Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco se reúne na China

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A Grande Barreira de Corais na Austrália

Após um ano de interrupção forçada pela covid-19, o Comitê do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) se reúne a partir desta sexta-feira (16), em Fuzhou, sudeste da China, para decidir a incorporação de novos sítios em sua lista.

Devido à pandemia de coronavírus, muitas candidaturas se acumularam em 2020 e 2021.

Esta nova sessão será marcada por polêmicas, com a possível inclusão da Grande Barreira de Corais da Austrália na lista de locais em perigo, enquanto Liverpool poderá ser excluída da lista do patrimônio, algo que raramente acontece.

Entre as candidaturas correspondentes a 2020, destacam-se locais culturais como o observatório solar e centro cerimonial de Chanquillo, no Peru.

Também figuram o sítio histórico e arqueológico de La Isabela, na República Dominicana; a Igreja de Atlântida, no Uruguai, do engenheiro Eladio Dieste; e o Sítio Roberto Burle Marx, no Rio de Janeiro.

As candidaturas de 2021 incluem o assentamento e a mumificação artificial da cultura Chinchorro na região de Arica e Parinacota, no Chile.

Também estão na fila de espera o conjunto franciscano do mosteiro e a catedral de Nossa Senhora da Assunção de Tlaxcala, uma extensão do sítio "Primeiros mosteiros do século XVI nas encostas do Popocatepetl", inscrito em 1994, no México.

A Espanha apresentou a candidatura do Paseo del Prado e do Retiro como Patrimônio Mundial da Unesco.

De acordo com o programa provisório, o Comitê se reunirá virtualmente sob a presidência de Tian Xuejun, vice-ministro chinês da Educação e presidente da Comissão Nacional da China para a Unesco, e examinará o estado de conservação de 255 sítios registrados. Destes, 53 já estão na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo.

A agência também informou que a cidade italiana de Veneza, gravemente afetada pelo turismo de massa, poderá ser incluída. Para evitar que isso aconteça, o governo italiano anunciou na terça-feira (13) que proibirá o ingresso de grandes navios de cruzeiro na lagoa veneziana.

A diretora-geral da Unesco, a francesa Audrey Azoulay, disse no Twitter, porém, que esta era uma decisão "sem importância".

Budapeste é outra que poderá entrar nessa lista, especificamente as margens do Danúbio e o bairro do Castelo de Buda, por demolições "inadequadas" e por "reconstruções em grande escala".

Entre um dos pontos polêmicos, está a possível eliminação como patrimônio mundial da orla de Liverpool, um lugar emblemático que desempenhou um papel fundamental na era industrial e que entrou na lista em 2012.

Especialistas acreditam, no entanto, que sua autenticidade está ameaçada por um grande projeto de desenvolvimento das docas da cidade dos Beatles, chamado "Liverpool Waters".

- Disputa pela Grande Barreira de Corais -

A recomendação da Unesco de inscrever a Grande Barreira de Corais na lista de locais ameaçados, devido à deterioração causada pelas mudanças climáticas, também gera polêmica e recebe duras críticas das autoridades australianas.

Apesar de ser considerado "o recife mais bem administrado do mundo", a Austrália se opõe a incluí-lo como patrimônio mundial em perigo, conforme solicitado por órgãos consultivos. De acordo com estas análises, a ameaça mais grave aos corais seria as mudanças climáticas, mas também a poluição da água e a atividade humana.

Entre as críticas dirigidas à Unesco, está a ausência de uma missão recente ao local. O órgão internacional garante, no entanto, que os procedimentos foram "rigorosamente seguidos".

Os órgãos consultivos baseiam suas conclusões em estudos científicos e técnicos, incluindo a experiência dos próprios Estados.

Este é um processo que Camberra conhece bem.

Quando a Austrália era membro do Comitê de Patrimônio, dois locais foram listados em perigo sem terem recebido uma missão por oito e três anos, respectivamente: as florestas úmidas de Atsinanana (Madagascar), em 2010; e os Parques Nacionais do Lago Turkana (Quênia), em 2018.

Além disso, classificar o local como "em perigo" não significa uma sanção. Pelo contrário, destaca a Unesco, pode ajudar a mobilizar recursos para salvaguardar o sítio. Implica também uma vigilância reforçada por parte da organização, com relatórios anuais sobre a evolução da situação.

Desde sua criação, o Comitê do Patrimônio Mundial, composto por representantes de 21 Estados, listou 1.121 sítios de 167 países.

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