Vendedora usa microfone de karaokê para entrevistar Neymar e outros famosos

Lojista usa microfone de karaokê para entrevistar Neymar e outros (Foto: Reprodução/Instagram (@edlainecausadora)

Você já deve ter visto em vários telejornais o momento em que Neymar Júnior, acusado de estupro, chega na delegacia de crimes de informática da Polícia Civil, no Rio de Janeiro, para prestar depoimento.

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O que deve ter passado batido, no entanto, é a presença de uma “jornalista” usando um microfone de karaokê durante a entrevista coletiva. Trata-se de Edlaine Alcântara, de 35 anos, moradora da comunidade do Jacarezinho, no Rio de Janeiro.

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A carioca compartilhou vídeos do momento em suas redes sociais e chamou a atenção por não ter sido notada pelos profissionais presentes mesmo sem representar algum veículo de comunicação.

Edlaine é vendedora e teve a ideia de comparecer na delegacia porque “estava curiosa para ouvir as declarações do jogador de futebol”. Ela também sabia que o assunto interessava muitas pessoas, logo ganharia seguidores.

Edlaine flagrada pelos paparazzi e emissoras de TV (Fotos: Thyago Andrade/Brasil News e Reprodução/Band)

Procurada pelo Yahoo, a “repórter infiltrada” conta que não é a primeira vez que participa de entrevistas coletivas — abertas aos veículos de comunicação. Edlaine foi ao velório do cantor Mr. Catra, marcou presença no enterro da Dona Ivone Lara e gravou entrevistas na porta da festa de lançamento da novela ‘Segundo Sol’ (2018), da Rede Globo.

“Já entrevistei a Giovanna Antonelli. Ela foi mais ou menos comigo. A Deborah Secco é um amor. Ney Matogrosso foi sem palavras, deu uma entrevista bacana. Tem aquele que fez o Rubinho (Emilio Dantas), gostei muito. Já o Chay Suede é um poço de ignorância”, diz ela.

O conteúdo é divulgado nas redes sociais da mulher, que apelidou seus perfis de “Blog Quero Causar”. Além de causar, como diz o próprio nome, Edlaine tem a intenção de “ficar famosa e ser livre para fazer o que gosta”, que é entrevistar pessoas independentemente da notoriedade.

“Tenho vontade de fazer faculdade de jornalismo. Mas a vida é difícil. Tenho dois filhos para criar e uma neta”, diz ela, que tem a aprovação dos herdeiros para continuar com seus vídeos, mas o marido não gosta da ideia.

“Ele fala que é loucura, não me dá força. Mas tenho o apoio de uma equipe de dois amigos, a Vitória e o Lucas — que costumam ir junto nos eventos e fazem o papel de câmeras com o próprio celular. Algumas pessoas da comunidade também me conhecem e avisam quando vai ter alguma coisa para eu fazer os vídeos”, conta.

A 'repórter' com a neta e os filhos (Foto: Reprodução/Instagram/@edlainecausadora)

Edlaine já gravou sobre atropelamentos, tentativas de homicídio e o descaso na saúde pública do Rio de Janeiro. Alguns vídeos contam com um número alto de compartilhamentos no Facebook. Na rede social, inclusive, o perfil de Edlaine pode ser encontrado pelo nome artístico “Maria Tereza Guinle”.

“Botei esse nome porque amo. É chique. Nos eleva. Sou uma pobre com a alma chique, de rica. Só me falta o dinheiro”, afirma a “repórter infiltrada”.

Ainda segundo ela, conciliar o trabalho de vendedora com a vida de “jornalista” não tem sido fácil. Às vezes, Edlaine precisa dar uma escapadinha no horário de trabalho ou estender sua pausa para o almoço. A chefia é que não está curtindo. Para reportagem conseguir falar com a carioca, ela precisou ir ao banheiro e sussurrando disse que só poderia atender em sua hora de almoço.

“Levo muito esporro. Quando minha chefe sabe que vai ter algum evento e imagina que vou fugir da loja, ela avisa que vai assinar minha carta de demissão (risos). Mas são um amor comigo. É uma família”, conta Edlaine.

Ao Yahoo, no entanto, Thiago Cardoso, um dos chefes da moça, afirma que respeita o sonho da funcionária e diz que não a demitirá por isso. “Permito que faça os vídeos. Além de trabalhar com a gente há dois anos, ela se tornou uma amiga. Com esse jeito doidinho demonstra muito amor todos os dias”, enfatiza.

A reportagem também ligou em uma perfumaria na qual a carioca presta serviços e o conteúdo publicado pela vendedora é conhecido pelos colegas. “Ela é maluca mesmo”... “O sonho dela é trabalhar com a mídia” são as frases das pessoas próximas.

Edlaine esperando Neymar para a coletiva de imprensa (Foto: Arquivo Pessoal)

Focada na cobertura do caso Neymar, Edlaine Alcântara pretende continuar saindo pelas ruas do Rio para descobrir novas informações. Ela afirma que o problema é ter de lidar com o preconceito das pessoas que não entendem que ela está “batalhando por um grande sonho”.

“A mídia só mostra o lado negativo de quem vive no Jacarezinho. Lá tem muita gente de família, de caráter, que trabalha e corre atrás. A gente faz tudo para subir na vida. Tenho orgulho de falar de amigos meus que estão fazendo faculdade”, diz ela, que fica triste quando é rotulada como favelada.

“Sofro preconceito quando perguntam onde moro. Me chamam de favelada e eu sou, sim, mas lá tem inteligência também. Não vamos julgar as pessoas porque moram na favela. Isso tudo é uma razão social”, dispara.

Veja outros vídeos de Edlaine:

Coletiva de Imprensa do Neymar

Velório do Mr. Catra

Evento de moda