Comida ASMR pode ser sua nova alternativa para relaxar

Ava Freitas
·2 minuto de leitura

Já escutou a expressão comida ASMR? Não? Pois ela tem origem naqueles vídeos – originalmente encontrados no YouTube – em que uma pessoa fica em frente a uma câmera e a um microfone e faz efeitos sonoros como sussurros ou mesmo estourar plástico bolha. Só que, nos vídeos de comida ASMR, a paisagem sonora para relaxamento são os barulhos típicos da manipulação dos utensílios e ingredientes para a elaboração de uma receita.

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Segundo relatório do Pinterest, o termo comida ASMR foi um dos mais buscados por jovens de 18 a 24 anos, entre julho de 2019 e julho de 2020. A tendência tem um forte pé na busca por formas de relaxamento – afinal, sabemos, 2020 não está sendo mole.

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“Comida ativa todos os sentidos ao mesmo tempo, ativa lembranças. Sentir-se relaxado é, portanto, natural”, afirma a neurologista Paula Macedo Dieckmann, que tem residência médica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e é membro da Academia Brasileira de Neurologia.

O que a ciência diz?

A neurologista, no entanto, diz que a comprovação do efeito terapêutico desses vídeos – os de comida e os demais de ASMR – segue sem resposta da ciência. “É possível encontrar inúmeros estudos sobre o relaxamento que a meditação provoca, mas, no Publimed – um portal de divulgação científica bastante reconhecido –, há só cerca de 30 estudos sobre ASMR.”

Mesmo sem uma resposta definitiva, há achados interessantes, como os da pesquisa “Uma Investigação de Ressonância Magnética Funcional da Resposta do Meridiano Sensorial”, publicado em 2019, por pesquisadores das universidades canadenses de Winnipeg, Ryerson e Manitoba.

Nele, um grupo de 17 pessoas que dizia sentir os efeitos de vídeos ASMR (sigla em inglês para Resposta Sensorial Autônoma do Meridiano) – formigamento no couro cabeludo, nos ombros e no pescoço e posterior relaxamento – e outro grupo de mesmo tamanho que afirmava não sentir nada de especial foram submetidos a uma ressonância magnética funcional para avaliar o cérebro depois de assistirem a gravações do gênero, de cerca de três minutos de duração.

No grupo que antes do exame já dizia sentir algo, foram ativadas as áreas Giro do Cingulo – controle das emoções e atenção –, Núcleo Accumbens – recompensa – e Hipotálamo – responsável pela secreção de hormônios, todas relacionadas com sensação de prazer. Quem disse não sentir nada não teve as mesmas regiões ativadas após os vídeos.

A neurologista afirma que, em termos de investigação científica, há um longo caminho a ser percorrido, mas, se você se sente bem assistindo, não há por que não usufruir da sensação de bem-estar. O fato é que você não está sozinho, muita gente também compartilha do mesmo efeito.

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