Como consegui ficar em terceiro lugar com uma omelete no 'Masterchef'

Foto: Divulgação/Band
Foto: Divulgação/Band

Para quem não leva jeito na cozinha receber um convite para participar do “Masterchef” é uma verdadeira piada. Sou dessas que queima pipoca, não frita um ovo direito, mas de vez em quando acerta no estrogonofe e se sente profissional só de fazer um arroz soltinho.

Receba novidades sobre o mundo dos famosos (e muito mais) no seu Whatsapp

Como é de se imaginar, nunca pensei na possibilidade de encarar Paola Carosella, Erick Jacquin e Henrique Fogaça como cozinheira. Sempre achei que seria uma heresia entregar um dos meus pratos, se é que podemos chamar assim, para os ícones do reality provar. Para mim, encontrar um deles só seria possível visitando seus respectivos restaurantes (o que não seria nada mau) ou marcando uma entrevista para o trabalho.

O fato é que tudo isso foi por água abaixo quando a Band me convidou para uma entrevista nem um pouco comum realizada na última terça-feira (19). A ideia era falar com os jurados e a apresentadora Ana Paula Padrão sobre a décima edição do programa, que agora será exibido aos domingos, às 20 horas — a estreia será no dia 24 de março. Até aí tudo estava perfeito. Porém, a equipe de comunicação da emissora fez uma proposta um pouco estranha na sequência.

Foto: Divulgação/Band
Foto: Divulgação/Band

Segundo eles, eu, essa jornalista que mal sabe fritar um ovo, teria de cozinhar concorrendo com outros colegas, como se fôssemos participantes do programa, para que os jurados dessem seus pitacos. Tremi na base, pensei que não tivesse ouvido direito, mas aceitei o desafio. Achei que daria para sobreviver fazendo qualquer prato e depois soltando a desculpa que a opção foi “desconstruir a receita original”. Será que colaria?

A chegada na Band

Foto: Divulgação/Band
Foto: Divulgação/Band

Ao entrar no estúdio, notei que muitos colegas estavam nervosos e fiquei mais tranquila. Achei que o vexame seria pior se todos estivessem calmos e soubessem cozinhar. Tivemos tempo para conhecer as bancadas e o mercado, que fica numa sala ao lado, onde os competidores fazem as compras necessárias durante as provas. Tudo ali dentro é pensado nos mínimos detalhes. É impressionante como existe tantos aparelhos e objetos usados por cozinheiros em um só lugar.

Após o reconhecimento do espaço, Ana Paula Padrão afirmou que a prova seria em dupla e sorteou números que indicariam nossos parceiros e bancadas. Quem encarou essa comigo foi o Vinícius Melo, repórter do Portal da Band, mas é importante frisar que está longe de ser um Masterchef. Nós ficamos na última bancada, recebemos aventais com o logo do programa e fomos surpreendidos ao abrir a caixa misteriosa. Dentro dela tinha muitos ingredientes: ovos, creme de leite, queijo, manteiga, frutas, cogumelos etc.

Mão na massa

Foto: Divulgação/Band
Foto: Divulgação/Band

Enquanto ainda pensávamos o que daria para fazer com tudo aquilo, a apresentadora disse que nos daria uma colher de chá com a receita. Erick Jacquin, um verdadeiro especialista em omeletes, resolveu nos ensinar a preparar uma omelete francesa. Depois da aula, o desafio foi reproduzir o que aprendemos em 30 minutos, que passaram voando com a contagem regressiva de Ana Paula Padrão.

“Já passaram cinco minutos”, “Metade da prova já passou”; “Falta pouco para acabar”, eram frases que ela dizia para acelerar o coração daqueles que nunca se imaginaram ali. Como no programa, Paola, Jacquin e Fogaça passavam nas bancadas perguntando como estávamos indo e olharam feio quando eu e meu colega falamos que faríamos vinagrete para o acompanhamento. “Não combina”, alertou Fogaça, que queria foco na preparação do prato principal.

