Com uma única dose, vacina da Johnson & Johnson produz resposta imune e é segura

Fidel Forato
·3 minuto de leitura

Na corrida pelas vacinas contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2), o imunizante da Johnson & Johnson, desenvolvido pela farmacêutica Janssen, está cada dia mais próximo de sua aprovação. Durante os estudos de Fase 1 e 2, a fórmula contra a COVID-19 conseguiu desencadear uma resposta imunológica suficiente com apenas uma dose. Entre as vacinas já desenvolvidas, todas demandam duas doses.

Em pesquisa publicada no periódico científico The New England Journal of Medicine, a vacina da Johnson & Johnson obteve bons indicadores de segurança e também desencadeou a resposta imunológica satisfatória do corpo contra o coronavírus. Além disso, os resultados positivos foram verificados em testes com duas dosagens diferentes.

Vacina da Johnson & Johnson obtém bons resultados contra a COVID-19 com uma única dose (Imagem: Reprodução/ Alena Shekhovtcova/ Pexels)
Vacina da Johnson & Johnson obtém bons resultados contra a COVID-19 com uma única dose (Imagem: Reprodução/ Alena Shekhovtcova/ Pexels)

Johnson contra a COVID-19

“Uma dose única da Ad26.COV2.S induziu uma forte resposta humoral na maioria dos receptores da vacina, com a presença de anticorpos neutralizantes em mais de 90% dos participantes, independentemente da faixa etária ou da dose do imunizante”, apontaram os pesquisadores da vacina da Johnson & Johnson, no estudo. Na análise, também foi possível observar que os anticorpos aumentaram e se estabilizaram durante os 71 dias do estudo, o que sugere que o imunizante desencadeie uma resposta imune duradoura.

De forma geral, a pesquisa demonstra que 90% dos participantes desenvolveram anticorpos neutralizantes 30 dias após a aplicação. Depois, esse número chegou em 100%, quando os dados foram analisados 57 dias após o recebimento da dose. Esses resultados foram obtidos tanto nos grupos mais novos como nos mais velhos.

Este levantamento considerou os resultados da aplicação da vacina em 805 participantes, entre adultos e idosos. Entre os eventos adversos, os pesquisadores mais relataram: fadiga; dor de cabeça; e dor no local da aplicação. Agora, é necessária a conclusão dos estudos de Fase 3, onde milhares de voluntários recebem a vacina, para se estipular, entre outras coisas, a taxa de eficácia do imunizante.

Johnson & Johnson no BR

Quanto aos testes de Fase 3, o Brasil é um dos países que participam da pesquisa, desde agosto do ano passado, e pode contar com até sete mil voluntários. Mesmo sem concluir esta terceira e última etapa, a Johnson & Johnson já se organiza para a eventual aprovação emergencial do imunizante, fabricado pelo seu próprio laboratório, Janssen. Nesta semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu uma certificação de boas práticas para as fábricas de vacina da empresa. Este seria o primeiro passo para uma aprovação de uso nacional.

Além disso, o imunizante também é considerado no plano nacional de imunização. Conforme divulgado em dezembro do ano passado, o Ministério da Saúde espera contar com 38 milhões de doses da vacina desenvolvida pela Johnson & Johnson. Dessa forma, três milhões de doses seriam disponibilizadas no segundo trimestre de 2021, oito milhões, no terceiro trimestre, e 27 milhões, no quarto trimestre.

Vale comentar que o imunizante adota uma plataforma vetor viral não replicante, de forma similar à vacina de Oxford, por exemplo. Na fórmula contra a COVID-19, o adenovírus Ad26 é modificado para não se replicar mais e é editado para carregar a proteína espicular do coronavírus. Assim, é esperado que uma única dose desencadeie uma boa e prolongada resposta imune. Em relação ao imunizante de Oxford, a diferença é justamente a necessidade de duas doses.

Para acessar o artigo publicado sobre os resultados das Fases 1 e 2, clique aqui.

Fonte: Canaltech

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