Como a gravidez me fez amar meu corpo pela primeira vez

Vida e Estilo International
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Imagem via Getty Images.
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Sempre fui uma pessoa frustrada com meu corpo. Desde que cheguei à puberdade e comecei a ganhar peso pela primeira vez e quando tinha 15 anos desenvolvi bulimia. Passei meus dias contando e restringindo calorias antes de comer em excesso e depois limpar meu estômago à noite. Foi um ciclo interminável de ódio por mim mesma e luta para ganhar controle sobre a minha vida.

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Perdi muito peso nos três anos seguintes, o que atribuía ao meu distúrbio alimentar; mas ainda não gostava da minha aparência. Havia dias em que eu olhava no espelho e apontava todas as minhas falhas, e outros dias em que eu cobria o espelho com um cobertor para não olhar o meu próprio reflexo.

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A bulimia diminuiu gradualmente quando fiz 18 anos e entrei em um novo relacionamento. Não passei por nenhuma terapia ou ajuda, mas começou a desaparecer quando comecei a comer mais e descobri que não estava engordando. Na verdade, eu podia comer o que quisesse - e até continuar com meu excesso de comida, e continuaria a perder peso.

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Em seis meses, passei do tamanho 40 para o tamanho 36. Estava perdendo tanto peso que tive que convencer minha família que não estava vomitando mais para limpar meu estômago. Não sabia por que estava perdendo peso, mas mesmo estando mais magra do que já estive em qualquer momento na vida, quando me olhava no espelho, ainda me via maior do que era. Só mantinha relações sexuais com as luzes apagadas, usava roupas de cintura alta para cobrir qualquer sinal do estômago. Eu usava camisas grandes demais para esconder meu corpo e raramente me vestia mais chique, com medo de parecer gorda.

Aos 19 anos, em janeiro de 2015, fui levada às pressas para o hospital. Eu tinha ficado muito doente no Natal e estava sentindo uma dor abdominal insuportável e muito sangramento retal. Eu estava inconsciente, com febre alta e taquicardia, uma condição que faz seu coração bater mais de 100 vezes por minuto. Depois de passar alguns dias no hospital com os médicos realizando testes e me dando o máximo de alívio possível para a minha dor, fui encaminhada para uma cirurgia de emergência para remover meu intestino grosso, que havia sido perfurado. Foi uma experiência absolutamente aterrorizante e traumática e, para ser sincera: bloqueei a maior parte das lembranças.

Agora, tenho meu intestino delgado religado ao meu reto para me permitir ir ao banheiro e me disseram que tenho colite ulcerosa - uma forma de doença inflamatória intestinal. Um dos sintomas mais importantes é a perda excessiva de peso. De repente, tudo fez sentido.

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Depois disso, o relacionamento em que eu estava ficou ruim e eu ganhei muito peso. Eu não me importava com minhas cicatrizes, mas ver minha barriga crescer lentamente era desanimador, e continuei a me cobrir e a usar apenas roupas que me faziam parecer mais magra.

Parecia que eu estava de volta ao ciclo de ódio. Estava tão acostumada a odiar meu corpo que era praticamente o meu "normal". Esqueci como era olhar no espelho e realmente gostar do que via.

Mas tudo mudou quando comecei um novo relacionamento e engravidei.

Isso aconteceu muito rapidamente, apenas seis meses depois de conhecer meu namorado em um aplicativo de namoro online. Foi um choque, pois me disseram que eu não poderia ter filhos devido à extensa cirurgia abdominal, mas fiquei positivamente surpreendida e sabia que queria manter o meu bebê.

Ganhei muito peso durante a gravidez, desenvolvi diabetes gestacional e hipertensão induzida pela gravidez, o que me deixou muito inchada. Mas engravidar fez mudar alguma coisa dentro de mim. Foi como um clique na minha cabeça, e então comecei a olhar no espelho e a gostar do que via.

Eu amava o meu corpo de grávida, porque estava fazendo algo incrível que eu nunca pensei que seria capaz de fazer. Estava me dando um presente tão precioso e eu tinha que apreciar meu corpo por isso.

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As estrias não importavam, eu estava radiante e minha barriga era perfeitamente redondinha. Pela primeira vez, eu estava gorda e gostava disso. Eu queria que a barriga crescesse mais e mais porque eu adorava ver meu corpo progredindo à medida que meu bebê crescia.

Não importava que eu estivesse subindo na escala de tamanho dos vestidos ou que os números aumentassem na balança. Eu sabia que isso deveria acontecer durante a gravidez e me sentia bem com isso. Meu corpo estava fazendo o trabalho necessário para criar um bebê saudável.

Minha vida sexual melhorou completamente, já que eu não me sentia mais insegura. Não podia mudar o fato de meu corpo estar crescendo e escolhi aceitar isso durante os momentos de intimidade. Me sentir mais confortável com o meu corpo realmente fez meu namorado e eu nos tornarmos mais próximos. Permitir-me desfrutar de ser tocada e elogiada era algo incrível.

Por causa da minha cirurgia anterior, precisei de uma cesariana com 38 semanas e dois dias. Fui deixada com outra cicatriz e muitas estrias, mas não as olho com repulsa. Olho para elas e sinto orgulho, porque me lembram que meu corpo gerou a coisa mais preciosa da minha vida: meu bebê.

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Eu tiro minhas roupas em frente ao espelho e não tenho pensamentos negativos, o que é um sentimento muito libertador depois de ser sufocada por eles por tanto tempo. Não tenho mais problemas com o meu corpo e me visto para agradar a mim mesma, não apenas para me ajustar ao meu corpo.

Sei que, depois de ter um bebê, é muito normal sentir-se constrangida com seu corpo. Não vou mentir, houve algumas oscilações - principalmente quando meus jeans pré-gravidez já não cabiam mais - mas a gravidez me levou a um lugar realmente positivo, onde fico feliz em me despir na frente do meu parceiro, de usar roupas mais justas e não entrar em pânico porque as pessoas estão me julgando pelo meu peso.

Não ligo para o que os outros pensam quando olham para mim, porque finalmente estou confortável em meu corpo. Passei muito tempo castigando meu corpo e apontando tudo o que havia de errado com ele - mas sabia, assim que vi o sinal de positivo no meu teste de gravidez, que estava na hora de parar com isso.

Meu corpo fez a coisa mais incrível por mim e não merece nada além de amor e adoração. Então é isso que estou lhe dando.

Hattie Gladwell