Como é terminar um relacionamento a três? Relatos te farão entender

Em filme, sem terceira pessoa relacionamento entre casal não se sustenta (Foto: Reprodução)

Por Elisa Soupin (@faleparaelisa)

Namorar com duas pessoas e fazer parte de um trisal tem suas peculiaridades. Inclusive na hora de colocar um ponto final no relacionamento.

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Há casos em que um casal permanece e um dos membros se vai, outros em que há um término entre todas as partes, mas pode ser também que uma das partes seja substituída.

Para entender melhor esses “processos”, Yahoo! conversou com três pessoas em diferentes posições dentro de um trisal, que contam o que pesou na hora do fim. Spoiler: muitos dos motivos podem acontecer em qualquer relação, a dois, a três ou a dez.

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Como esse tema ainda é um grande tabu, a pedido dos entrevistados, os nomes nessa matéria foram trocados para preservar a privacidade de todos os envolvidos.

Paixão fulminante, ruptura e climão

"Namoro há seis anos o Rafael* e a gente já tinha ficado com outras pessoas juntos quando, ano passado, em uma festa, ficamos com a Joana, e foi incrível.

Começamos a nos relacionar frequentemente com ela e, durante meses, viramos um trio, fazíamos tudo juntos. Eu fui apaixonada por ela, acho que ele menos. E ela foi apaixonada pela gente. Vivemos uma coisa linda, intensa e forte durante sete meses.

Depois, ela começou a não nos procurar e nem responder com tanta frequência, mas sem dizer o porquê. Eu e ele ficamos abaladíssimos. Ao mesmo tempo, a gente não queria nem se sentia no direito de interferir demais na vida dela.

Um dia, ela foi lá para casa e disse que estava ficando com um cara, disse que nos amava e queria continuar com a gente e perguntou se era um problema ela ficar com ele. Eu disse que não, mas confesso que senti ciúmes, o que é conflituoso diante de toda essa situação. Ela contou que explicou para esse cara a situação que tínhamos enquanto trio, e que ele não aceitou bem.

O cara disse que tudo bem se ela ficasse comigo, mas não com o Rafael. Uma postura super machista. Eu falei que era um absurdo, me exaltei. Fim da história: ela se afastou da gente e começou a namorar esse cara, sem dar um ponto final de fato. No final das contas, eu acredito que ela não teve coragem de assumir para si própria uma paixão, um amor e um relacionamento com um casal. Era mais fácil estar em uma relação normativa para os amigos, a família e as pessoas. Não a culpo nem julgo. Até hoje quando a gente se encontra, fica um climão, mal resolvido. É até difícil falar sobre isso. Minha relação com o Rafael ficou mais forte e não descarto que role uma próxima vez, com outra pessoa", conta a atriz Marília, de 31 anos.

Ciúme, briga feia e cada um para o seu lado

"Minha história foi Rodriguiana. Acho que já entrei em um trisal da pior forma possível, porque meu relacionamento já vinha se esgarçando. Eu fui casado nove anos com o Diego, e vivemos uma relação de cumplicidade e companheirismo, mas é até um clichê: com o tempo, o erotismo foi se esvaziando e o tesão se perdeu.

Virou uma amizade muito forte. A gente resolveu não abrir a relação, mas sair com outras pessoas em uma tentativa de resgatar a libido, sempre juntos e nunca mais de uma vez. Eram as nossas regras. No ano passado, a gente conheceu o Fabio em um aplicativo, transamos os três, e com ele foi diferente.

O Diego queria vê-lo de novo e eu disse que achava que o ideal era acabar a história ali. Mas o Fábio também queria, parecia muito interessado em nós dois, e, quando percebemos, estávamos vendo o Fábio com muita frequência.

Comemoramos os três o dia dos namorados, compramos uma cama imensa, mergulhamos de cabeça. E foi bonito durante alguns meses. Mas aí, o Fabio começou a dar sinais de que o interesse dele era maior por uma das partes: eu, no caso. Fui ficando muito angustiado. Ele queria que eu fizesse uma escolha entre o meu ex-companheiro e ele. Enquanto isso, o Diego percebia sinais de que a distribuição dos afetos não estava equilibrada e via que estava ficando de fora.

Foi um processo muito difícil e doloroso. Houve um episódio muito tenso de uma briga na rua entre nós três e, aí, foi meu ex quem me mandou escolher. Eu queria continuar com os dois. O que o Fabio me dava era uma vida sexual que eu não tinha há muito tempo. Tinha um envolvimento, um erotismo muito forte. Eu pedi um tempo para o meu ex e fui para os braços do Fabio, fomos ficando direto, mas eu sempre nutri a expectativa de restabelecer o trisal. Só que, quando eu vi, meu ex já tinha seguido a vida dele, o que me apavorou.

E a minha relação com o Fabio foi permeada por culpa, com o tempo, eu me desencantei, ele era muito impulsivo e já queria casar e morar junto. Acho que nosso envolvimento vinha muito do fato de ser um amor quase proibido, em que havia outra pessoa que ele precisava agradar para estar comigo. Esse elemento da dificuldade virou um combustível para a relação. Quando viramos um casal comum, a coisa se banalizou. Começamos a brigar muito e ir e vir, até terminarmos.

Hoje, venho tentando me desconectar afetivamente de duas pessoas. Acho que inserir uma nova pessoa não deve ser uma tentativa de dar uma sobrevida para o relacionamento, não deu certo no meu caso. Ninguém ficou com ninguém", conta o historiador Rodrigo, de 31 anos.

Foto: Divulgação

Preconceito, fim e amizade duradoura

"Acho que três é o número perfeito. Conheci esse casal por meio de uma amiga, fomos para um puf e adorei eles. A conversa tinha zero conotação sexual.

A gente se divertiu como amigos. No começo teve uma afinidade enorme entre mim e a garota. Ficamos total amigas e era bom ficar com ela também, mesmo que eu entendesse que eu era só um acessório e ela jamais namoraria 'só comigo'. Depois comecei a ficar com ele também.

Entrei na relação sabendo que era só por diversão. A amizade foi se desenvolvendo mais rápido do que uma coisa romântica. Começamos a passar muito tempo juntos, viajar juntos, ter uma vida em trio real. Fiquei um ano exclusivamente namorando com eles.

Rolou um sentimento de amor e conexão. Ele, que tinha um pouco de ciúme no começo, começou a ficar de boa, porque a relação de todos era boa. Mas, como a gente estava passando muito tempo junto e transparecia carinho, as pessoas começaram a questionar. E isso era super incômodo porque eles são professores e essa exposição e o preconceito poderiam prejudicar de verdade a vida deles. Quando a gente viajava, por exemplo, falávamos que éramos primos para justificar o fato de dividirmos a barraca -- as pessoas perguntavam curiosas! Por conta disso, decidimos nos afastar, e, nesse período, conheci uma garota e terminei com eles.

Foi uma aventura divertida, leve e natural. Hoje, mantemos contato e somos muito amigos. Acho que a relação teria durado mais se não fosse o preconceito. A opinião das pessoas acaba contando muito, principalmente quando há carreiras públicas em jogo”, relata a bartender Isabela, de 29 anos.