Receita simples, mas complicada

Foto: Divulgação/Band
Foto: Divulgação/Band

A omelete francesa é bem difícil. Encontrar o ponto certo é complicado. Não é fazer uma espécie de panqueca e colocar recheio, como estamos acostumados no Brasil. O importante, segundo Jacquin, é deixar a “massa” homogênea.

Quem não desliga o fogo no tempo certo, por exemplo, acaba transformando a omelete em ovo mexido. Portanto, é preciso foco e concentração para ficar perfeito.

Na primeira tentativa, eu e Vinícius fizemos ovos mexidos. Com tempo de sobra, resolvemos aproveitar os outros ovos da caixa para fazer outra receita. Pensamos em ralar queijo parmesão e bater junto com os ovos, pois tínhamos a liberdade de colocar o que quiséssemos nos pratos e não queríamos levar algo tão simples.

Na segunda vez que preparamos, alcançamos um resultado mais próximo do esperado, mas aos nossos olhos muito longe do ideal. Partimos cogumelos e colocamos na frigideira para dourar com a manteiga e decoramos o prato. Agora, era só torcer!

Muita tensão

Foto: Divulgação/Band
Foto: Divulgação/Band

Ana Paula Padrão encerrou a prova e pediu para todos levantarem os braços, como é feito na atração. Quando olhamos para os lados, vimos pratos bonitos, com acompanhamentos cheirosos e bem decorados. Quem olhava para o nosso dava risada e eu só preparava o psicológico para ouvir que a omelete tinha ficado horrível.

Nossa dupla foi a última avaliada. Até lá, ouvimos que tinha omelete que ficou parecendo tijolo, gente que trocou sal por açúcar, colega que investiu mais no acompanhamento do que no prato principal mesmo depois de ouvir os conselhos de Fogaça. O que nós ouviríamos? Ali comecei a entender que participar de um programa como esse é mais difícil do que imaginava.

Foto: Divulgação/Band
Foto: Divulgação/Band

Finalmente, o resultado

Foto: Divulgação/Band
Foto: Divulgação/Band

Quando chegou vez da minha dupla, senti o quanto é tenso olhar nos olhos dos jurados. Nós sabíamos que a brincadeira não passaria na TV e nem corríamos o risco de eliminação, mas só de estar ali era impossível controlar aquele friozinho na barriga.

Jacquin foi o primeiro a fazer cara de surpresa e afirmou que o prato estava bonito. Achei que fosse ironia e perguntei se aquilo era sério, mas Paola confirmou que era verdade e ainda completou que pela cara, aquela poderia ser a melhor apresentação do dia. Ainda não acredito que isso foi real!

O chef pontuou os detalhes e elogiou a manteiga derretida em cima da omelete, como havia ensinado minutos antes da prova. Nunca imaginei que algo tão simples seria notado. Naquele momento, entendi que os jurados não têm o mesmo olhar de beleza. Eles não olham para o prato da forma que a gente olha. Paola, Jacquin e Fogaça enxergam a receita por trás do que é apresentado e procuram, da mesma forma que um repórter tem o faro apurado para encontrar notícias, detalhes que possam valorizar cada receita.

Foto: Divulgação/Band
Foto: Divulgação/Band

Quando os três provaram a omelete, percebi que eu e meu colega não ficaríamos em primeiro lugar por causa do queijo. Caprichamos, pensando que seria um arraso, mas o queijo infelizmente salgou a receita. Os cozinheiros lamentaram e eu saí da frente deles com a sensação de vitória, mesmo sabendo que não venceria, porque saquei que foi por pouco que eu e o Vinícius não ganhamos a disputa.

Mais tarde, os jurados disseram que ficamos entre os três melhores. Chamamos atenção, mais uma vez, pelos detalhes. E foi assim, entendendo que menos é mais, que eu vivi um dia de “Masterchef”. Agora, graças aos jurados, já posso encarar a cozinha com outro olhar. No meu caso, o terceiro lugar no pódio teve gostinho de primeiro. Valeu, Band, pela experiência maluca!

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos