Viúvo ou divorciado? Saiba como a mudança de estado civil afeta a sua saúde

(Foto: GETTY IMAGES/ISTOCKPHOTO / NUBIAPEISENLOHR)

Por Mónica De Haro

Nossa vida sentimental pode influenciar e determinar a nossa saúde, em diversos níveis. O risco cardiovascular, por exemplo, é mais elevado entre os divorciados, enquanto que estar casado pode aumentar a chance de sobreviver a um ataque cardíaco.

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Uma pesquisa espanhola revelou que a viuvez diminui o bem-estar e aumenta a probabilidade de depressão, principalmente em mulheres. Segundo a Fundação Espanhola do Coração (FEC), os divorciados têm maior risco de infarto e o estado civil de uma pessoa pode influenciar a saúde cardiovascular.

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No entanto, o que acontece quando perdemos a pessoa que amamos? A solidão pode nos deixar doentes? A viuvez prejudica seriamente o bem-estar e a saúde? Este foi o título de um trabalho curioso, cujo objetivo era analisar o efeito da morte do parceiro na saúde e na demanda de cuidados (formais e informais) na Europa, comprovando se este efeito se mantém a médio/longo prazo, diferenciando por sexo e região geográfica.

De acordo com a literatura científica, a viuvez está relacionada com a perda do bem-estar (derivada de um sentimento mais intenso de solidão), saúde mental inferior, qualidade de vida reduzida, sentimento de perda, mudanças nos recursos familiares e até um índice maior de mortalidade.

Segundo esta pesquisa, a viuvez reduz o bem-estar e aumenta a probabilidade de depressão, principalmente em mulheres. (Foto: GETTY/ZIMMYTWS)

Todas as projeções realizadas por organismos internacionais e estudos científicos mostram que a expectativa de vida vai continuar crescendo, portanto, a avaliação econômica da saúde pode ser de grande ajuda na hora de identificar populações potencialmente vulneráveis e planejar os sistemas de cuidados de longa duração na Europa, além da organização de serviços de apoio social.

Além disso, o aumento da expectativa de vida provocou mudanças na estrutura familiar, e uma das circunstâncias que modifica as relações familiares com mais intensidade é a viuvez, fazendo com que o viúvo se torne mais dependente de seus filhos, e incorra num gasto mais alto em atendimentos de saúde.

Risco maior de depressão

O estudo demonstrou que, por volta dos dois ou três anos após a morte do cônjuge, o bem-estar dos novos viúvos é menor, e eles também apresentam uma probabilidade maior de depressão, em comparação com os que seguem em um relacionamento, com uma variação de 25%.

Além disso, quem fica viúvo tem uma probabilidade entre 8,3% e 10,8% maior de receber cuidados profissionais, em comparação com os que permanecem casados. No que diz respeito aos cuidados informais, os viúvos são mais propensos a receber este tipo de cuidado fora de casa (entre 15,24% e 21,3%), e têm uma probabilidade menor de receber estes cuidados de um familiar na mesma casa, em comparação com os indivíduos que seguem comprometidos.

Por volta de 5 anos após a viuvez, os resultados confirmam a existência de um efeito de adaptação dos indivíduos, fundamentalmente na parte relacionada ao estado de saúde (bem-estar social e depressão).

Diferenças por sexo e país

Os resultados mostram a existência de diferenças entre os sexos, já que no caso dos homens, a curto prazo, a viuvez tem um impacto maior sobre o bem-estar individual e a recepção de cuidados formais, enquanto para as mulheres o efeito mais significativo é maior probabilidade de depressão e de receber cuidados informais fora de casa.

Considerando os diferentes países europeus, a viuvez tem um efeito muito mais intenso sobre o bem-estar e a probabilidade de depressão no sul do continente. Nos países do norte da Europa, o principal efeito da morte de seu amor, em termos quantitativos, é observado na probabilidade de receber cuidados informais fora do lar.