Minhas férias nudista: "Descansei das preocupações com segurança"

O nu sem condenação

Por Rachel Krantz - Pop Sugar UK Love & Sex

Sou extremamente sortuda por ter feito muitas viagens cheias de aventura na minha vida, mas poucas delas me impactaram tanto quanto uma em que fiquei nua diante de pessoas completamente estranhas (sim, eu sei que isso soa esquisito). Já passei férias em resorts nudistas três vezes, o que significa que minha timidez praticamente não existe mais hoje em dia.

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É claro que cada resort nudista é diferente, assim como qualquer cultura ou experiência pessoal com uma determinada cultura é diferente. As minhas experiências foram em resorts com foco em ‘estilo de vida’, nos quais as roupas eram opcionais: o Hedonism II, na Jamaica, o Desire Resort, no México, e o Temptation Resort, também no México.

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Diferentemente de resorts sem o componente de ‘estilo de vida’, os hóspedes desses resorts incluem praticantes de swing, nudistas que não “brincam”, e aqueles que simplesmente querem se abrir aos outros, mas não ficam nus e nem praticam swing. O resultado é, na minha opinião, uma experiência única que respeita limites com uma consistência com a qual o mundo tem muito a aprender.

É uma pequena utopia na qual todo mundo é vulnerável, se sente incluído e aceito, e tem um interesse em manter a segurança daquele espaço.

Pode parecer irônico que um resort nudista transmita uma sensação de segurança, mas também faz sentido – quando não há tantas regras relacionadas à “decência”, as pessoas não se sentem tão tentadas a quebrá-las.

É uma pequena utopia na qual todo mundo é vulnerável, se sente incluído e aceito, e tem um interesse em manter a segurança daquele espaço. As pessoas que observam as outras de forma lasciva ou impõem sua vontade sobre os outros (na minha experiência) ou não existem, ou são rapidamente reprimidas, ou até expulsas. As únicas regras das quais eu me lembro no Hedonism e no Desire eram cobrir a região genital ao usar a academia e os restaurantes, e sempre respeitar os corpos, limites e o consentimento de cada um. Imagine que incrível se todos os âmbitos da nossa vida fossem assim! Ver o respeito e a liberdade sendo tratados como valores igualitários e simbióticos já vale o preço da estadia.

Isso é especialmente verdadeiro para mim, como mulher. Não apenas aprendemos a estar em guerra com nossos próprios corpos, mas também recebemos uma infinidade de mensagens confusas e problemáticas.

Somos incentivadas a usar roupas que nos tornem “sensuais”, mas ouvimos que se formos assediadas (ou algo pior), nossa falta de roupa ou nossa energia sexual são as culpadas.

Conforme eu me sentia segura e livre nos resorts nudistas, ficou claro para mim, mais do que nunca, que não há nada inerentemente perigoso em usar roupas sensuais – ou até em ficar totalmente nua em público. O verdadeiro perigo reside no fato de que as pessoas sentem ter direito sobre o seu corpo por causa destas expressões de liberdade.

Nos resorts nudistas, pude descansar completamente das preocupações com a minha segurança, ao mesmo tempo em que me senti mais livre do que nunca, sexualmente falando. Fazer coisas como andar por aí, nadar e tomar sol nua sem o medo de ser assediada (ou algo pior) permitiu que eu mergulhasse na influência potencial do meu corpo de uma maneira verdadeiramente profunda. Em geral, as pessoas preferem não encarar umas às outras, da mesma forma que fariam em um resort ou praia comum. Sim, algumas delas olham o seu corpo brevemente, mas assim como se estivessem olhando para o sol, sabem que não é aconselhável manter o olhar por muito tempo. Percebi que o poder sexual do meu corpo deveria ser sempre assim: totalmente sob o meu controle, uma força para ser conhecida apenas com a minha permissão.

Como falo abertamente sobre minhas férias em resorts nudistas, muitas pessoas me perguntam sobre timidez, ou falam frases como: “Eu adoraria fazer isso, mas odeio meu corpo e tenho medo”. Eu digo a elas que, depois de ter conversado com muitas pessoas de todos os tamanhos, idades, e com vários tipos de corpos, ao longo dos anos nestes resorts, todas parecem compartilhar o meu sentimento de que ficar nu na frente de estranhos é, provavelmente, uma das formas mais poderosas de combater a autoimagem corporal negativa.

Estar cercado por todos os tipos de pessoas nuas – velhas, novas, grandes, pequenas, com cirurgias plásticas, cicatrizes, etc. – é lindo e empoderador. Quando você vê tantos tipos de corpos nus, vê que todos eles são incríveis, mesmo com as suas “imperfeições”. Sem as roupas, você é apenas você mesmo, e é muito mais bonito por isso. Você se sente aceito e bem-vindo, pronto para relaxar da forma que quiser.

Nos resorts nudistas, eu pude descansar completamente das preocupações com a minha segurança, ao mesmo tempo em que me senti mais livre do que nunca, sexualmente falando.

É claro que a primeira vez em que você tira a roupa é um pouco assustadora, mas rapidamente tudo se torna natural, e quando você pensa no assunto, realmente é. Conforme a timidez e o medo diminuem, você se abre para o mundo, para o seu próprio corpo, e para as pessoas e a natureza ao seu redor. Para mim, foi mais fácil entender o que eu queria comer, quando eu precisava descansar, quando eu estava excitada – basicamente compreender todas as minhas funções naturais. Talvez seja por isso que os nudistas se autodenominam naturalistas. No final das férias fui embora sentindo que é “estranho” tratarmos certas partes do nosso corpo como proibidas, e que tenhamos que cobri-las com pedaços de tecido. Em resorts de nudismo, você remove as “folhas bíblicas” e volta a uma espécie de Jardim do Éden temporário. O seu corpo dá um suspiro de alívio.

O efeito, pelo menos para mim, foi duradouro. De volta ao agora estranho “mundo real”, comecei a dormir nua e priorizei a importância de estar nua comigo mesma em contextos nada sexuais. Percebi o quanto a maioria das minhas roupas eram desconfortáveis e fiz algumas mudanças; troquei meus sutiãs e passei a usar versões sem aro, e parei de usar tudo que não fosse tão confortável quanto uma segunda pele. Eu percebi que estar confortável com o seu próprio corpo é o que é realmente atraente. Eu vi isso nas pessoas que exibiam seus corpos perfeitos, supostamente cheios de imperfeições, com autoconfiança.

Só você sabe o que faz parte da sua sensação de desconforto confortável. No entanto, se você está em dúvida e quer a minha opinião, eu lhe dou: mesmo que apenas uma pequena parte de você tenha curiosidade sobre como é passar férias num resort nudista (ou até visitar uma praia nudista), lhe dou a maior força. Se você tiver a sorte e a liberdade (e os recursos) para continuar libertando o seu corpo e a sua mente, vale a pena experimentar. Na verdade, é um motivo para comemorar, com coragem.