Com coronavírus, Sesc-SP aperta o cinto e adia abertura de novas unidades

MAURÍCIO MEIRELES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com todas as unidades fechadas desde o meio de março, o Sesc-SP já começou a rever e a reajustar os planos que tinha para 2020, por causa da crise provocada pelo novo coronavírus. A mudança de rumos já inclui, por exemplo, o adiamento na abertura de novas unidades no interior de São Paulo, caso de uma em São Bernardo do Campo e outra em Mogi das Cruzes, diz Danilo Miranda, diretor da instituição.

O encolhimento deve se acentuar se a medida provisória 932/2020, que reduz em 50% a contribuição das empresas ao Sistema S por três meses, for aprovada no Congresso. Como o sistema que inclui Sesc, Senai, Senac e outras instituições recebe uma contribuição vinculada à folha de pagamento das empresas, caso a retração da economia seja acentuada, na prática a redução no orçamento disponível pode ser ainda maior.

"Precisamos rever planos. Recebemos uma área em São Bernardo do Campo e outra em Mogi das Cruzes para instalar unidades e começar a funcionar logo, mesmo que provisoariamente em instalações não completas. Vamos ter que jogar no mínimo para o ano que vem", diz Miranda, citando também obras que ainda não tinham começado em Franca e Marília. "Não dá para construir novas unidades neste momento, pelo menos não no ritmo que a gente pretendia."

Caso a MP seja aprovada e a redução dure apenas três meses, Miranda diz que o Sesc tem como segurar as pontas com suas reservas. Depois disso, seria preciso reduzir proporcionalmente as atividades que a instituição oferece - mudar horários, diminuir a capacidade de atendimento e, numa situaçã extrema, demitir pessoas.

"Esse é o último recurso que usaríamos, pretendemos nunca chegar lá", diz o diretor do Sesc-SP, acrescentando que, até o momento, a instituição não realizou demissões como consequência da crise. "Se durar três meses e voltar tudo ao normal em termos de arrecadação, ou seja, se aquilo que estava acontecendo [na economia] antes da pandemia voltar, acho que a gente segura e normaliza um pouco."

Miranda destaca ainda que, desde o início da quarentena, a instituição honrou os contratos em andamento - se alguém tinha programação, por exemplo, em uma oficina de dez aulas, mas só deu cinco, essa pessoa foi paga pelas dez. E vai oferecer as restantes depois que a crise passar. O mesmo critério foi adotado em contratos que já estavam com a negociação avançada.

Mas, desde março, com o fechamento das unidades, o Sesc-SP também suspendeu as contratações de novos espetáculos culturais - mas o plano, nos próximos dias, é já ter ideia de convocatórias que possam ser anunciadas.

"Vamos ver se conseguimos fazer com todas as linguagens artísticas, mas ainda estamos avaliando", diz Miranda, destacando a ideia é selecionar projetos que possam ser feitos já, talvez online, mas também para depois da quarentena.

Desde o início da crise, o Sesc-SP tem feito atividades online, mas obviamente o público não se compara ao que frequenta todas as unidades da instituição. O show online de Zélia Duncan no domingo (26), por exemplo, teve 200 mil espectadores. Mas Miranda estima que, na rede, o público do Sesc seja cerca de 30% daquele em uma situação normal.

Ainda não há planos claros para uma eventual reabertura. Quando se anunciou o fechamento de tudo, a expectativa era que ele durasse só até 31 de março.

"Talvez comecemos no dia 10 de maio, a data estabelecida [pelo governo]? Mas não temos como saber se vamos reabrir tudo de uma vez. Vamos reabrir os serviços odontológicos? Atividades culturais, com alguns cuidados? Cursos, com algum cuidado? Espetáculos? Espetáculos provavelmente ainda não, porque pressupõe uma quantidade de pessoas e uma infraestrutura maior", afirma Miranda.

Outra preocupação no Sesc-SP era o que fazer para evitar que os alimentos nas diversas Comedorias da rede fossem desperdiçados, já que agora não há clientes nos restaurantes. A solução foi encaminhar tudo para o programa Mesa Brasil, projeto de doação de alimentos. Normalmente, o trabalho da instituição é cuidar da apenas logística dessas doações - mas agora incluiu no programa o que tinha armazenado e podia estragar.

"Trabalhamos com uma dose de imprevisibilidade imensa. Isso é decorrente da natureza do problema que estamos enfrentando. [Não sabemos] quando ou como teremos uma possibilidade não de uma normalidade, porque o normal anterior mudou de figura, mas de termos uma outra normalidade no futuro", diz ele.