Como conversar com as crianças sobre o coronavírus

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Os especialistas recomendam que você deve se informar sobre o coronavírus antes de conversar com crianças. (Getty Images)
Os especialistas recomendam que você deve se informar sobre o coronavírus antes de conversar com crianças. (Getty Images)

Como o medo em torno do surto de coronavírus parece ter aumentado um pouco, os pais estão cada vez mais precisando lidar com perguntas de crianças preocupadas com o assunto, que têm recebido informações de seus colegas de classe, da Internet e das pessoas que eles seguem no TikTok.

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De perguntas que vão desde se eles vão contrair o vírus até questionar se os seus avós podem morrer, e possivelmente esperar que a escola seja fechada pelo resto do ano, à medida que o vírus continua a se espalhar, os pais estão cada vez mais se perguntando como explicar a situação para os filhos pequenos sem assustá-los ao ponto de entrarem em pânico total.

Embora o risco dos jovens serem seriamente afetados pelo vírus pareça baixo, os rumores e notícias sensacionalistas podem rapidamente despertar preocupação.

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Histórias de mortes, supermercados sem estoque de comida e fechamento de escolas podem assustar.

Então, como os pais conversam com os filhos pequenos sobre o coronavírus e seus possíveis impactos? O Yahoo do Reino Unido consultou especialistas sobre como abordar o assunto e o que não dizer.

Não tente esconder informações

Embora seja tentador esconder os verdadeiros detalhes sobre o coronavírus quando se lida com crianças curiosas, a Dra. Zoi Nikiforidou, professor de Estudos da Primeira Infância na Universidade Hope em Liverpool, alerta que você pode acabar prejudicando o desenvolvimento e entendimento a longo prazo da criança.

“Você pode ficar tentado a contornar o problema, dizendo: 'Ah, você não precisa saber disso' para proteger os sentimentos e preocupações da criança”, diz ela.

"Mas você está fazendo julgamentos sobre o que eles podem ou não precisar saber, o que pode realmente ser prejudicial ao desenvolvimento cognitivo e à apreciação do que é arriscado ou não".

A Dra. Nikiforidou acredita que as crianças não devem ser mantidas em uma "bolha" - e você também não deve subestimar suas habilidades de raciocínio e compreensão.

Ela explica: "Goste ou não, as conversas sobre o Coronavírus continuarão em torno de seus filhos e, caso não aborde o assunto, você estará criando um terreno fértil para o medo e o mal-entendido".

As crianças podem ter acesso a informações erradas sobre o coronavírus com seus amigos ou na Internet. (Getty Images)
As crianças podem ter acesso a informações erradas sobre o coronavírus com seus amigos ou na Internet. (Getty Images)

Mantenha a calma e meça as palavras

De acordo com a Dra. Elena Touroni, psicóloga consultora e cofundadora da Clínica de Psicologia The Chelsea, é importante modelar uma resposta sem medo e fornecer informações de maneira prática.

Ela sugere que os pais comecem dizendo que o vírus sempre existiu e que não há o que temer.

"Muitas pessoas todos os anos sofrem de gripe e, embora seja importante tomar precauções (por exemplo, lavar as mãos regularmente), isso não é algo que possa prejudicá-las", diz ela.

Informe-se primeiro

Pode parecer óbvio, mas é importante que os pais se informem sobre o coronavírus antes de pensar em discutir sobre isso com os filhos.

"O objetivo de qualquer conversa sobre o coronavírus com uma criança é ajudá-la a se sentir preparada e educada - de maneira apropriada à idade - para ajudar a aliviar as preocupações", explica Burton Paul, especialista em saúde e autor de um livro importantíssimo chamado ‘Isso é sério? Como procurar informações de saúde na Internet’.

Ele recomenda que os pais gastem um tempinho pesquisando sobre o coronavírus (educando-se e informando-se) consultando primeiro os recursos mais confiáveis.

"Em todos os lugares fala-se sobre o coronavírus, as crianças estão expressando medo de que elas ou um membro da família contraíam o vírus", explica ele.

"Uma das coisas mais perigosas que poderia acontecer é que os pais passem informações erradas aos filhos sem perceber - e há muita informação errada por aí".

A Dra. Nikiforidou concorda que os pais devem recorrer a fontes confiáveis ​​de informações.

"Visite as páginas de informações do governo e órgãos de saúde e familiarize-se com os conselhos oficiais baseados em pesquisas - não apenas o conteúdo sensacionalista que você pode encontrar nas mídias sociais", diz ela.

Pergunte o que eles sabem

Descobrir o que seu filho já aprendeu sobre o coronavírus pode lhe dar uma orientação sobre como conduzir a conversa e quais conceitos errados você pode corrigir.

“Seu filho pode ter apenas cinco ou seis anos. Mas ele ou ela capta informações indiretamente, sejam trechos de coisas que ouvem no rádio, no carro ou através de segmentos de notícias ouvidos na TV ou em discussões com colegas na escola”, explica ao Dra. Nikiforidou.

“Eles podem não mencionar nada para você. Mas, internamente, eles podem estar tentando processar essas novas informações, o que também pode estar causando medo”.

Mantenha a conversa de forma simples

Ao discutir o assunto, é importante usar uma linguagem simples e permitir que as crianças façam perguntas para mostrar que elas estão sendo ouvidas.

“Tente não transmitir estresse ou ansiedade para a criança. Mas também não se sinta mal em compartilhar suas preocupações e aflições”, explica Dra. Nikiforidou.

"Tente usar linguagem positiva em vez de uma linguagem assustadora e autoritária".

A Dra. Nikiforidou também sugere envolver as crianças na discussão, e talvez na análise até um certo ponto.

"Pelo menos, deixe-os participar e faça com que sintam que sua pergunta é importante e tem mérito", acrescenta ela.

Os pais podem ficar tentados a encobrir o assunto, mas é importante discutir o coronavírus com as crianças. (Getty Images)
Os pais podem ficar tentados a encobrir o assunto, mas é importante discutir o coronavírus com as crianças. (Getty Images)

Pondere se você deve discutir o aspecto da morte

Segundo a Dra. Elena Touroni, se você deve ou não falar sobre o número de mortes depende da idade da criança e de sua própria natureza individual.

"É difícil para as crianças mais jovens entender as nuances, então eu evitaria mencionar as mortes", diz ela.

"Da mesma forma, se uma criança é mais velha e ansiosa, é importante não incutir nenhum sentimento adicional de medo".

Se você decidir contar, ela recomenda também mencionar o fato de que provavelmente a doença só resulta em fatalidade se uma pessoa já estiver doente ou tiver um sistema imunológico enfraquecido.

Ensine-lhes o básico sobre higiene

Dessa forma, você está conversando com uma criança sobre coisas que ela pode controlar, como jogar fora os lencinhos de papel e lavar as mãos adequadamente, em vez de falar sobre coisas que a criança não pode fazer.

"Siga as regras de lavar as mãos e incentive o hábito em casa, e especialmente em locais públicos", diz Burton Paul.

“Isso pode ajudar a explicar às crianças como o vírus se espalha e quais são os sintomas, mas tente incentivá-las a se sentirem seguras, educadas e informadas”.

"O principal conselho, porém, é ensiná-los a lavar as mãos de maneira adequada e regular".

Marie Claire Dorking

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