Com cinemas fechados e sem estreias, como será o Oscar 2021?

Thiago Romariz
·4 minuto de leitura
Foto: Xinhua/Li Rui via Getty Images
Foto: Xinhua/Li Rui via Getty Images

Por Thiago Romariz* — Ainda que a maior premiação do cinema mundial aconteça daqui um ano, os efeitos do coronavírus já chegaram ao Oscar. Há mais de um mês sem lançamentos, Hollywood testemunha a antecipação de uma série de tendências que despontavam na indústria nos últimos anos e agora enxerga a possibilidade de sua temporada de festivais e premiações ser afetada também pela pandemia.

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A Academia admite que as regras devem mudar (hoje um filme precisa de sete dias em cartaz para ser considerado) e consequentemente os critérios de lançamento também, o que abrirá ainda mais espaço para um nicho tão rejeitado pelos mais conservadores: o streaming.

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O adiamento de festivais como Cannes e SXSW foram o primeiro impacto no circuito de premiações - Parasita, o vencedor do Oscar 2020, estreou no festival francês, por exemplo. The French Dispatch, novo filme de Wes Anderson, seria o grande nome do evento e agora chegará somente no final do ano aos cinemas.

São poucos os filmes do dito "circuito independente" que chegaram aos críticos e distribuidores, o que fará muitos deles perderem espaço na mídia e até mesmo entre votantes; normalmente a campanha para premiações começa desde já. Neste cenário, curiosamente, o brasileiro Bacurau leva uma vantagem, pois foi um dos poucos a estrear em 2020 no circuito americano, obteve críticas positivas de grandes veículos e pode surfar a onda levantada por Parasita ano passado.

A dor de Hollywood atualmente, porém, se resume aos blockbusters que não estarão nas salas e, provavelmente, no Oscar. Desde que aumentou as indicações de melhor filme para 10, a Academia viu obras mais populares entrarem no circuito. Logan, Deadpool, Coringa, Mad Max e Pantera Negra são alguns deles.

Por hora, a internet brinca com Sonic, Aves de Rapina ou Bad Boys Para Sempre entre os indicados, mas é difícil que isso aconteça. Mais provável, devido o histórico dos envolvidos, era que Tenet, a nova ficção-científica de Christopher Nolan, estivesse ao menos entre os concorrentes - hoje ele está agendado para o meio de julho, mas dificilmente será mantido. E pelo orçamento e carreira do cineasta, que sempre defendeu a tela grande e a experiência coletiva, Tenet nunca estreará no streaming; o que nos leva à provável solução para o problema.

Não é segredo para ninguém que a Netflix investe pesado em grandes nomes para ganhar espaço em premiações; não à toa foi o estúdio com mais indicações em 2020 sendo representado por nomes como Martin Scorsese, Noah Baumbach e os Obamas. Em 2021, as previsões apontam principalmente duas obras da Netflix - Mank, novo trabalho de David Fincher (Clube da Luta, Benjamin Button Garota Exemplar), e Hillbilly Elegy, próximo drama de Ron Howard (Rush, Frost/Nixon e Uma Mente Brilhante). Com armas tão poderosas e considerada por muitos estúdios uma real ameaça à hegemonia de salas de cinema, dificilmente Netflix dividirá o espaço dos seus originais com grandes lançamentos de outras empresas.

Por outro lado, é complicado imaginar que um filme faça um barulho relevante na atual situação sem que saia no streaming. Assim, o que se desenha para Hollywood é o lançamento em massa dos "filmes de Oscar" em plataformas de streaming e um lançamento limitado em salas de cinema. O que praticamente transformaria aquilo que foi exceção nos anos anteriores em regra na situação atual - e talvez nos próximos anos também.

Difícil prever. Mas uma coisa é fato: o Oscar, que perde audiência ano a ano, necessita da penetração do streaming para se manter lucrativo e relevante. Negar isso na atual situação é adiar o óbvio.

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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