Estresse: 2 dicas precisas que vão ajudar você a ter dias mais leves

Marcela De Mingo
·7 minuto de leitura
Conceptual of woman working her jobs on laptop overtime.
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O trabalho começa às 08h, mas não tem hora para acabar. As tarefas de casa também não, ainda mais se você tiver filhos. Fazer almoço, lavar a louça e voltar a tempo para aquela reunião no começo da tarde. Com os horários confusos, você ainda precisa tentar colocar um exercício físico e uma pausa ou outra na correria - e termina o dia, normalmente, com uma taça de vinho na mão e a mais recente série da Netflix na outra. Some a esse mix todas as notícias relacionadas à política, à economia e à própria pandemia de coronavírus. Você com certeza se sente estressado só de ler esse parágrafo.

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Quando o assunto é estresse, a situação não anda boa para os brasileiros. Um estudo feito há alguns anos pelo International Stress Management Association revelou que o Brasil estava em segundo lugar no ranking de países mais estressados. O primeiro, à época, era o Japão.

Dentre as queixas principais daqui, o trabalho era a principal: jornadas longas, sobrecarga e tensão no próprio ambiente de trabalho. Agora, tiramos o escritório de muitos, mas acrescentamos uma instabilidade e incerteza com o futuro que aumentam, e muito, o nível de estresse. Tanto que a Organização Mundial de Saúde liberou uma cartilha de cuidados com a saúde mental durante esse período, temendo um boom de casos de depressão e burnout em todo o mundo.

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Os sintomas podem passar despercebidos, mas são inegáveis sob um olhar mais atento: cansaço além do normal, problemas para dormir, irritabilidade, ranger dos dentes, dores de cabeça, aumento de peso… A lista é longa, e os efeitos no corpo, inclusive a longo prazo, também. Por isso, buscar formas de aliviar o estresse e equilibrar a saúde, tanto do corpo, quanto da mente, se torna necessário para passar esse momento de forma tranquila.

O estresse é uma resposta do corpo ao perigo. Em tempos pré-históricos, foi o que gerou um condicionamento chamado de “luta ou fuga": diante de um grande perigo (como um leão) você tinha a alternativa de ou lutar contra essa ameaça ou fugir dela - ou, ainda, em uma terceira possibilidade, se ver paralisado, sem a capacidade de agir. Em qualquer uma das opções, no entanto, a ideia principal é a sobrevivência.

Hoje em dia não temos mais leões perseguindo as pessoas nas ruas, mas o nosso cérebro, ainda assim, funciona em estado de atenção. Qualquer que seja o seu contexto, a ideia de que é necessário sobreviver permeia os seus dias, e ela se acentua diante de qualquer tipo de ameaça, como a possibilidade de ficar sem emprego. Como contornar isso, então? Vamos lá:

2 dicas precisas para aliviar o estresse:

1.Comece a se planejar

Para Nicole Vendramini, co-fundadora da plataforma de bem-estar Holistix, o primeiro passo para aliviar essa sensação é entender que o seu cérebro não gosta de surpresas. "O inesperado, do ponto de vista de corpo e rotina, demanda muito mais energia e é muito desgastante. Esse desgaste é um mini-perigo", explica ela.

Ou seja, esse é o momento de se apoiar no planejamento. Para o ser humano contemporâneo, parece que o inesperado é um grande acidente de carro, uma questão de saúde que surge “do nada", uma apresentação de última hora, mas a verdade é que não saber o que você vai almoçar em duas horas, por exemplo, já é considerado inesperado o suficiente para colocar o seu corpo e a sua mente em estado de estresse.

"Quando a gente estabelece uma rotina ou se organiza com antecedência, a gente já consegue respirar e fazer o cérebro entender que, calma, a gente está sob controle, está tudo bem, e, se acontecer alguma coisa inesperada, você vai ter energia para lidar com essa situação", diz ela.

Parece extremo pensar no começo da semana no que você vai comer todos os dias, ou até os horários exatos das suas atividades do dia (inclusive de trabalho). É claro que cada rotina é uma rotina, e você precisa adaptar o seu dia a dia às suas necessidades. Mas o principal, para Nicole, é ter uma rotina pré-estabelecida de hábitos que repita com consistência. A diferença será perceptível.

2.Aprenda sobre o ciclo circadiano

O seu corpo é mais parecido com uma planta do que você imagina. Isso significa que, assim como as verdinhas, o sol tem um papel importantíssimo no bom funcionamento do corpo. É o chamado ciclo circadiano, ou relógio biológico, e que está 100% alinhado com a natureza.

"Todos esses ciclos são regidos pelo ciclo do sol. Tem muita gente que fala 'Eu sou uma pessoa noturna', e até pode ser, mas muito provavelmente o seu relógio biológico está enrolado porque a tecnologia e a eletricidade fazem com que a gente se confunda", continua Nicole. "É uma energia falsa que vem de uma luz do sol que não é de verdade. A luz afeta o nosso reloginho e, se a gente fosse pensar em estresse, isso significa que a gente deveria alinhar as nossas atividades com o que deveria ser feito ao longo desse dia."

Em termos práticos, o ideal, e o que prega o ayurveda, uma vertente médica milenar que surgiu na Índia, é que você acompanhe o ciclo do sol para as suas atividades. O dia começa com o seu nascer e termina quando ele se põe.

"Ver o nascer do sol e estar alinhada com isso é uma das coisas mais importantes", diz. "Significa que a partir do momento que esse sol começar a aparecer você está pronto para tudo? Não, significa que você vai estar aquecendo as turbinas até o horário de meio-dia."

Nessa hora, você não precisa engajar em várias atividades diferentes e já começar no 220. Pode, ao contrário, usá-la para alongar o corpo, fazer um check-in do seu estado físico e mental e prestar atenção em como você se sente.

"Qual o momento de pico de atividades? O sol quase ajuda, e é quando a gente deveria colocar as atividades mais complicadas: das 10 da manhã até às duas da tarde. É um ciclo fogo em que você vai conseguir fazer as atividades mais complexas do seu dia a dia sem problemas. E isso também vale para refeições", conta Nicole.

A partir das duas da tarde, o momento é ideal para socializar, ou seja, marcar reuniões é uma boa ideia, já que serão mais produtivas e focadas, e o mesmo vale para momentos de descontração com outras pessoas.

Quando o sol começa a se pôr, é um sinal para você desacelerar. A partir daqui, é importante evitar muitos estímulos eletrônicos e diminuir aos poucos o uso das telas, assim como refeições muito pesadas.

A soma do planejamento com o acompanhamento do ciclo do sol - e adaptar a sua rotina segundo essas duas coisas - já trarão um alívio imenso para o estresse, justamente por darem estrutura para a sua vida. A partir daí, o que acontecer de inesperado não será mais um baque nos níveis de energia e estabilidade emocional, mas algo com o qual você vai conseguir lidar de forma focada e objetiva.

"A gente precisa de segurança, e essa estrutura dá a sensação de que a gente está no controle, não dá para viver à deriva", continua Nicole. Para isso, vale fazer uso de mini-hábitos, pequenas ações que ajudem você a montar essa estrutura (pode ser algo pequeno como respirar fundo algumas vezes ao acordar) e lembrar sempre que um hábito puxa o outro - seja bom ou ruim.