Com Wagner Moura, "Iluminadas" mistura sci-fi com serial killer em ritmo confuso mas cativante

"Iluminadas" é a nova série da Apple. (Foto Reprodução/Apple TV)
"Iluminadas" é a nova série da Apple. (Foto Reprodução/Apple TV)

Não é fácil se apegar à trama de Iluminadas, nova série da Apple. O primeiro arco foca em apresentar Kirby e Dan, uma sobrevivente de um serial killer e um jornalista investigativo, a dupla que parte em busca de solucionar o grande mistério do roteiro: quem é o assassino que assombra Chicago na década de 1990? E ainda que parta de uma premissa simples e tenha excelentes atores como Wagner Moura e Elizabeth Moss, a mistura de ficção científica com investigação, num primeiro momento, soa apenas confusa e pouco envolve o espectador.

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Segundo ato

A coisa muda de figura com o segundo ato que, além de desenvolver ainda mais a dupla protagonista, abraça os coadjuvantes, o vilão e deixa o ar de confusão de lado para finalmente apresentar um mistério difícil de solucionar, mas instigante o suficiente para manter a atenção da audiência. Muito disso se deve à direção de Michelle MacLaren, conhecida por Breaking Bad, que constrói bem o sufoco e desespero na cabeça da protagonista e encontra em Moss um rosto capaz de causar a empatia raivosa sugerida pelo texto.

Na pele do jornalista brasileiro Dan Velasquez, Wagner Moura não tem o tempo suficiente para explorar a complexidade que parecem querer dar ao personagem, mas cumpre perfeitamente o papel do investigador que serve de guia para a audiência - feroz ao fazer o trabalho, quebrado dentro de casa e ávido por ajudar Kirby e outras vítimas. Por outro lado, assim como a trama central, a química de ambos só deslancha de fato na segunda metade da série, quando a mistura de gêneros se torna sólida e todas as peças parecem se encaixar.

"Iluminadas", que é baseado no livro de Lauren Beukes, é mais um bom exemplo de séries da Apple TV+, responsável por Ted Lasso, Severance, Servant e For All the Mankind. Por outro lado, ela é uma das primeiras a sofrer com o tradicional problema da "série que poderia ser um filme", tamanha é a enrolação de alguns episódios em torno de mistérios quase vazios. De toda forma, o saldo é positivo pela proposta diferente de uma trama que apresenta gêneros de uma maneira inusitada e vê no elenco um porto seguro para comprar tal ideia.

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