy of the Beast", mas agora o setlist foi incrementado com canções de "Senjutsu", álbum que o grupo lançou no ano passado.

A plateia puxou gritos de "aumenta o som" e até vaiou o volume baixo, algo imperceptível para a banda no palco. As reclamações continuaram em "Revelations", "Blood Brothers", "Sign of the Cross" e "Flight of Icarus", quando o som ficou um pouco mais alto.

Em "Fear of the Dark", clássico dos anos 1990, os gritos do público já eram mais altos do que o som do palco. O vocalista, Bruce Dickinson, cantou a música segurando uma luz verde, e o público acompanhava com as vozes os fraseados na guitarra, como é tradição nos shows do Iron Maiden.

A plateia já estava ganha quando a banda puxou "Hallowed Be Thy Name" e "The Number of the Beast", hits que posicionaram o grupo como um dos maiores nomes da história do gênero. Na canção "Iron Maiden", a mascote monstrenga Eddie surgiu gigante ao fundo do palco com o seu rosto de caveira.

Sempre saudado por gritos entre as performances, o Iron Maiden tocou ainda "The Clansman" e "Run to the Hills" antes de o público fazer tímidas manifestações políticas.

Parte da plateia xingou Bolsonaro, mas houve quem também vaiasse o coro com gritos de "mito". Os gestos não chegaram a ter grandes proporções, mas foram suficientes para que ao show destoasse das outras apresentações, que tiveram manifestações amplamente contrárias ao presidente da República.

O Iron Maiden ainda retornou ao palco para encerrar com "Aces High". A última música, aliás, foi tocada com a banda embaixo da réplica de um avião da Segunda Guerra, assim como no show de 2019.

O grupo de metal progressivo Dream Theater fechou a noite quando o evento já estava esvaziando depois da apresentação do Iron Maiden.